quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Hora de acordar

O relógio toca insistentemente, parece berrar pelos cantos do ouvido, soando os apitos do quartel da vida. Os olhos brigam: é preciso vencer a força das pálbebras, famintas por um pouco mais desse momento de elevação.
6h00. O sol aparece entre as nuvens, cabreiro, sonolento como eu. Parece espreguiçar nesse dia gostoso de chuva. É como se os raios fortes se aconchegassem preguiçosamente na fofura do algodão umidecido. Sua razão, assim como a minha, o faz se arrastar pelos afazeres entre a multidão de devaneios: chuva e sol, calor e arrepio, pessoas e solidão.
Minha rotina da manhã, como sempre triste e fadigante, é como um dever criterioso e sistematicamente programado. Despertar-me, levantar-me, lavar meu olhos, escovar meus dentes, vestir-me, alimentar-me.
Partir. O coração. Deixar na cama, ainda dormindo, a pequena. Beijá-la, como se o dia representasse toda uma eternidade sem vê-la. Acorda-te! Acorda-te!
É hora de acordar.