quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Desligando

Procuro a tomada que me liga ao mundo. Queria desliga-la. Apagar-me da vida, esquecer-me das pessoas, não saber das notícias, não envelhecer. Quero muito surrupar esse interruptor que me mantém ligada. Queria me esquecer por um tempo, talvez um mês ou dois, e porquê não, quem sabe, um ano inteiro. E então renasceria, com as forças renovadas, com o coração refeito, com a mente reavivada. Queria induzir-me a um coma temporário. Não quero ver terrmotos, nem tsunames. Não quero ver crianças mortas nas capas dos jornais nem os assaltos dos noticiários. Não quero mais brigar, nem sofrer, nem trabalhar, nem estudar. Não quero enfrentar o trânsito, não quero enfrentar a mim mesma. Tudo, apenas tudo o que quero, é não estar aqui para não querer. E ressurgir.

domingo, 27 de setembro de 2009


Tantinho para mim

Será que alguém tem um tantinho para mim?
Um tantinho de paz.
Um tantinho de amor.
Um tantinho de felicidade.
Um tantinho de fé.
Um tantinho assim!

Juju

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Palavras mudas

Hoje, queria mergulhar profundamente em meus pensamentos, me submerger nesse oceano de mistérios que sou. Queria me trancar no escuro dessa mente que não descansa, entre esse vaí-vem dessa voz que emudeceu. Queria me calar. Me enterrar nesse silêncio profundo da alma onde não há restrições nem censuras. Aqui é meu campo livre de elogios e insultos, de lástimas e egocentrismo. Não há quem me escute, não há quem me desfrute, não há quem critique também. Sou tudo isso e um pouco mais, que de tanto tentar descobriu a nobreza das palavras surdas, a tristeza dessa manifestação particular.
Hoje, queria escrever meu coração. Fotografá-lo, captura-lo. Refazê-lo, talvez.
Juju

sexta-feira, 18 de setembro de 2009


Jornalismo

Hoje me peguei pensando no porquê da minha decisão de ser jornalista. Me culpo, às vezes, por essa escolha dificilmente lucrativa e aparentemente tão difícil de se ingressar (no mercado de trabalh0). Mas como negar o sangue que pulsa pelas notícias e se esquenta quando escreve? Como explicar o impulso incontrolável de entrar em uma livraria ao invés de uma joalheria? As letras das capas coloridas brilham mais que o ouro refinado da vitrine ao lado. E as vezes me pego lamentando por essa paixão que tenho, que pode me fazer acabar rodeada de livros amarelados em um sobrado simples, apenas pelo desejo imenso de viver esse quase nada que para mim é tudo. Fama? Quem não quer! Não há como negar a vontade - talvez utópica, mas jamais impossível - de ser uma Fátima Bernardes ou uma Patrícia Poeta. De ter a inteligência do Jabor e a indiscutível experiência do William Bonner. Meus sonhos, naturalmente, vão muito além do jornal do bairro ou da rádio das associações. Mas não é esse o real objetivo por estar aqui agora, sentada nessa cadeira, prestes a escrever uma matéria estudantil que traz consigo um único leitor - o professor. O que me faz querer, e trazer comigo essa determinação insacíavel, é a simples vontade de parar de trabalhar. O trabalho para mim é algo que fazemos exclusivamente por dinheiro. Então você acorda cedo, se estressa, se zanga e se cansa. E no final do mês recebe seu contracheque, paga suas contas, ajunta algum dinheiro, tem alguns prazeres concedidos. Meu maior desejo é que minha profissão seja como um filho. Que eu possa me cansar sentindo prazer, me ocupar com a imensa gratificação de estar plenamente realizada. Quero sentir cheirinho de revistas novas, quero ter o tato do papel do jornal quentinho, quero escrever a vida, entrevistar o pobre e o rico. Quero subir favelas e palácios, quero descobrir o que está encoberto, quero contar o que precisa ser falado. O jornalismo é como uma face de pele multiracial. É como uma salada de conhecimento - não há nada que o tire de você. Um jornalista é o espelho da vida. Ele reflete os defeitos e a formosura. É os olhos do povo, e a propagação da informação.
Juju

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Dia de mim

Nem todo dia é dia da gente. Hoje estou aqui, sentada a poucos minutos da chegada de um novo dia útil. Cansada, depois de um jornada pesada de 15 horas de trabalho e estudo árduos. Mas ainda assim escrever me prende mais do que essa cama que me chama ao lado, como o mais aconchegante de todos os remédios.
Paro e me vejo assim, velando o sono sincero da menina que fiz (e ainda terei de fazer). Contesto o desejo insano de acordá-la, nem que seja para ver esse sorriso que me acalma, por um minuto, que há muito não tenho entre minhas segundas e sextas-feiras. Hoje não é dia de poesia, nem dia de perfeição. Hoje quero palavras simples, hoje é dia de mim. Seria mais fácil se pudesse recortar minha alma - as prosas de minha alma - e pendurar aqui, nesse varal de blá-blá-blás. Mas minha alma, inascessível, tenta se manifestar nessa ciranda infinita de letras, que dá forma a alguém que briga por compreensão. O pesar de tudo isso, é o conjunto de possibilidades e interpretações que a letras nos permitem ter. Serei sempre o enigma, a parte que brinca e bole com as férteis imaginações. Quando -eu - nas verdade, estou aqui: simples, carente, descrente, desejante. Quando na verdade só queria transcrever a face que geme, não importa se é dor ou prazer, mas que tão somente se manifesta ainda VIVA.
"As oportunidades normalmente se apresentam disfarçadas de trabalho árduo e é por isso que muitos não as reconhecem".
Ann Landers

terça-feira, 15 de setembro de 2009


desfazendo-se

É quando olhamos para trás e descobrimos que o novelo se embolou no primeiro ponto, que percebemos que é preciso parar. Então aprendemos a vencer o desânimo, a desfazer os trajetos traçados - quer sejam bons ou ruins. Esse é o momento em que todo o percurso se inverte, como um jogo. Não basta ter coragem, é preciso forças. Não basta aceitar o erro, é preciso receber o recomeço como uma nova oportunidade de aprendizado. E o mais importânte, é que se tenha muita, muita paciência.

Juju

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

"Aparentando"

Família é mesmo uma coisa engraçada. Principalmente quando passam a se tornar parentes.
Nascemos pela decisão de uma ou duas pessoas. E não temos o direito de aceitarmos ou negarmos a àrvore genealógica da qual faremos parte. Simplesmente estaremos ali, entre suas galhas, como mais um integrante de seus frutos.
Herdamos tios, tias, avós, pais e irmãos, e com eles criações e costumes dos quais também não temos como escolher. Mas, nossa incrível necessidade de aprendizado nos faz aderir à cultura do meio em que vivemos. Nos faz aprender seus hábitos e a participar dessa cadeia de preceitos efetuando mudanças peculiares de caráter e da sociedade com que temos convivência. E então, com o casamento "herdamos" uma nova conexão desses laços dos quais não temos a oportunidade de escolher. Existem sempre os palpiteros, os falsos, mas também os que estão sempre prontos para oferecer ajuda. Existem os reservados, os respeitosos, os que aceitam os limites de privacidade, mas há também quem ligue pedindo dinheiro ou invada os limites como se não houvesse delimitações de vida e espaços separados.
Assim somos parte desse ciclo sem fim, porque a vida se renova, os filhos se casam, os netos multiplicam, os parentes se eternizam. Este é o caminho que se segue, sem que tenhamos opções alternativas. Vamos nos adequando, enquanto a vida se encarrega de semear a terra.