quarta-feira, 20 de abril de 2011

Eu, o matrimônio e a sepração






Cresci ouvindo minha mãe reclamando as "pendengas" da separação. Para mim, ainda pequena, não passavam de balelas, crise dos adultos ou picuinhas bobas que poderiam ser resolvidas com facilidade. Só não me imaginava, anos depois, reclamando das mesmas coisas, tendo a mesma sensação de revolta, decepcionando-me com tamanha brutalidade. O mais engraçado, é que todas essas confusões, que presenciei na infância, não afetaram nem um pouco a minha decisão quanto ao matrimonio.



Casei-me, aos vinte e um anos de idade - bem mais nova do que imaginei. As vezes penso se tudo isso não foi um reflexo da minha carência excessiva que se unia ao desejo de uma liberdade meramente dependente de dois seres: eu e ele. Apesar de já morar sozinha nessa época, ter minha independência financeira e profissional, muito do espaço que conquistei entre as pessoas - como pessoa - foi concretizado após o casamento. Minha filha foi uma grande conquista. A maior de todas elas.



O problema todo é a maneira como agimos, impulsivamente, pelo comando ignorante dos nossos próprios sentimentos. A liberdade que conquistei casando, deixei de ter, abdicando. O ato conjugal, por si só, já é uma maneira de nos desfazermos de parte de nossas origens, de nossos costumes, das práticas do cotidiano. É como misturar corante na água. A textura muda, o sabor muda, o conceito muda, o nome muda. Não é mais água, nem corante. É suco de uva agora.



Fico aqui, matutando toda essa homogeneidade que se cria, no ato da separação. Como definir, extamente, quantos gramas de corante, quantos litros de água? Como separar o caldo, do sólido, o rancor, da paixão? Sobra, enfim, um sentimento de frustração, da porção que se desfaz, da limpidez que não se recupera. Fica o gosto da medida, com o desgosto do descompasso. Não é mais bebida, não é mais pó. É tão somente a água suja de barro, sem vida. Melhor que se esvazie. E se crie outra vez.