A alma também está suscetível à doenças. A alma é como o ar: invisível, intocável, necessária, sensível. E talvez por isso não notemos quando se prostam. O problema todo, é que uma alma doente é capaz de contaminar todo o corpo físico, e quase sempre não percebemos que tudo isso pode ser a raíz de uma grave epidemia. Os doutores da alma, psicólogos, talvez estejam longe de descobrirem a cura de uma grave doença interior. Tudo não passa de paliativos, calmantes, ansiolídicos. Nada mais que esconder muita sujeira por debaixo de tapetes. É preciso encontrar vacinas, antibióticos, não apenas analgésicos para toda essa lamentável dor. É que a medicina se empenha tanto no palpável, que se esquece que quando a alma morre, todo o corpo deixa de existir.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Exemplo
Ouvi de uma colega, estagiária em jornalismo no hospital Mater Dei em Belo Horizonte, alguns comentários sobre seu trabalho, e a rotina do hospital. Apesar de nunca ter tido qualquer tipo de contato profissional nesta instituição de saúde, conheço bastante sua estrutura, organização e médicos. Lá fiz todo o acompanhamento de meu pré-natal, foi meu refúgio para cada dorzinha insignificante, que comove qualquer mamãe de primeira viagem. Fiz também meu "curso de casal grávidos", por sinal, de excelente qualidade, e pasmem: gratuito! Sinto-me honrada em ter a possibilidade de usar meu plano de saúde nesse hospital, enquanto o Brasil é um país de tanta precariedade hospitalar. Ter seu parto em um hospital que te permite assistir pela televisão seu bebê no berçario, com tv a cabo, frigobar, ar condicionado, janelas movidas a controle remoto, com uma alimentação com excelente qualidade (e quantidade), não é nada que se possa reclamar. Ainda mais quando vejo reportagens das filas dos postos de saúde, pessoas aglomeradas nas enfermarias, falta de assistência do que deveria ser prioridade para qualquer ser humano. Vivemos em um país em que se paga uma das maiores taxas de impostos do mundo, e só quem tem plano de saúde tem direito a um bom tratamento médico. E assim tem sido com a educação, estradas, rodovias, etc. Separamos cotas em universidades, ao invés de procurarmos maneiras de melhorar o ensino público, e colocá-lo a semelhança do ensino privado. Bom, vou retornar ao assunto Mater Dei, a revolta pela falta de acesso ao que teoricamente teríamos direito de maneira gratuita me fez perder o foco do texto.
A questão que me intrigou nessa conversa, com essa colega estagiária, foi ouvi-la dizer que o dono desse hospital, (um senhor simpático, educado, e cheio de simplicidade), conhece a vida dos diretores aos faxineiros. Que este homem vai dia-a-dia nos setores ver seus funcionários. Coisa que particularmente não duvido. No nascimento da minha filha recebi a visita desse senhor em meu quarto, para me desejar felicidades. E então fiquei pensando em tudo isso, na boa recepção daquele quadro imenso de funcionários, na bem merecida certificação em nível máximo pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Trabalho em uma empresa há 7 anos. Muito aprendi ali. Convivemos mais com colegas de trabalho do que com próprios familiares. Há alguns anos como gerente, já vivi (e vivo até hoje) dilemas de desmotivação, personalidade e psicologia. É preciso ser tudo. Educador, mediador, disciplinante, cruel, amigo. Ser gerente não é fácil. Porém, o que mais me intrigou nessa história, é que percebi que talvez os pilares de uma empresa possam ser os próprios donos - ou - uma pirâmide invertida, como todo bom jornalista deve conhecer. O que mantém uma empresa são os clientes, e estes, primordialmente, dependem do bom atendimento do funcionário, que dependem diretamente da boa orientação do gerente, que são constantemente motivados (ou desmotivados) pelos diretores. Fiquei por um tempo viajando nessa história toda, e percebi o porquê de tantos micro empresários não crescerem mais do que certa distância que esbarram em uma própria circunferência. É aquela velha história, "quer conhecer alguém? dê-lhe poder". Lá está, na potência Mater Dei, um velho senhor que poderia estar em casa, ou viajando com a esposa, os filhos e os netos, mas preferiu visitar os pacientes, desejando-lhes felicidade. Preferiu saber da vida de seus funcionários, porque o dinheiro não lhe tirou a humildade e a sabedoria, porque sabe que são parte da estrutura de tudo que tem. Enquanto isso, existem pessoas babacas, soberbas, que se colocam em pedestais. Estes, talvez cresçam um pouco com o suor do rosto e a competência de alguns, mas são possuidores de uma alma pequena, que não vai além de seu próprio ego pessoal. Como gerente, sei que é preciso ser regrado, tem hora pra ser camarada e hora para ser carrasco. É preciso punir quando devido, agraciar quando merecido. Ser profissional, é ser imparcial, mas vai muito além disso também. Uma pitada de tolerância, uma dose de justiça, uma gota de compreensão. Além disso, o respeito, afinal, são vidas, não robôs. É preciso manter a humildade, a igualdade. O maior sucesso de todos não é o que possuímos, mas quem conseguimos ser.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Mais um dia de cão
Tem dia que é mesmo "o dia". E como o dito cujo demora a passar! O melhor de tudo é saber que passa. Demora, mas passa. E então, retomamos o fôlego, enchemos o peito de ar, e mergulhamos novamente nesse oceano belo, grande, imprevisível e misterioso. Viver é mesmo assim. Até os infortúnios são compensação, porque ensinam bastante. Vale a pena.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Coração datilógrafo
Em certos momentos paro e fico pensando nas escritas da minha alma. Digito em minha mente muito disso que passo para esse meu espaço de intimidades. Mas a mente possui uma extensão maior de espaço, tempo e portabilidade. Portanto, até que eu tenha a oportunidade de transcrever tudo isso, muito disso já se foi. É estranho e difícil de compreender. As vezes nem eu mesma entendo alguns desses meus devaneios. O mais importante é saber que não escrevo para leitores, escrevo para mim, por mim e de mim. Talvez essa seja a maior dificuldade de se fazer um livro: o dever de agradar antes ao leitor do que a si mesmo. É um tanto quanto hipócrita, mas bastante compreensível do ponto de vista profissional e nos termos das formalidades de venda, sucesso e atenção do público almejado. Mas o simples fato de ter que ficar pensando nas exigências e métodos de captação de leitores, é o suficiente para inibir meus neorônios escritores. Um de meus maiores prazeres (talvez bastante estranho, por sinal), é entrar em uma livraria bem grande, e viajar folheando livros, sentindo o cheiro das páginas. Acho que já escrevi isso aqui em outra oportunidade. Mas sou o tipo de mulher que troca uma loja de roupas por uma loja de livros. Gosto de me vestir bem, tenho minha tendência consumista desse século insaciável, mas o prazer que sinto em me enfiar no meio de livros não se iguala as demais opções na hora da compra. É uma pena que me falte tempo para ler um pouco mais. É uma pena que me falte tempo para escrever um pouco mais. É isso aí. Enquanto meu coração bater datilografando prosas, e ouvindo o sussurro da alma.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Nostalgia de carnaval
Ainda me lembro deste fim de tarde multi cores. Nada como uma câmera na mão para eternizar essa "beldade" da vida. E cá estou, em um dia de nostalgia, enquanto o Brasil festeja esse tal de carnaval. É que não gosto - e nunca gostei - dessas marchinhas e desses desfiles carnavalescos. Do samba, do axé, dos trios-elétricos e da folia muito menos. Prefiro os programas mais leves, uma música clássica, um MPB, U2, cold Play, um sítio, uma praia, ou minha cama coberta de guloseimas e bons filmes no DVD. Bastante careta por sinal. Mas tudo que que preciso para suprir minha necessidade de satisfação. Não critico, mas não participo. Sempre disse que carnaval é época de ficar em casa. Muita droga, bebida e direção. Mas para quem gosta, desejo um bom divertimento e um retorno seguro para casa. O problema todo são os pontos e o pós cirurgico, que estão me fazendo perder esse sol maravilhoso que está lá fora. Desperdiçar uma boa caminhada seguida de um mergulho gelado, é algo lastimável. Principalmente nesses poucos dias que me restam de "feriado e verão". Agora é ralar, ralar, ralar.
A vida é mesmo assim. Dura, gostosa, cômica. Difícil de entender. Mas ao mesmo tempo simples demais. Esse ano tem sido bom. As vezes penso que tenho vivido o climax de minha trajetória terrestre. Mas sei que ainda terei momentos ruins e outros talvez ainda bem melhores que estes. É que a vida, é como essa janela da fotografia. Surge como uma aquarela de maravilhas, e então nos traz a noite negra depois. E logo, a manhã soberana renasce. A janela que moldou a tela muda de dono, o ângulo de minha sala penetra em um novo ambiente, e agora, já não é altura, nem luz, nem beleza. São árvores, espaço, realização. Faz parte do renovo.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
"Não paute sua vida, nem sua carreira, pelo dinheiro. Ame seu ofício com todo o coração. Persiga fazer o melhor. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência. Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser nem um grande bandido, nem um grande canalha. Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro. E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham, porque sãoincapazes de sonhar. E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma.
A propósito disso, lembro-me de uma passagem extraordinária, que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano.
O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse: - 'Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo.
A propósito disso, lembro-me de uma passagem extraordinária, que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano.
O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse: - 'Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo.
'E ela respondeu:- 'Eu também não'
Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.
Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.
Pense no seu País. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si. Afinal , é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos político gera uma queda de padrão de vida generalizada. Os pobres vivem como bichos, e uma elite brega, sem cultura e sem refinamento, não chegam a viver como homens. Roubam, mas vivem uma vida digna de Odorico Paraguassu.
'Seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito'. É exatamente isso que está escrito na carta de Laudiceia: Seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito, ou seja, é preferível o erro à omissão, o fracasso ao tédio, o escândalo ao vazio. Porque já vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso.
Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido, tendo consciência de que cada homem foi feito para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma revolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar, sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa depossibilidades na outra.
Não use Rider, não dê férias a seus pés. Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: 'eu não disse!', 'eu sabia!'.
Toda família tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa.
Chega dos poetas não publicados. Empresários de mesa de bar.Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.
Eu digo : trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 às 12, de 12 às 8 e mais se for preciso. Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio(que é a morada do demônio) e constrói prodígios.
Toda família tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa.
Chega dos poetas não publicados. Empresários de mesa de bar.Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.
Eu digo : trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 às 12, de 12 às 8 e mais se for preciso. Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio(que é a morada do demônio) e constrói prodígios.
O Brasil, este país de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito o que aprender com aqueles trouxas dos japoneses. Porque aqueles trouxas japoneses, que trabalham de sol a sol, construíram, em menos de 50 anos, a 2ª maior megapotência do planeta.
Enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho.
Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo suavida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo (que é mesmo o senhor darazão) vai bendizer o fruto do seu esforço, e só o trabalho lhe leva aconhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão.
Enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho.
Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo suavida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo (que é mesmo o senhor darazão) vai bendizer o fruto do seu esforço, e só o trabalho lhe leva aconhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão.
E isso se chama SUCESSO.
Nizan Guanaes dono da DM9
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
anestesia geral
Fiquei pensando onde iria nossa mente quando tomamos uma anestesia geral. Esse era meu maior medo, me perder de meu corpo e não encontrá-lo novamente. Perder o controle de meus batimentos, de minha respiração. Fazer uma cirurgia já traz um medo de morte incomparável. Isso é natural do ser humano, por mais simples que seja o procedimento, há sempre a temerosa margem de risco. Mas uma anestesia geral já tem sua fama na praça. Quando estamos ali, deitados em uma cama em um bloco cirúrgico, como se fossemos o próximo abate do açougue, tudo e nada ao mesmo tempo conseguem transcorrer nossos pensamentos. A despedida da vida, súbita e incontrolável, mesmo que no fundo saibamos que estaremos de volta. As lágrimas e a descrença, afiveladas na fé do sucesso que o peito almeja. É um pacote de emoções. E os doutores, sempre sábios e portadores de auto-controle, me disseram que a parte boa da cirurgia é a anestesia geral, quando viram minha repulsa pelo procedimento. "Vai dormir um soninho gostoso, e a parte chata é ser acordada depois". Eles só não sabiam que eu só queria despertar. E eu, inexperiente paciente, não sabia que dormir era a fatia prazeirosa da história toda. Sonhei. Não me lembro com o que, mas lembro-me que sonhei. Acordei com a voz firme me chamando pelo nome. O pós-operatório, doloroso, tem me acompanhado dia-a-dia. É que em uma cirurgia, o medo chega primeiro. Depois descansamos. Depois sofremos. E então, entendemos. Seria bom se pudéssemos nos anestesiar da vida.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Ouvindo
"Porque o ouvido prova as palavras, como o paladar, a comida" Jó (34.3)
Interessante. Se pensarmos na maneira como rejeitamos alimentos de que não gostamos, alimentos perdidos ou estragados e em como os colocamos para fora, saberemos que, as palavras, quando provadas antes de ingeridas, também podem ser cuspidas pelo nosso ouvido. O problema é que quase sempre desprezamos nossa capacidade de filtrar o que ouvimos, e assim, contaminamos nosso corpo com toda essa podridão que circula como ondas sonoras.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Vou viver
Não quero me despedir da vida.
Não agora.
Não vou.
Não é hora.
A hora é de limpar a casa e arrumar.
É hora de lutar.
É hora de prosseguir.
Que Deus me abençoe.
Me perdoe.
Estou no apse de minha biografia.
Vou apreciar, amar, conquistar, viver.
E depois, só depois, me despedirei.
Não agora.
Não vou.
Não é hora.
A hora é de limpar a casa e arrumar.
É hora de lutar.
É hora de prosseguir.
Que Deus me abençoe.
Me perdoe.
Estou no apse de minha biografia.
Vou apreciar, amar, conquistar, viver.
E depois, só depois, me despedirei.
Assinar:
Comentários (Atom)

