Queria que a vida fosse um folha de papel em branco.
Queria rabiscar meus sonhos, desenhar desejos, escrever anseios.
Queria jogar fora o erro e desembrulhar o íntimo de meus calafrios dessa caixa de imaginações. Queria apenas editar meus pensamentos sem deixar as marcas dessa história inapagável.
Queria picotar as mágoas, colorir a angústia, amassar as caretices dessa rotina sem dobras.
Queria fazer de mim um conto escrito, uma crônica revista, em sua impecável possibilidade de ser corrigida.
Queria transformar minha alma em letras para que um dia, alguém em algum acaso, lesse as entrelinhas de meu coração, e me fizesse em um segundo parte de seus pensamentos.
domingo, 30 de agosto de 2009
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Transitoriedade infeliz
A modernização e o avanço das possibilidades medicinais e tecnológicas são realmente assustadoras. Não sabemos mais até onde o ser humano é capaz de chegar. Existe algum apse que delimite um linha final, ou estaremos infinitamente aptos à evolução?
Penso, nos anos 80 ou 90, e os comparo aos atuais anos 2000. Apesar de não serem períodos relativamente tão distantes, esses anos que se passaram foram uma ponte de transitoriedades incríveis. Já não existem mais aqueles discos enormes de vinil, e ainda ontem me vi pensando na precariedade de um disqueman que estava na bolsa de uma colega. Hoje as músicas são feitas em uma caixinha pequena, em formatos compactos, e nessa caixinha cabem milhares dessas canções. Isso é realmente parte da capacidade que temos e desenvolver nossa estrutura de conhecimento, de expandir essas possibilidades de atingir uma comodidade insaciável. Talvez porque nossa raça seja insaciável. Nossa busca pelas melhores maneiras, pelos melhores remédios, pelo meio de transporte mais seguro que também seja hiperveloz.
Somos mutantes incasáveis, que possuem uma metamorfóse sem fim. Porque nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos sempre em busca de uma satisfação indecifrável e por mais que existam cientistas da tecnologia, médicos, biomédicos, mestres e professores, será sempre impossível distinguir as linhas que consigam delimitar essa abstrata felicidade de viver.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
"Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: "Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?". Tudo a mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas
construídas sobre a arte de conversar" (Nietzsche)
A velhice não seria relativamente tão distante, se o ato de conversar não envolvesse necessariamente dois seres humanos. E se o fato de sentir prazer nessa conversa não complicasse ainda mais esse trajeto até a idade madura.
juju
construídas sobre a arte de conversar" (Nietzsche)
A velhice não seria relativamente tão distante, se o ato de conversar não envolvesse necessariamente dois seres humanos. E se o fato de sentir prazer nessa conversa não complicasse ainda mais esse trajeto até a idade madura.
juju
Sonhei
Um dia sonhei. Como toda menina embrulhei minha boneca em um manto cor-de-rosa e amamentei com meus brinquedinhos fictícios. Chorei o choro da infância, sorri a felicidade pura da vida.
Um dia sonhei. Como toda adolescente desenhei corações em papéis de pão ou no guardanapo da lanchonete da esquina. Chorei o choro dos apaixonados, sorri a felicidade da juventude.
Um dia sonhei. Como todo adulto atingi alguns objetivos básicos da vida: me casei, trabalhei, estudei, tive um filho. Chorei o choro da saudade da infância, das lembranças do amores adolescentes e também o choro da frustração feminina. Sorri por ter aprendido, sorri pelas conquistas que tive e também pela serenidade.
Um dia sonhei. Acordei. Chorei o choro da realidade. Não mais consegui sorrir.
Um dia sonhei. Como toda adolescente desenhei corações em papéis de pão ou no guardanapo da lanchonete da esquina. Chorei o choro dos apaixonados, sorri a felicidade da juventude.
Um dia sonhei. Como todo adulto atingi alguns objetivos básicos da vida: me casei, trabalhei, estudei, tive um filho. Chorei o choro da saudade da infância, das lembranças do amores adolescentes e também o choro da frustração feminina. Sorri por ter aprendido, sorri pelas conquistas que tive e também pela serenidade.
Um dia sonhei. Acordei. Chorei o choro da realidade. Não mais consegui sorrir.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Mulher moderna
Hoje minha filha andou, eu não estava lá para ver. É que estava ocupada demais com meus afazeres trabalhistas. Não sou daquela época em que a velha Amélia cuidava da casa, da comida e dos filhos. Sou da época em que as mulheres (muitas delas) trabalham, estudam e não veêm os filhos darem seus primeiros passos. A mulher que sou, passa nada mais que 45 minutos ao lado da filha de um ano, mais o domingo, que é o dia (único dia) que se passa com a família.
O tempo tem passado e os minutos preciosos tem sido levados pelas ondas que buscam os retalhos da areia. Misturam-se junto ao infinito caminho da vida, onde não se pode encontrar.
Hoje foi mais um dia daqueles, aqueles dias em que nada se quer e tudo se deseja ter.
Minha postura de mulher moderna, faz de mim uma casca dura de miolo mole. Sou a rígida gerente, a esposa cabeça, a mãe ausente e a essência da fragilidade feminina.
Juju
sábado, 15 de agosto de 2009
Ordem Natural
Quando o sol já corre a se esconder e a noite já se faz sentir...
Aparecem os velhos temores, coração precisa resistir...
Não se mata a sede de viver...
O futuro nunca vai ter fim...
Nem que seja o sonho dos poetas tudo aquilo que restou pra mim
e que me conduz...
De repente vem uma canção qualquer e logo nos seduz...
E a verdade que ninguém podia ver surge a olhos nus...
Mas nem tudo é como agente quer, esse mundo não foi feito assim...
Desprezamos todos os valores, nem sabemos mais o que é ruim...
Então siga logo quem souber o caminho para ser feliz...
É viagem pra quem não tem pressa...
O destino de quem sempre quis ter alguma luz...
De repente vem uma canção qualquer e logo nos conduz...
E a verdade que ninguém podia ver surge a olhos nus...
Com a ordem natural das coisas...
Pelo menos aprendi...
Foi a ordem natural das coisas que me trouxe até aqui...
Rodrigo Sater
Aparecem os velhos temores, coração precisa resistir...
Não se mata a sede de viver...
O futuro nunca vai ter fim...
Nem que seja o sonho dos poetas tudo aquilo que restou pra mim
e que me conduz...
De repente vem uma canção qualquer e logo nos seduz...
E a verdade que ninguém podia ver surge a olhos nus...
Mas nem tudo é como agente quer, esse mundo não foi feito assim...
Desprezamos todos os valores, nem sabemos mais o que é ruim...
Então siga logo quem souber o caminho para ser feliz...
É viagem pra quem não tem pressa...
O destino de quem sempre quis ter alguma luz...
De repente vem uma canção qualquer e logo nos conduz...
E a verdade que ninguém podia ver surge a olhos nus...
Com a ordem natural das coisas...
Pelo menos aprendi...
Foi a ordem natural das coisas que me trouxe até aqui...
Rodrigo Sater
sábado, 8 de agosto de 2009
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Abraço da vida
Hoje, minha vida já não me parece tão curta e talvez nem tão longa também. Tudo o que sei, é que muito já vivi e ainda quase nada aprendi.
Sei que já briguei com amigas e também fiz as pazes. Já escolhi o cara errado, o grupo errado na escola (muitos pontos já perdi com isso). Nesse muito quase nada que vivi já descobri a paixão em excesso, o amor na medida e o desapego em suficiente proporção.
Em minha vida conheci pessoas boas, muitas delas boas mais do era preciso. Já conheci a inveja, a luxúria e a frieza de espírito. Já vivi momentos inesquecíveis, conheci lugares inimágináveis.
Já passei pelas ondas do oceano, já misturei-me entre as nuvens brancas e negras, entre os raios fúlgidos e as gotas tempestuosas. Já abri meus braços na proa de um navio com meu Leonardo Di Caprio, já estive na mais vasta paz em uma casinha tranquila onde ninguém me poderia achar, já conheci o mar e montanha, metrópoles e povoados.
Já vivi muita, muita dor. Já tive raiva da mãe, do pai, dos irmãos e dos avós. Mas também já chorei de saudade, já enfrentei quem os enfretou.
Hoje recebo o abraço desses 24 anos - quase bodas de vida. E me deixo abraçar também. Porque esse bocado escasso que já vivi - e que deixei de viver - tem se ajuntado em um ratalho de reflexões.
Nessa estrada que percorro, não sei em que pé estou. Talvez já na metade, talvez no começo de uma jornada que me guarda longos passos, ou quem sabe esse tiquinho de nada seja um todo em sua reta final.
Só sei, que nesses braços da vida, pude conhecer desde o reto ao ladrão. Conheci pessoas ricas, pessoas pobres, milionários e miseráveis. Conheci sentimentos tão requintados como o fino ouro e de todos eles o mais puro e incondicional, há um ano e dois meses, gerei em meu próprio ventre.
Descobri que talvez, se nós adultos sorríssemos como minha filha faz minutos após ser chingada, talvez milhões de mortes teriam sidos evitadas e que a tragédia que nos cerca faz parte da medilcridade que trazemos conosco.
Aprendi que o tempo passa e que se não jogarmos água sobre o rosto todos os dias, somos tragados por nossa própria acomodação. Percebi que é preciso agir enquanto somos jovens e que o tempo jovem começa quando nascemos e termina quando acabam nossos sonhos.
Muito já esperei da vida e das pessoas. Hoje, com um pouco mais de realismo e um tanto menos de utopia, resolvi que na vida não é preciso tanto e é preciso cada vez mais. Porque não existe receita para a felicidade nem medidas que nos consiga satisfazer.
É preciso apenas viver os momentos, como se fossem sempre o último segundo de realização.
Decidi não abrir mão das oportunidades e lutar por cada um de meus sonhos. Porque enquanto não vier as chuvas ainda é tempo de construir.
Há quem me deseje mal e quem me deseje bem.
Há quem nada pense sobre mim.
Há quem tenha me parabenizado ou me presenteado.
Há também quem me desejou muitos anos de vida.
A mim, basta apenas o suficiente.
juju
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Navegar é preciso.
Viver não é preciso.
Fernando Pessoa
Viver não é preciso.
Fernando Pessoa
O mais interessante disso tudo é a maneira como interpretamos os significados. A precisão, da vida, ou da navegação, não passam da proporção desse "exato" que recebemos de ambas as partes. No mais simples desse sentido dúbio, é o fato de sabermos que um marinheiro tem consigo uma bússola, enquanto a existência, incerta, não consegue nos orientar.
juju
sábado, 1 de agosto de 2009
Não mais quero
Penso que a vida poderia ser melhor, penso que meu espaço poderia ser maior, penso no diferente que se tornou padrão. Penso no que tenho feito nessa composição sem fim, disso tudo que muito pouco consegue nos satisfazer. Olho ao meu redor e vejo os caixotes desse passado que tão somente é uma peça descoberta desse quebra-cabeça que ocupa nossas mentes a cada nova manhã.
Somos desbravadores curiosos e desencorajados pelas escolhas erradas que nós mesmos fizemos um dia. Somos guerreiros do desleixo e da inutilidade humana que já não se preocupa mais com sua participação nas consequências universais.
Hoje me atribuo a possibilidade de novos erros dessa continuidade de impaciência tola, simplesmente pela ânsia desse pouco, quase de nada, de prazer.
Hoje escrevo as crifras de um roteiro louco, como um locutor sem pauta, como um marinheiro que navega sobre as ondas sem os pontos cardeais.
Minha alma briga entre o ímpeto desejo dessa vontade de lançar-me na insanidade das paixões jovens do coração, quando minha mente me obriga a caminhar pelo sereno trajeto dessa rotineira estrada.
Levo-me pelo ringue dos sentimentos como alguém que apenas quer não mais querer.
juju
Assinar:
Comentários (Atom)

