quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Adeus, 2009

Último dia do ano. Muita chuva. Minha filha adoecida, os olhinhos caídos, duas noites mal dormidas. Uma dor de cabeça tremenda. Nada de grandes expectativas para essa noite. Mas ta aí, valeu a pena. Tudo na vida vale a pena, desde que tenha sido vivido. Inclusive as coisas ruins. O pior de tudo é ficar na espreita, observando a vida. Sei que essa frase é rotineira, mas o ano passou mais depressa que todos os outros. E acredito que os próximos também passarão, porque é sempre assim. Vivemos nessa sensação intensa de que tudo se foi ainda mais rápido, quando na verdade são os mesmos 12 meses a cada novo ano. Fico aqui pensando, que amanhã será 2010 e ainda não consigo me agarrar a toda esse sentimento de renovação. Vejo as pessoas pra lá e pra cá, comprando suas apostas da mega sena acumulada, afinal, só temos mais 2h para isso e como todo bom brasileiro, tudo fica sempre para última hora. Os amigos, os parentes, os colegas de trabalho, todos fazendo sua fezinha. Uma chance em quase 2 milhões de apostas. Acho que 2 reais é muito dinheiro para uma porcentagem dessas. Ou talvez seja muito dinheiro para tão pouca fé. Não perco meu tempo, nem meu dinheiro. Acho que esse ano estou mais pé nó chão, mais realista, mais racional. Talvez seja bom, talvez não. Mas quero fazer, ao invés de sonhar. Não quero mais ficar esperando a sorte bater na minha porta, o príncipe me buscar no cavalo branco e a família marinho ou o bispo Edir Macedo vir aqui me convidar para ser âncora de uma emissora de televisão. Quero estudar mais, batalhar mais, tentar mais. Hoje para mim é um dia de desabafo mais que um dia de comemoração. 2009 não foi um ano de grandes conquistas. Não posso generalizar, mas de um todo, não foi. Foi um ano de bons momentos e poucas obras. E essa é a parte boa do novo ano: lá no fundo do nosso peito temos sempre a sensação de que tudo será diferente. Só não quero me encher, quero deixar acontecer. Não quero estourar fogos, quero bater as pedras na alma, até que as faíscas acendam chamas em mim. Esse novo ano, quero esperar menos da vida. Porque esperando menos, tudo o que vier é mais. E deixando de esperar, irei buscar.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

"O amor jamais morre de morte natural, geralmente morre de sede, porque nos esquecemos da fonte".
Paulo Coelho

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Nuovo anno felice


Novo

O melhor do ano novo, é podermos dar a chance de realmente acreditar que tudo será diferente. É parar por um instante e deixar reviver na memória os momentos inesquecíveis, pegar-se rindo sozinho dos dias especiais, sentir saudade daqueles que passaram em nossas vidas, procurar ao máximo aprender com os erros e não cometê-los outra vez. O bom de tudo isso, é a fé que surge no peito, com toda essa expectativa que nos enche de força e de fôlego. É traçar novos caminhos, consertar-se, acreditar. E caminhar. Porque um novo ano, é uma nova estrada. E uma nova estrada, é sempre um recomeço.
juju

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

2010

"E disse aos seus discípulos: Portanto vos digo: Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis. Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que as vestes.
Consideirais os corvos, que não semeiam, nem segam, nem têm despensa, nem celeiro, e Deus os alimenta; quanto mais valeis vós do que as aves? (...)
Considerai os lírios, como eles crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.
E, se Deus assim veste a erva que hoje está n0 campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?
Não pergunteis, pois, que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos. Porque as nações do mundo, buscam todas essas coisas, mas vosso Pai sabe que precisais delas. Bsucais antes, o Reino de Deus, e todas essas coisas vos serão acrescentadas"
Lucas 24-31

As vezes é preciso se agarrar nessas palavras, sentir conforto, aquietar-se. Não é fácil. Muita coisa não é. Nós não somos fáceis. O melhor que fazemos é olharmos em frente, acreditar. A vida é uma inquietação diária, e complexa. Que pai ou mãe não se preocupa com o melhor para seus filhos? Alguns, talvez. Mas a maioria não. Quando temos filhos, a alegria aumenta, a responsabilidade também. Passamos a ter mais preocupações, a sermos pessoas mais focadas em dinheiro, porque infelizmente, dele provém a boa vida e a abundância aos filhos. E assim, fica mais difícil jogar tudo pro alto, despreocupar-se com os dias que virão. Talvez seja instinto. Passamos a ter motivos para lutar, trabalhar, viver. Tudo o que quero é o melhor dessa vida a minha filha. E talvez por isso Deus tenha deixado palavras como essas acima, nesse livro sábio que se chama bíblia. Porque pais não abandonam filhos, não os deixam passar fome, não os deixam sem vestes. Espero, fervorosamente que em 2010, meu coração se aquiete, minha vida seja bela como os lírios dos campos, meu sustento seja certo como os corvos que não semeiam, mas não se preocupam. Que eu seja filha de Deus para me aconchegar em seus braços. Que tudo se ajeite e o dinheiro aumente sim, porque preciso dele. Que a alegria tome conta de mim. A saúde, o amor e a paz sejam frquentes em mim, minha filha e meu marido. Que não sejam apenas promessas, seja clamor, fé, e que se cumpra, enfim.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Revolta

Alguém pode me explicar uma coisa dessas?
Uma criança que ainda nem começou a viver direito. Há dois anos, apenas, saboreia do ar que respiramos. Tem dado na vida os seus primeiros passos, pronunciado suas primeiras palavras. Não há maldade, não há forças. É apenas um bucado de pureza e sinceridade e já lhe cravaram dezenas de agulhas em todo o corpo. Eis aqui minha indignação. Não há como fingir imparcialidade ou esconder tamanha fúria. Logo eu, que sempre consegui me manter nos eixos, nas mais profundas desgraças que já vi ou ouvi falar. Sempre fui contra essas atitudes insanas de cercar delegacias, criar tumultos, querer agredir suspeitos dos mais bárbaros crimes. Deixem que a justiça os julgue, e que cumpram a pena que lhes for cabido. E que tenham chance de se redimir. Nesse caso não me contento. Desejo, profundamente, que digam sim onde esse ser que se diz humano está encarcerado, e que derrubem as paredes, que lhe apedrejem e lhe façam sentir. Mas que não o matem. Seria doce demais. É bom que o faça sofrer. Não lhe apliquem pena de morte, nem o faça se livrar das garras da sociedade. Se eu mesma pudesse, colocaria em sua pele dez vezes mais o número de agulhas que colocou nessa pequena criança. A meu ver, esse foi um dos piores martírios de que já tomei conhecimento. Nem hitler em sua infinita crueldade se iguala a esse ato despresível. Este, colocava criancinhas em câmaras de gás, e as matava em poucos minutos. O outro, a fez sentir dia-a-dia, o tormento das agulhas adentrando a frágil pele. Até os Nardoni, se culpados, não se comparam a esse monstro que brotou la na Bahia. Jogar criancinhas da janela é assustador, a perda da vida inocente é assombroso. Mas há de se pensar que a morte repentina dói menos que o sacrifício parcial. Tortura. E o pobre, sem poder falar ou expressar tamanha dor. Quem irá retirar esse trauma da alma desse bebê que mal conhece a vida direito? Será que o governo pagará psicólogos e psiquiatras? E se pagasse, resolveria? Não sei que mundo é esse em que vivemos. Mas não consigo imaginar a dor que sentiu esse garotinho, durante 30 longos dias, de seus 2 primeiros anos. É lamentável que existam pessoas assim. É lamentável para esse garoto, ter nascido no meio de pessoas tão selvagens e cruéis. Que DEUS puna cada um dos envolvidos nesse ritual imperdoável. Porque a revolta que existe em nós, seres humanos, é capaz de nos fazer enlouquecer mediante a tanta crueldade. Torço, profundamente por justiça, e que seja lenta, dolorosa e árdua.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Profissão ingrata

A profissão do jornalista é mesmo muito ingrata. Digo isso antes mesmo de ter me formado ou trabalhado nela. Isso é como um casamento errado. Apaixona-se, aí não tem mais jeito. Quando o fato se consuma é mais difícil ainda de se separar. Hoje, após ter gastado uma quantia enorme com estudos, me sinto amedrontada a largar essa união e partir para outra. É assim que funciona em um relacionamento falido. Os investimentos de tempo, sentimento e dinheiro são superiores a falta de expectativas de um futuro promissor. O problema todo, é que me deixei levar por essa paixão doentia que sinto por essa profissão inválida. Sim, uma profissão sem mobilidade, sem sustento. Ceguei-me por minha fragilidade humana: deixar levar-se pelos anseios do coração. Não há como negar a beleza de ser um jornalista. Escrever, reportar a vida, relatar os fatos, ser justo e imparcial. O simples fato do dia-a-dia desigual e incomum, de visitar acidentes e eventos, subir favelas e palanques. Ser fiscal da vida. Tudo teoricamente esplêndido e incomparável. O jornalismo é uma profissão que - na maioria dos casos - é escolhida por amantes fiéis, pessoas cheias de entusiasmo com a escrita, atualidades e com a comunicação. Mas é refém de um mercado fechado. Não há vagas de emprego, a procura é maior que a oferta. Tudo o que encontra-se são pequenos grupos, que contratam mais por pistolão que por competência. E os que se encaixam pelo mérito exclusivo, tem uma pitada de sorte na vida. E para quem tem filho, casa, marido, tudo isso passa a ser utópico demais para ser vivido. Começo a decepcionar-me com o jornalismo, como a esposa que tem para si aquilo que jamais sonhou. Tudo o que sei, é que começo a olhar ao meu redor, a procurar novas portas. Quero uma profissão valorizada, que me atribua valor. O pesar que tenho, é que o tempo passa. Continua passando. E já passou um bucado, enquanto me perdia de amores jornalísticos.
Juju

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Recordando

Vamos embora capitão! A bela Ilha Bela nos espera. O belo mar com sua orquestra de ondas. Vamos logo, antes que o sol se vá. As sirenes do navio já nos chama, é momento de embarcar. Chega de melancolia. Chega de tamanha nostalgia. Hoje me permiti relembrar. As fotos me ajudam bastante. Vamos embora marujo! Vamos nessa busca infinda de alcançar o tempo, porque a vida passa. Como os bons momentos que não voltam mais. Ficam-se as belas Ilhas Belas, vão-se os barcos e seus tripulantes. E as viagens também. Restam-nos os gostosos devaneios.

Sim, a vida é mesmo uma arte de engolir sapos.


Querendo

Queria que tudo fosse diferente. Queria ser diferente. Queria morar em lugar diferente, trabalhar em lugar diferente. Queria escrever, mas trabalho com contas. Queria quadrado veio redondo, queria menino, tive menina, queria mineiro, me casei com baiano. Hoje quis arroz, comi sanduíche, ontem quis de cebola, comi original. Queria descansar, mas ainda estou exausta, queria brincar com minha pequena, mas estou sem clima. Queria dormir mas estou no computador, queria gritar e novamente engoli. Queria chingar e aguentei calada, queria explodir mas ainda não acendi a pólvora. Queria ir embora, mas estou aqui. Queria não querer o que quero, mas continuo querendo o que a vida não quer para mim.
Juju

sábado, 5 de dezembro de 2009

Não me atrevo

Hoje fui tomada por uma dose imensa de desânimo. Como se espetassem uma agulha da mais pontiaguda em mim e sugassem boa parte do meu sangue. Estou, ainda, com aquela sensação de fraqueza no corpo e vertigem na mente. Não, nada de grave aconteceu. Apenas um fiasco de chateação. Um pouco de sono a mais e um bucado de sonhos a menos. Sinto, como se tudo não cooperasse para meu bem - talvez porque eu não ame a Deus. A verdade é que não amo mesmo. Porque se amasse, não faria muitas das coisas que faço - e deixo de fazer. Muitos não o amam, apenas não sabem disso - ou não admitem. Tudo o que sinto em relação a Deus, é que Este é muito puro e muito grande, para que tenhamos a coragem de pedir qualquer coisa que seja, quando não fazemos um mero esforço para merecê-lo. Trago um imenso temor, e por isso prefiro estar aqui, observando, escrevendo, simplesmente, ainda, viva. O problema todo não é Deus. Nunca O culpei de nada, nem pelos indesejáveis acidentes, nem pelas tristes desgraças da vida. É que nada que nos cerca, acontece senão por nós mesmos. Tudo aquilo de maléfico que há no mundo não ocorre por nada mais além de nossas próprias atitudes. E Deus, não tem nada com isso. Ele está lá, sentado, observando essa confusão toda que acontece aqui em baixo. E por que não se manifesta? Porque não merecemos. Ele é justiça, antes de ser amor. Por isso não O cobro, não levanto minhas mãos e meus olhos para o céu para me indignar com nada. Até a absorvição carece que passemos a não cometer mais os mesmos erros. Por que me atreveria?
Juju

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Coração de mãe

Ser mãe é mesmo uma coisa engraçada. Nunca me imaginei, parando no meio da rua e olhando admirada para uma menininha que passa, e que jamais vi em toda a minha vida. É que desde que tive minha filha, não posso mais ver menininhas caminhando por aí. Pareço uma boba, que nunca viu criança antes. E sempre bate aquela saudade maluca, uma vontade doida de correr e abraçar meu pequeno tesouro. E então, no meio do expediente, abro minha agenda e me deparo com sua foto. Uma bebezinha linda, sorridente, que vem crescendo desenfreadamente. E quando vejo, já me perdi nessa viagem materna, nas lembranças de cada momentinho com ela. E as lágrimas brotam, os sentimentos apertam. Já nem sei mais o que estava fazendo.
Bem que dizem, que só mãe pra entender um sentimento de mãe. É que é algo tão grande, tão incalculável, que não há como descrever. Toda essa ansiedade que carrego comigo, de chegar em casa o mais breve possível, só para vê-la caminhando, com aqueles passos atrapalhados, e o sorriso alegre de me ver. Tudo isso é que me faz viver. Tudo isso é que me faz querer. E apesar de sentir, ainda não consigo entender. Coração de mãe é um baú de mistérios. E jóias.
juju

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

domingo, 29 de novembro de 2009

Não sei

Eu não sei o que me aprisiona mais, se é o medo da sociedade ou o medo que sinto de minha incapacidade de vencer meus medos pessoais. Tudo o que sei, é que me aprisiono nessa infelicidade inérte, que não parte nem se arrebenta, pelo contrário, se expande cada vez que piora um pouco mais. É que um dia sonhei. E sonho ainda, muito. E quanto mais sonho, quanto mais peço, quanto mais falo, mais os passos se afastam e me fazem ser um pouco mais sonhadora, um pouco menos realista. O mal de tudo isso, é que meus sonhos me alimentam de coragem, e me retiram o prazer das vivências da realidade que sonhei para mim. Nem eu mesma sei o que digo, o que escrevo, o que sinto. Tudo o que sei é que não o tenho. E o quero. E também, não quero mais.
juju

sábado, 28 de novembro de 2009

Ódio

"Finalmente, o ódio que julgas ser a antítese do amor, não é senao, o próprio amor que adoeceu gravemente". Já dizia Francisco Xavier. E nada tão certo e verdadeiro. Não é atoa que dizem que o ódio e o amor andam próximos, e a verdadeira maneira de demonstrar o desamor é através da indiferença. O ódio é como uma ferida, que começa pequena e se expande, perdendo o controle. De fato, apenas um amor ferido, machucado, nos faz querer gritar, esmurrar, apedrejar esse alguém que nos fez adoecer com tanta gravidade. O ódio não se cala, não renega, não despreza. O ódio quer ser ouvido, quer punir, que desabafar a dor que sua doença o faz sentir diariamente. Um coração ferido não se aquieta. O amor? Talvez exista, mas não sobreviva mais. Talvez não supere a doença que o aflije, e morra. Talvez já não grite, nem denuncie ao mundo que um dia sequer existiu. Talvez, um dia, se torne frio, indiferente, quieto e congelado, como a pedra que não se move, não se exalta e não sente também.
juju

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Suportando

Não tá fácil não. O que me tranquiliza é saber que tudo passa. O vento sopra, as migalhas se dissipam. O que não podemos é desanimar, nos deixar abater, prostrarmos em nosso próprio sofrimento. O sofrer é algo que deve se manter guardado, escondido da vida. Não podemos deixar que nossa dor invada nossos poros e se reflita em nossa face. Nossa imagem é nossa carta de apresentação. O mundo não escolhe rostos desfigurados, mentes abatidas. É preciso ter um coração forte, independente e resolvido. É preciso que a dor, o sofrimento e a angústia, se aconcheguem no divã da nossa alma. Temos de ser psicólogos também. É necessário dominar a explosão que aquece o peito, jogar uma porção de água fria no rosto, levantar-se. E então, após nos vestirmos da roupa camuflada da guerra, nos armamos de coragem e fé. É que esta última, imprescindível, é que nos ajuda a nos manter de pé. Não importa em que acreditamos. O mais importante de tudo é nos agarrarmos firmemente em nossos sonhos, e vivermos para eles. Porque mesmo que estejam longe, ou simplesmente não possam ser alcançados, o sentido que nos faz ter, é que nos permite suportar.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Além do normal

Aqui estou, nessa instabilidade humana de praxe. Um dia bem, no outro nem tanto.
Tem dia que acordo arrojada de objetivos, e no outro, me vejo exausta e sem perspectivas.
É que o mundo, as vezes, pesa bastante. Essa correria diária, essa calculadora que me faz retirar daqui para suprir ali, essa ânsia pelo melhor que nunca está ao alcance, tudo isso, e muito mais, são toneladas que se agrupam sobre as costas. A educação da filha, meus estudos, meu trabalho, minha fé. Tudo um pouco, em sua necessidade específica, exige um tanto de mim. E no final das contas, vai se o sumo, fica-se o bagaço, murcho e sem sabor. É por isso que somos feito malabaristas, equilibramo-nos para lá e para cá, nesse barbante de problemas e soluções. Tentamos resolver os problemas, encontrar soluções, e ainda temos de nos manter estáveis, aptos a conviver na sociedade, no comercio, na selva. É preciso sorrir, conversar, pensar, planejar, conviver. É preciso ser ator, ser maestro, ser mestre e aprendiz. É preciso ser normal. E além disso também.
Juju

terça-feira, 10 de novembro de 2009


Oceano

A vida é mesmo esse mar de ressacas e maresias. Existem dias que somos a fúria e a bravura, a força e a veneração. E então somos mansos e desanimados, tão murchos e sem vontade alguma que nem assusta nem faz ninguém querer. Não temos bússolas, nem somos marujos. Somos as ondas que batem firmes, como o assombro do peito, não se sabe quando nos trará o ímpeto do silêncio que não se quer ouvir. Somos indomáveis, imensuráveis. Há os que têm sujeira, há os que fabricam pérolas, há os que se transbordam nas cores das espécies e os que se sublimam para mostrar ao mundo a ternura dos corais. Mas de tudo, somos sempre essa imensidão de mistério: não se sabe o que se guarda nem a distancia que carrega no ínfimo de suas entranhas. No final, seremos nós e o fogo, e há de se saber a força que possuem essas águas da vida. Porque um dia, nos submergiremos nos moinhos dessas ondas, e nos misturaremos em nossa própria criação. Ficarão o céu e a terra. E o oceano na mudez de sua magnitude.

juju

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A vida continua

O que mais me espanta nisso tudo é essa mania desgraçada que temos de procurar cabelo em ovo. Quando não estamos demasiadamente preocupados em encontrar problemas onde não deveria ter, estamos enfiados numa busca maldita por um amor que jamais existiu. E isso não é amargura, nem excesso de negatividade. Isso é uma pitada de realismo. É que quando a casa cai que percebemos que a madeira estava podre e não poderia se sustentar. Então, argamassa na pá e gente pro trabalho árduo, porque a batalha é longa e quem não quer ficar sem teto precisa de um recomeço breve. Os mais importante é o aprendizado e a maturidade, que o tempo não apaga, mas acrescenta. Há a tristeza que parte, as lembranças que ficam, os filhos que ninguém tira. Há os sonhos que ressurgem, os planos que se transformam, e a vida, que continua.
juju

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Alexandre

Alexandre é um cara engraçado. Não que seja "piadista", humorista ou comediante. Sua graça vem de suas atitudes um tanto quanto desresgradas e incomuns. Não, Alexandre não tem o cabelo rosa, não usa trajes diferentes nem possui gestos estapafúrdios. Alexandre trabalha, tem mãe e tem casa. É um cara como qualquer um desses que se encontra por aí. A sutil diferença aparece no descompromisso com a vida, na falta de zêlo com toda essa normalidade que tem. Não te importa acordar mais cedo, ou mais tarde, ou fantasiar histórias como o famoso "mundo do Bob". As pessoas acham graça de toda essa desgraça que se torna tudo isso. É que o Alexandre, muito pouco preocupado, vende tudo, tudo mesmo da casa e da mãe quando precisa de um troco qualquer. Não, ele não é drogado. Tudo isso é parte dessa despreocupação que tem com a vida, e claro, com as formalidades. Alexandre manda flores para as balconistas do banco, se engraça com as gerentes bonitas, e faz de seu cargo de office boy um roteiro de guia turístico. Já tentaram o subir de cargo, mas não adiantou. É que o Alexandre, muito esperto, prefere passear pelas ruas da capital. Outro dia ouvi um - dos muitos - comentários sobre esse cara que trabalha, mas nada quer com a dureza. E me manifestei - bastante indignada - pela fama que tem de vagabundo e pelo futuro que jamais terá. A diferença, disse, é que o Alexandre dá trabalho para a vida, enquanto nós trabalhamos para viver.
juju

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Razões

Por muitas vezes sofri mais pela mágoa que guardo do que pelo rancor que guardam contra mim. É que a felicidade do perdão que concedo é maior que o alívio do perdoar que recebo de quem um dia me odiou.
Muita das vezes não sabemos o quanto pode ser simples um momento de alegria, porque colocamos sobre o outro toda a nossa responsabilidade de realização.
Hoje queria muito uma ducha bem fria e uma cama bastante aconchegante, apesar de saber que o dia em estiver completamente disponível, me sentirei ainda insatisfeita pela falta de algo útil para fazer.
Não sei quando nem como aprenderemos a ter um pouco de contentamento. Mas sei, que essa busca incessante que nos rege, é que nos faz acordar todos os dias e enfrentar nossas próprias limitações. Porque na vida, nem sempre é preciso mais do que temos a oferecer, quase sempre é preciso apenas que existam razões.
juju

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Definitivo (Carlos Drummond de Andrade)

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento,perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...
(Drummond)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009


Novo ano

A cada findar de um ano há uma renovação de expectativas. E é isso que mantém o mundo. Seria muito difícil se não participassemos desse espírito de recomeço, dessa sensação de melhorias e superação. Porque é isso que um novo ano nos traz: esperança. E as vezes o acreditar, por si só, já é suficiente para nos fazer vencer, mesmo que essa conquista seja simplesmente contra nossos próprios medos. E então criamos metas, empenhamo-nos em buscas dos planos, cansamo-nos, e somos supreendidos com o renascer de mais uma virada, de vida, de sonhos, de ano.
juju

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Procurando estágio

O mercado de trabalho é uma coisa engraçada. Não se sabe a quem procurar ou o que irá encontrar. Há muito vejo, como gerente, a procura incesante por profissionais qualificados. Sempre pensei que o alto índice de desemprego era uma simples consequência da falta de bons profissionais. Hoje, na metade do meu curso de jornalismo, tenho começado a pensar que o mercado é tão exigente quanto os cadidatos são despreparados. A dificuldade é em igual proporção: a procura pelo emprego e empregado. A diferença é que sempre fui "contratante" e agora estou na fila dos contratados. Começo a notar que as necessidades de qualificação são específicas, e por isso a dificuldade. A empresa ou o cargo exigem com tamanha peculiaridade aquela "pecinha" para se encaixar nesta figura simétrica dos processos operacionais. E muitas não se dipõem a lapidarem seus candidatos, por motivo de tempo e - claro - dinheiro. Contraditóriamente hoje, não entrevistarei para as vagas da empresa que gerencio. Estou a procura de uma entrevista, que me permita uma chance de fazer valer essas prosas, de maneira informativa, investigativa ou siplesmente de maneira estagiária e jornalistica.
juju

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Minha alma sorri

Cá estou, nesse momento que me satisfaz de maneira inigualável. Para meus blogueiros, não há de ser novidade: escrever é o fascínio que faz minha alma sorrir. É pena que o tempo não me permita navegar entre as letras, como um marinheiro que veleja sem data de retorno ao lar. Ah! E chegará o dia em que construirei uma cabana no campo, ou uma casinha diante do mar, e me regozijarei na leitura e na escrita, e passarei meus dias - todos eles - mergulhada nessas cócegas de minha vida. E então serei eu e as prosas. Deixarei minha alma falar.
Juju

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Divino

Hoje estive pensando nessas complicações eventuais da vida e em como Deus - para quem acredita - deve se entristecer com essa criação frustrada da sublimação humana. É que é tudo assim, tão distante desses preceitos mágicos de família, amor e união, que já nem sei mais se já comprovei de maneira ininterrupta, algum desses valores de vida. A complexidade com que criamos nossos próprios desaventos não pode ser compreendida por mim. Gostaria de algum dia entender o porquê dessa simplicidade que se manifesta nos mais incompreensíveis desamores. E então, talvez, resolver esses conflitos internos - e externos - e compartilhar um pedaço desse "eu" desconhecido, que é tão frágil quanto a camada fina do ovo, e tão sentimental, que inundaria uma galaxia com a divindade que se tentou fazer, mas não deixou de existir.
juju

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Brigando com o tempo


Às vezes me vejo brigando com o tempo. Brigo, brigo tanto que já nem sei mais se brigo contra ele ou por ele. É que quando menos espero, já estou aqui bisbilhotando o que já não tenho mais. Meu bebê de colo, meu recém-nascido; aquele pacotinho cor-de-rosa que carreguei em meus braços e que me dizia que nada seria como antes. Esses momentos curtos, mas incomparavelmente preciosos, que se passam como se fossem um sorvete que se derrete ao sol. E já não há o que o faça reviver. E o mais engraçado, é que sinto falta, até dos momentos que não pude partilhar. Das tardes que passo no trabalho, enquanto minha filha se absorve desse mundo sem que eu possa ensinar. Dos sorrisos que não vi, dos primeiros passos que não presenciei. É quando me perco, nesses problemas de gente grande, e contraditóriamente me vejo implorando que tudo passe, que os anos corram e que me reguem de maturidade. Queria que o tempo parasse, e me deixasse desfrutar um pouco mais. Queria que o tempo passasse, e meu deixasse sobreviver à fúria que me tentar derrubar. Se vencesse esse tempo que passa, teria que brigar com o tempo que se foi. Se vencesse o tempo que vai, teria que brigar com o problema que ficou.
Juju

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Respeito

Não abram as minhas portas, quando estiverem fechadas.
Não entrem no meu espaço, enquanto a mim pertencer.
Respeitar é a dádiva da vida. Com respeito não há guerras, não há lamúrias nem discussões.
Não tentem penetrar meus pensamentos, enquanto forem meus. Não tentem planejar meus planos, enquanto eu os puder sonhar.
Me permita viver, nem que seja sem qualquer favor, porque até mesmo o ônus da carga, também, a mim pertence ainda.

No seu quadrado

A ironia, a poesia e a arte são maneiras de cantarolar dissimuladamente.
E então a gente finge que acredita, se deixa levar, se enraivesse e ""esquece"".
É que nada há, e seria bem mais fácil suportar, cada qual em seu lugar, cada vida em seu espaço, e cada um - no seu quadrado.
juju

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Pintando a vida

Vamos então à prosa de hoje. Proseando e celebrando essa arte que é a vida. Sim, porque para arte não há definição: ela simplesmente existe. E a vida, assim como a arte é inexplicável e sem sentido algum. Talvez até tenha algum sentido ou qualquer mera importância que seja. Mas tudo isso varia de acordo com seu entendedor.
A vida é uma tela branca com centenas de milhares de pincéis e mãos. Nós, como artistas, temos e não temos o valor que nos é proporcional. Alguns vivem por todo tempo no anonimato. Outros se destacam, mesmo quando nada se tem a dizer.
E então, os encontros tecem a história enigmática - quem haverá de decifrá-la?
Ou quando haverei de entender...
Juju

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Desligando

Procuro a tomada que me liga ao mundo. Queria desliga-la. Apagar-me da vida, esquecer-me das pessoas, não saber das notícias, não envelhecer. Quero muito surrupar esse interruptor que me mantém ligada. Queria me esquecer por um tempo, talvez um mês ou dois, e porquê não, quem sabe, um ano inteiro. E então renasceria, com as forças renovadas, com o coração refeito, com a mente reavivada. Queria induzir-me a um coma temporário. Não quero ver terrmotos, nem tsunames. Não quero ver crianças mortas nas capas dos jornais nem os assaltos dos noticiários. Não quero mais brigar, nem sofrer, nem trabalhar, nem estudar. Não quero enfrentar o trânsito, não quero enfrentar a mim mesma. Tudo, apenas tudo o que quero, é não estar aqui para não querer. E ressurgir.

domingo, 27 de setembro de 2009


Tantinho para mim

Será que alguém tem um tantinho para mim?
Um tantinho de paz.
Um tantinho de amor.
Um tantinho de felicidade.
Um tantinho de fé.
Um tantinho assim!

Juju

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Palavras mudas

Hoje, queria mergulhar profundamente em meus pensamentos, me submerger nesse oceano de mistérios que sou. Queria me trancar no escuro dessa mente que não descansa, entre esse vaí-vem dessa voz que emudeceu. Queria me calar. Me enterrar nesse silêncio profundo da alma onde não há restrições nem censuras. Aqui é meu campo livre de elogios e insultos, de lástimas e egocentrismo. Não há quem me escute, não há quem me desfrute, não há quem critique também. Sou tudo isso e um pouco mais, que de tanto tentar descobriu a nobreza das palavras surdas, a tristeza dessa manifestação particular.
Hoje, queria escrever meu coração. Fotografá-lo, captura-lo. Refazê-lo, talvez.
Juju

sexta-feira, 18 de setembro de 2009


Jornalismo

Hoje me peguei pensando no porquê da minha decisão de ser jornalista. Me culpo, às vezes, por essa escolha dificilmente lucrativa e aparentemente tão difícil de se ingressar (no mercado de trabalh0). Mas como negar o sangue que pulsa pelas notícias e se esquenta quando escreve? Como explicar o impulso incontrolável de entrar em uma livraria ao invés de uma joalheria? As letras das capas coloridas brilham mais que o ouro refinado da vitrine ao lado. E as vezes me pego lamentando por essa paixão que tenho, que pode me fazer acabar rodeada de livros amarelados em um sobrado simples, apenas pelo desejo imenso de viver esse quase nada que para mim é tudo. Fama? Quem não quer! Não há como negar a vontade - talvez utópica, mas jamais impossível - de ser uma Fátima Bernardes ou uma Patrícia Poeta. De ter a inteligência do Jabor e a indiscutível experiência do William Bonner. Meus sonhos, naturalmente, vão muito além do jornal do bairro ou da rádio das associações. Mas não é esse o real objetivo por estar aqui agora, sentada nessa cadeira, prestes a escrever uma matéria estudantil que traz consigo um único leitor - o professor. O que me faz querer, e trazer comigo essa determinação insacíavel, é a simples vontade de parar de trabalhar. O trabalho para mim é algo que fazemos exclusivamente por dinheiro. Então você acorda cedo, se estressa, se zanga e se cansa. E no final do mês recebe seu contracheque, paga suas contas, ajunta algum dinheiro, tem alguns prazeres concedidos. Meu maior desejo é que minha profissão seja como um filho. Que eu possa me cansar sentindo prazer, me ocupar com a imensa gratificação de estar plenamente realizada. Quero sentir cheirinho de revistas novas, quero ter o tato do papel do jornal quentinho, quero escrever a vida, entrevistar o pobre e o rico. Quero subir favelas e palácios, quero descobrir o que está encoberto, quero contar o que precisa ser falado. O jornalismo é como uma face de pele multiracial. É como uma salada de conhecimento - não há nada que o tire de você. Um jornalista é o espelho da vida. Ele reflete os defeitos e a formosura. É os olhos do povo, e a propagação da informação.
Juju

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Dia de mim

Nem todo dia é dia da gente. Hoje estou aqui, sentada a poucos minutos da chegada de um novo dia útil. Cansada, depois de um jornada pesada de 15 horas de trabalho e estudo árduos. Mas ainda assim escrever me prende mais do que essa cama que me chama ao lado, como o mais aconchegante de todos os remédios.
Paro e me vejo assim, velando o sono sincero da menina que fiz (e ainda terei de fazer). Contesto o desejo insano de acordá-la, nem que seja para ver esse sorriso que me acalma, por um minuto, que há muito não tenho entre minhas segundas e sextas-feiras. Hoje não é dia de poesia, nem dia de perfeição. Hoje quero palavras simples, hoje é dia de mim. Seria mais fácil se pudesse recortar minha alma - as prosas de minha alma - e pendurar aqui, nesse varal de blá-blá-blás. Mas minha alma, inascessível, tenta se manifestar nessa ciranda infinita de letras, que dá forma a alguém que briga por compreensão. O pesar de tudo isso, é o conjunto de possibilidades e interpretações que a letras nos permitem ter. Serei sempre o enigma, a parte que brinca e bole com as férteis imaginações. Quando -eu - nas verdade, estou aqui: simples, carente, descrente, desejante. Quando na verdade só queria transcrever a face que geme, não importa se é dor ou prazer, mas que tão somente se manifesta ainda VIVA.
"As oportunidades normalmente se apresentam disfarçadas de trabalho árduo e é por isso que muitos não as reconhecem".
Ann Landers

terça-feira, 15 de setembro de 2009


desfazendo-se

É quando olhamos para trás e descobrimos que o novelo se embolou no primeiro ponto, que percebemos que é preciso parar. Então aprendemos a vencer o desânimo, a desfazer os trajetos traçados - quer sejam bons ou ruins. Esse é o momento em que todo o percurso se inverte, como um jogo. Não basta ter coragem, é preciso forças. Não basta aceitar o erro, é preciso receber o recomeço como uma nova oportunidade de aprendizado. E o mais importânte, é que se tenha muita, muita paciência.

Juju

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

"Aparentando"

Família é mesmo uma coisa engraçada. Principalmente quando passam a se tornar parentes.
Nascemos pela decisão de uma ou duas pessoas. E não temos o direito de aceitarmos ou negarmos a àrvore genealógica da qual faremos parte. Simplesmente estaremos ali, entre suas galhas, como mais um integrante de seus frutos.
Herdamos tios, tias, avós, pais e irmãos, e com eles criações e costumes dos quais também não temos como escolher. Mas, nossa incrível necessidade de aprendizado nos faz aderir à cultura do meio em que vivemos. Nos faz aprender seus hábitos e a participar dessa cadeia de preceitos efetuando mudanças peculiares de caráter e da sociedade com que temos convivência. E então, com o casamento "herdamos" uma nova conexão desses laços dos quais não temos a oportunidade de escolher. Existem sempre os palpiteros, os falsos, mas também os que estão sempre prontos para oferecer ajuda. Existem os reservados, os respeitosos, os que aceitam os limites de privacidade, mas há também quem ligue pedindo dinheiro ou invada os limites como se não houvesse delimitações de vida e espaços separados.
Assim somos parte desse ciclo sem fim, porque a vida se renova, os filhos se casam, os netos multiplicam, os parentes se eternizam. Este é o caminho que se segue, sem que tenhamos opções alternativas. Vamos nos adequando, enquanto a vida se encarrega de semear a terra.

domingo, 30 de agosto de 2009

Se a vida fosse um papel em branco

Queria que a vida fosse um folha de papel em branco.
Queria rabiscar meus sonhos, desenhar desejos, escrever anseios.
Queria jogar fora o erro e desembrulhar o íntimo de meus calafrios dessa caixa de imaginações. Queria apenas editar meus pensamentos sem deixar as marcas dessa história inapagável.
Queria picotar as mágoas, colorir a angústia, amassar as caretices dessa rotina sem dobras.
Queria fazer de mim um conto escrito, uma crônica revista, em sua impecável possibilidade de ser corrigida.
Queria transformar minha alma em letras para que um dia, alguém em algum acaso, lesse as entrelinhas de meu coração, e me fizesse em um segundo parte de seus pensamentos.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Transitoriedade infeliz

A modernização e o avanço das possibilidades medicinais e tecnológicas são realmente assustadoras. Não sabemos mais até onde o ser humano é capaz de chegar. Existe algum apse que delimite um linha final, ou estaremos infinitamente aptos à evolução?
Penso, nos anos 80 ou 90, e os comparo aos atuais anos 2000. Apesar de não serem períodos relativamente tão distantes, esses anos que se passaram foram uma ponte de transitoriedades incríveis. Já não existem mais aqueles discos enormes de vinil, e ainda ontem me vi pensando na precariedade de um disqueman que estava na bolsa de uma colega. Hoje as músicas são feitas em uma caixinha pequena, em formatos compactos, e nessa caixinha cabem milhares dessas canções. Isso é realmente parte da capacidade que temos e desenvolver nossa estrutura de conhecimento, de expandir essas possibilidades de atingir uma comodidade insaciável. Talvez porque nossa raça seja insaciável. Nossa busca pelas melhores maneiras, pelos melhores remédios, pelo meio de transporte mais seguro que também seja hiperveloz.
Somos mutantes incasáveis, que possuem uma metamorfóse sem fim. Porque nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos sempre em busca de uma satisfação indecifrável e por mais que existam cientistas da tecnologia, médicos, biomédicos, mestres e professores, será sempre impossível distinguir as linhas que consigam delimitar essa abstrata felicidade de viver.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Quando as rosas murcharem, não deixe que o coração perca a nobreza da essência do amor.


"Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: "Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?". Tudo a mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas
construídas sobre a arte de conversar" (Nietzsche)



A velhice não seria relativamente tão distante, se o ato de conversar não envolvesse necessariamente dois seres humanos. E se o fato de sentir prazer nessa conversa não complicasse ainda mais esse trajeto até a idade madura.
juju

Sonhei

Um dia sonhei. Como toda menina embrulhei minha boneca em um manto cor-de-rosa e amamentei com meus brinquedinhos fictícios. Chorei o choro da infância, sorri a felicidade pura da vida.
Um dia sonhei. Como toda adolescente desenhei corações em papéis de pão ou no guardanapo da lanchonete da esquina. Chorei o choro dos apaixonados, sorri a felicidade da juventude.
Um dia sonhei. Como todo adulto atingi alguns objetivos básicos da vida: me casei, trabalhei, estudei, tive um filho. Chorei o choro da saudade da infância, das lembranças do amores adolescentes e também o choro da frustração feminina. Sorri por ter aprendido, sorri pelas conquistas que tive e também pela serenidade.
Um dia sonhei. Acordei. Chorei o choro da realidade. Não mais consegui sorrir.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Mulher moderna

Hoje minha filha andou, eu não estava lá para ver. É que estava ocupada demais com meus afazeres trabalhistas. Não sou daquela época em que a velha Amélia cuidava da casa, da comida e dos filhos. Sou da época em que as mulheres (muitas delas) trabalham, estudam e não veêm os filhos darem seus primeiros passos. A mulher que sou, passa nada mais que 45 minutos ao lado da filha de um ano, mais o domingo, que é o dia (único dia) que se passa com a família.
O tempo tem passado e os minutos preciosos tem sido levados pelas ondas que buscam os retalhos da areia. Misturam-se junto ao infinito caminho da vida, onde não se pode encontrar.
Hoje foi mais um dia daqueles, aqueles dias em que nada se quer e tudo se deseja ter.
Minha postura de mulher moderna, faz de mim uma casca dura de miolo mole. Sou a rígida gerente, a esposa cabeça, a mãe ausente e a essência da fragilidade feminina.
Juju

sábado, 15 de agosto de 2009

Ordem Natural

Quando o sol já corre a se esconder e a noite já se faz sentir...
Aparecem os velhos temores, coração precisa resistir...
Não se mata a sede de viver...
O futuro nunca vai ter fim...
Nem que seja o sonho dos poetas tudo aquilo que restou pra mim
e que me conduz...
De repente vem uma canção qualquer e logo nos seduz...
E a verdade que ninguém podia ver surge a olhos nus...
Mas nem tudo é como agente quer, esse mundo não foi feito assim...
Desprezamos todos os valores, nem sabemos mais o que é ruim...
Então siga logo quem souber o caminho para ser feliz...
É viagem pra quem não tem pressa...
O destino de quem sempre quis ter alguma luz...
De repente vem uma canção qualquer e logo nos conduz...
E a verdade que ninguém podia ver surge a olhos nus...
Com a ordem natural das coisas...
Pelo menos aprendi...
Foi a ordem natural das coisas que me trouxe até aqui...

Rodrigo Sater

sábado, 8 de agosto de 2009

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Abraço da vida

Hoje, minha vida já não me parece tão curta e talvez nem tão longa também. Tudo o que sei, é que muito já vivi e ainda quase nada aprendi.
Sei que já briguei com amigas e também fiz as pazes. Já escolhi o cara errado, o grupo errado na escola (muitos pontos já perdi com isso). Nesse muito quase nada que vivi já descobri a paixão em excesso, o amor na medida e o desapego em suficiente proporção.
Em minha vida conheci pessoas boas, muitas delas boas mais do era preciso. Já conheci a inveja, a luxúria e a frieza de espírito. Já vivi momentos inesquecíveis, conheci lugares inimágináveis.
Já passei pelas ondas do oceano, já misturei-me entre as nuvens brancas e negras, entre os raios fúlgidos e as gotas tempestuosas. Já abri meus braços na proa de um navio com meu Leonardo Di Caprio, já estive na mais vasta paz em uma casinha tranquila onde ninguém me poderia achar, já conheci o mar e montanha, metrópoles e povoados.
Já vivi muita, muita dor. Já tive raiva da mãe, do pai, dos irmãos e dos avós. Mas também já chorei de saudade, já enfrentei quem os enfretou.
Hoje recebo o abraço desses 24 anos - quase bodas de vida. E me deixo abraçar também. Porque esse bocado escasso que já vivi - e que deixei de viver - tem se ajuntado em um ratalho de reflexões.
Nessa estrada que percorro, não sei em que pé estou. Talvez já na metade, talvez no começo de uma jornada que me guarda longos passos, ou quem sabe esse tiquinho de nada seja um todo em sua reta final.
Só sei, que nesses braços da vida, pude conhecer desde o reto ao ladrão. Conheci pessoas ricas, pessoas pobres, milionários e miseráveis. Conheci sentimentos tão requintados como o fino ouro e de todos eles o mais puro e incondicional, há um ano e dois meses, gerei em meu próprio ventre.
Descobri que talvez, se nós adultos sorríssemos como minha filha faz minutos após ser chingada, talvez milhões de mortes teriam sidos evitadas e que a tragédia que nos cerca faz parte da medilcridade que trazemos conosco.
Aprendi que o tempo passa e que se não jogarmos água sobre o rosto todos os dias, somos tragados por nossa própria acomodação. Percebi que é preciso agir enquanto somos jovens e que o tempo jovem começa quando nascemos e termina quando acabam nossos sonhos.
Muito já esperei da vida e das pessoas. Hoje, com um pouco mais de realismo e um tanto menos de utopia, resolvi que na vida não é preciso tanto e é preciso cada vez mais. Porque não existe receita para a felicidade nem medidas que nos consiga satisfazer.
É preciso apenas viver os momentos, como se fossem sempre o último segundo de realização.
Decidi não abrir mão das oportunidades e lutar por cada um de meus sonhos. Porque enquanto não vier as chuvas ainda é tempo de construir.
Há quem me deseje mal e quem me deseje bem.
Há quem nada pense sobre mim.
Há quem tenha me parabenizado ou me presenteado.
Há também quem me desejou muitos anos de vida.
A mim, basta apenas o suficiente.
juju

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Navegar é preciso.
Viver não é preciso.

Fernando Pessoa

O mais interessante disso tudo é a maneira como interpretamos os significados. A precisão, da vida, ou da navegação, não passam da proporção desse "exato" que recebemos de ambas as partes. No mais simples desse sentido dúbio, é o fato de sabermos que um marinheiro tem consigo uma bússola, enquanto a existência, incerta, não consegue nos orientar.
juju

sábado, 1 de agosto de 2009

Não mais quero

Penso que a vida poderia ser melhor, penso que meu espaço poderia ser maior, penso no diferente que se tornou padrão. Penso no que tenho feito nessa composição sem fim, disso tudo que muito pouco consegue nos satisfazer. Olho ao meu redor e vejo os caixotes desse passado que tão somente é uma peça descoberta desse quebra-cabeça que ocupa nossas mentes a cada nova manhã.
Somos desbravadores curiosos e desencorajados pelas escolhas erradas que nós mesmos fizemos um dia. Somos guerreiros do desleixo e da inutilidade humana que já não se preocupa mais com sua participação nas consequências universais.
Hoje me atribuo a possibilidade de novos erros dessa continuidade de impaciência tola, simplesmente pela ânsia desse pouco, quase de nada, de prazer.
Hoje escrevo as crifras de um roteiro louco, como um locutor sem pauta, como um marinheiro que navega sobre as ondas sem os pontos cardeais.
Minha alma briga entre o ímpeto desejo dessa vontade de lançar-me na insanidade das paixões jovens do coração, quando minha mente me obriga a caminhar pelo sereno trajeto dessa rotineira estrada.
Levo-me pelo ringue dos sentimentos como alguém que apenas quer não mais querer.
juju

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Felice

Tudo e apenas tudo o que se quer, é aquele pouquinho de nada desse sorriso sincero que vem lá do fundo, que consegue coicidir com as fantasias da vida real, que faz possível me tirar o sono e ao mesmo tempo me dar um repouso confortante. Simplesmente pela existência pura e intensa, em que todo bocado de utopia se releva na inestimável motivação que me dá. Quando a vida não nos coloca flores diante dos olhos, criamos jardins no espaço negro de nossos pensamentos. De um jeito ou de outro, o mais importante é capturar as pérolas desse oceano profundo e descobrir que sempre, o mais importante de tudo, é conseguir ser felice.
juju

terça-feira, 28 de julho de 2009

O que é real pode ser difícil, mas não pode nos tirar a capacidade de sonhar.


De muitas coisas já discordei um dia, porém o tempo me fez entendê-las melhor.
Hoje, ainda sem atingir a excelência da maturidade, mas um pouco menos inconsequente, aprendi a discutir menos as problemáticas que a vida nos impõe. Descobri que muita das vezes basta deixar o silêncio tomar conta de mim, e que a voz que não se pode ouvir, no ápice confuso da situação, nos ensina o suficiente.
juju

terça-feira, 21 de julho de 2009

Retomando a esperança

Simplesmente olhar a frente e conseguir enxergar o horizonte como um espaço aberto a realizações, como um trajeto traçado de esperanças possíveis, de razões aplausíveis.
Simplesmente ver o que a vida pode nos dar, quando firmamos um objetivo e nele ainda firme lutamos, como quem quer apenas conquistar um pedaço de seu querer.
Simplesmente a vida se abre, a fé enobrece a alma, e os olhos, outrora mortos, tornam a brilhar.
Juju

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A alegria que se passa...

As vezes não é preciso ir longe para que consigamos ser felizes. Basta notarmos a imensidão da saudade que sentimos de momentos outrora reclamados.
Não é preciso saber, nem viver demais para ter a simples vontade de tentar. É preciso apenas querer enxergar, voar com os sonhos, e ter os pés no chão quando a vida nos exige um pouco mais de seriedade.
O interessante é que a dor que sentimos hoje, por menor que seja, será sempre de todas a maior, porque apenas a nós pertece. E a alegria que também sentimos, por mair que seja, será sempre a menor, até que nasça um novo dia e aí sim percebamos que já não é tempo de aproveitá-la um pouco mais.
Juju

domingo, 19 de julho de 2009

E o tempo realmente passa... Deixa saudades... Deixa lembranças... Deixa, me deixa pra trás...


Tocando em Frente

Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou nada sei..
Conhecer as manhas e as manhãs o sabor das massas e das maçãs

É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumpri a vida seja simplesmente
compreender a marcha ir tocando em frente
como um velho boiadeiro
levando a boiada eu vou tocando os dias
pela longa estrada eu vou, estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs o sabor das massas e das maçãs

É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Todo mundo ama um dia, todo mundo chora
Um dia a gente chega no outro vai embora
cada um de nós compõe a sua história
cada ser em si carrega o dom de ser capaz e ser feliz

Ando devagar porque já tive pressa
levo esse sorriso porque já chorei demais
cada um de nós compõe a sua história
cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz ....

Almir Sater

Crescer

Relembro os tempos em que, na infância, me apareciam com aquela caixa de bombons garoto, e toda a criançada lutava pelo melhor bombom do grupo. E o mais engraçado é que a vida, atualmente, é em parte como aquela caixinha amarela que as vezes surgia frente a um bando de crianças loucas por um pouco de doce e diversão. A diferença é que hoje, os homens crescidos, em números maiores, lutam pelo melhor da caixa com as armas que têm. Os piques que brinquei, me esconderam certamente da tranquilidade pura da infância.
Ainda procuro em vão, os colegas escondidos em seus mundos muito pouco acessíveis e bastante vulneráveis. Procuro entre as ruas desertas os brinquedos que larguei na areia da obra da esquina, procuro as árvores de minhas escaladas, hoje tão desgastadas quanto eu.
Os bombons que a vida me oferecem hoje, mudaram de caixa e são parte de uma veriedade incontável de marcas e cores. Mudaram os sabores também. As bolinhas ou os guarda-chuvas de parafina, não conseguem me arrancar sorrisos.
Não que a maturidade traga com ela o desgosto. Nossa rotina moderna faz com que sejamos apenas impróprios em nosso meio, é preciso que saibamos enteder um pouco mais as diferenças a que o tempo nos sujeita. Crescer não é uma tarefa assim tão difícil. Talvez, ainda, a vida nem nos peça tanto. O problema todo é que na mesma proporção em que crescemos, crescem também nossas exigencias com a vida.
Juju

terça-feira, 14 de julho de 2009

Voltinhas dos pés

É interessante a maneira como nós humanos, não nos conformamos com pelo menos quase nada. A roupa que vestimos, a comida que comemos, o parceiro que escolhemos. Absolutamente tudo aquilo que pode ser vivido não possui a dimensão das expectativas de nossos sonhos. Inclusive os objetivos que são conquistados, sempre se tornam menos prazeirosos quando estão ao nosso alcance definitivo.
Nossa natureza insaciável e inconformada nos faz eternos caçadores de realizações, e talvez essa seja a grande razão por nos mantermos vivos: o sentido que damos às nossas vidas. As vezes me pergunto o porquê de nos aguentarmos erguidos nessa selva que tem se tornado a vida. O excesso de violência, egoísmo e "encapsulamento", tem nos feito passar dias cada vez mais sedentários e ainda menos naturais. Há tempos venho balanceando os dias em que tive contato com a natureza, mesmo que em uma pracinha qualquer nessa redoma de concreto que nos cercam, um pedacinho verde contornado dessa poeira acinzentada que tem sido nosso combustível pulmonar. Para minha surpresa - e tristeza - percebi que não tenho tempo, é o tempo quem me tem. Temos sidos sugados pela vida, pela correria, pelo trabalho, pela sobrevivência que nos faz escravos desse capitalismo infindo.
Ainda outro dia levei minha filha no pediatra, e o mais engraçado foi ouvi-lo dizer que deveria fazê-la caminhar mais em terra, para que se criassem as voltinhas de seus pés. O que não sabia, é que a terra de meu mundo era cimento, e não aquela terra vermelha a que o doutor se referia. É que hoje em dia, coisas simples não existem mais, somos compulsivos compradores, insaciáveis consumidores. Estamos cada vez mais longe de entender as coisas simples da vida. Não sabemos mais o que é terra, nem frutas colhidas nas árvores. Perdemos as voltinhas dos pés.
Juju

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A vida é isso aí

A vida é isso aí... Um eterno vai-vem.
A vida é isso aí, uma roda que gira e diverte. Uma roda de luzes, gigante, que dá voltas seguidas e descompensadas.
A vida é mesmo assim, um dia destrata, um dia consola. Totalmente imprevisível.
A vida é mesmo engraçada e se engraça conosco, como um artista que se perde em suas próprias ilusões. Um enigma estranho....
A vida é ainda, como a vida. Ela se perde nos segundos preciosos de quem não sabe quando não mais poderá saber de algo. Como uma surpresa que nos pega e nos prega. Como uma repetição inédita de tudo aquilo que nos cerca.
A vida é isso aí... Nem muito nem pouco, nem mais ou menos também: é apenas o bastante para nós.
A vida é a lágrima suficiente, o sorriso necessário, o trajeto coerente.
A vida é simplemente assim...
Complexa, natural, viva.
Juju

Para algumas coisas, temos as palavras. Para outras, temos as letras. Mas existem coisas, que não precisam ser explicadas, bastam ser sentidas.




quinta-feira, 9 de julho de 2009


Um dia daqueles

Quem nunca teve um dia em que se quer sumir?
Existe dia para tudo: satisfação, desilusão, tristeza. Existe o dia do descanso e o dia da fadiga. Existe o dia da dor. Todo dia, é dia de alguma coisa: viver é a arte das modificações.
Um dia estamos bem, no outro estamos mal. Mas sempre estamos bem ou mal. É preciso sofrer e sorrir para existir. É preciso cansar e se renovar. Os atores mudam, mas as cenas permanecem iguais.
Quem nunca teve um dia em que tudo o que não se quer é que o telefone toque? E o pior, é que ele toca. E quando queremos apenas parar e ter um pouco de paz, nos enviam aquela notícia que poderia estar guardada. Não sabemos mais, se o egoísmo é não poupar ou querer ser poupado.
Tudo o que se sabe, é que nada sabemos do outro. Nossas dores, angústias e preocupações são peculiaridades inacessíveis.
Tudo, apenas tudo o que sei, é que hoje é um dia daqueles em que se quer sumir... ou simplesmente, que o telefone não toque.
juju

Perdendo a vida

Perder-se de seus sonhos é perder-se da vida.
Perder-se da vida, é perder-se de si próprio.
A não existência de um ser o faz imune a qualquer felicidade.
A infelicidade é a discordância de todo sentido.
A falta de sentido é o grande impecílio de reallizar-se.
A falta de realizações nos tira a vontade de sonhar.
E quem não sonha, não vive.

juju

sábado, 4 de julho de 2009


Catando os cacos

Ontem me atropelei com um trator que eu mesma dirigia.
Desafiei minhas forças, como alguém que já não se importa em perder.
Me embebi do veneno natural humano: seu efeito é deteriorante.
Ontem briguei com a vida: as diferenças ideológicas não nos permitem ser unânimes.
Hoje o dia despertou mais cedo. Não me deixou descançar.
Hoje é dia de faxina, dia de ressaca da alma.
Um dia, a gente quebra as louças da casa.
No outro, catamos os cacos do chão.

juju

sábado, 27 de junho de 2009


Frustração

O mais dificil de tudo é quando paramos e percebemos que tudo foi em vão: as escolhas, os eforços e as tentativas também.
É dificil quando a vida nos dá um baque e nos mostra que não valeu a pena tudo aquilo que você fez ou pelo menos uma parte do que tentou fazer.
Esse é o grande sintoma que muitas vezes possuimos, porém não sabemos discernir: frustração.
Frustrar-se é criar bolhas nos pés em estradas espinhosas e descobrir lá na frente, quando as feridas já estão suficientemente grandes, que seu trajeto está na direção oposta e que o caminho que você deveria realmente ter seguido ficou para trás.
E o que mais dói é sabermos que todo o processo de superação existiu por termos um bocado de esperança, e quando essa esperança deixa de existir é que nos damos conta do tamanho dos hematomas que carregamos conosco. Porque objetivar-se é a razão pela qual muitas vezes ultrapassamos dificuldades inimagináveis.
O sentido que damos em nossas vidas é o tempero de nossa perseverança. E a frustração, do modo mais direto, é perda total dos sentidos que damos as nossas vidas. É quando descobrimos, da maneira mais cruel que é preciso retroceder, e que nesse retrocesso, as forças serão menores, as dificuldades serão piores, e a vida talvez, nunca mais consiga ser a mesma.

Juju

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Mestres

Os professores vêm, como semeadores de conhecimento. Em cada período ceifam uma parte de minha formação.
Vivemos a correria universitária, a lutas das faltas, das notas. As raivas momentâneas (e quantas)...
E então a maré se abaixa e encontramos as conchas do mar. E com elas produzimos a arte, embelezamos a vitrine do lar. Catamos os pedaços dos retalhos do aprendizado e costuramos a colcha da cultura e da profissionalização. Graças aos bons, aos ruins, aos volúveis e aos incorruptíveis mestres. Cada qual responsável, pelo tesouro intocável do ensinamento.
É preciso admitir, há os que deixam saudade.

Juju

terça-feira, 23 de junho de 2009

Menina - Milagre da vida


Menina, minha menina!
Menina minha, menina...
Menina, minha, menina.
E esse é o milagre da vida.
Perder noites de sono e receber dias de alegrias.
Abster-se de si próprio e satisfazer-se em ser responsável por alguém tão frágil e indefeso.
Aprender ensinando.
Educar amando.
Poder reviver a infância.
Ter de refrescar os estudos para ajudar na lição.
Descobrir que nossos tombos doiam mais em nossos pais do que em nós mesmos.
Relembrar frases que pensávamos não ter importância e hoje repetimos aos nossos filhos.
Saber que é possível se formar um ser humano dentro de você e saber que não importa o que você faça ou quanto tempo passe: seus atos serão sempre consequências do que você mesmo ensinou a ele.
Saber que alguém aparentemente tão pequenino, cresce tão repentinamente.
Descobrir que um filho nos faz responsável por suas primeiras palavras, seu primeiros passos, suas primeiras escolhas e talvez, em grande parte, por sua própria formação de caráter.
Não poder mais "chutar um balde"qualquer, ou andar como mochileiro pelo mundo afora, porque alguém precisa de você.
Desistir de desistir da vida.
Querer vencer cada vez mais.
Receber muito, muito trabalho.
E saber que com tudo isso, ainda é possível amadurecer.
E saber que com essa pessoa, ainda é possivel esquecer os problemas e renovar-se inexplicavelmente, apenas com um sorriso puro cheio de sinceridade.
Porque esse, definitivamente, é o grande e verdadeiro milagre da vida: um filho nos ensina a sermos gratos dando, a nos sentirmos felizes apenas com um gesto, e a amar, simplesmente pela nossa possibilidade de existência.
Juju

quinta-feira, 18 de junho de 2009


cansaço

Fim de noite, fim de semana, fim de semestre.
Fim de forças, fim de vontade, fim de mim.
Essa é a hora do repouso, essa é a hora do desleixo, é a hora do deixo.
Essa é a hora em que o corpo padece, a mente desfalece, essa é a hora em que é preciso parar.
Essa é a hora em que me obrigo a descansar, em que me permito o farto regozijo.
Todo cansaço precede a renovação.

juju

segunda-feira, 15 de junho de 2009


Tentando segurar o tempo

O tempo tem sido a brasa da alma: tem corroído a beleza da juventude.
O tempo tem sido a brisa da face: traz o suave toque das lembranças sobre o rosto. É possível sentí-las, mas não podemos toca-las.
O tempo é perverso ansião, mestre de ensinamentos sábios.
O tempo é coragem, disposição.
O tempo é cruel.
O tempo é inevitável.
O tempo nos permite sonhar e perder, nos permite ganhar e aprender.
O tempo é a vida que passa, é a vida que se eterniza na saudade.
O tempo é o grande professor: pode ser injusto com alguns, mas é sempre fundamental.
O tempo me aproxima das expectativas, me afasta dos momentos inigualáveis.
O tempo é assim: simplesmente existe, simplesmente leva, simplesmente passa.
E nada se há de fazer.

Juju

domingo, 7 de junho de 2009

"Faca a sua ausência para que alguém sinta sua falta. Mas não prolongue demais, para que esse alguém não descubra que pode viver sem você."

(autor desconhecido)

sexta-feira, 5 de junho de 2009


Indiferenca

"Vieram no meu departamento e levaram um negro. Não me importei, eu não sou negro.
Vieram no meu departamento e levaram um judeu. Não me importei, eu não sou judeu.
Vieram no meu departamento e levaram uma mulher. Não me importei, eu não sou mulher. Vieram no meu departamento e me levaram. Ninguém falou nada."

(autor desconhecido)

A vida poderia ser menos ríspida conosco, se descobríssemos que o mundo é bem maior que nosso universo pessoal.
Os dias poderiam ser menos tristes se comessássemos a aprender a caminhar em conjunto e agir em coletividade.
Poderiamos derrotar desgracas, desfazer injusticas, vencer problemas aparentemente difíceis, se não fosse o egoísmo que nos rege.

by juju




terça-feira, 2 de junho de 2009

Novamente

Mais uma vez o inverno chegou. O frio surra a pele como névoa de chicote agudo.
Mais uma amigdalite tão comum quanto qualquer surto de alegria ou febre de virose sazonal.
Mais uma vez escrevo. E nessa vez, com um dolorido esforço de me aguentar em pé.
Mais uma estação se manifesta e se exibe entre os poros.
Mais uma vez fazemos planos: final de semestre, início de férias, remeço geral de expectativas.
Somos sonhadores compulsilvos em mais ou menos grau. Depende da época em que estamos.
O natal é renovador de forças. Julho é o impulso de resto de ano.
E mais uma vez objetivos se vão como o vento. Conquistas esporádicas nos fazem reacreditar.
E mais uma vez tentamos.
Mesmo que reclamantes ou morimbundos, somos sempres perseguidores.
Esse é o renovo ciclo: perder e ganhar - novamente.

quinta-feira, 28 de maio de 2009


Os opostos nao se atraem

Estive pensando nos infortúnios que ouvimos sobre o casamento. Casar-se atualmente se tornou para muitos uma brutal tarefa imposta aos homens (e a muitas mulheres também). Não podemos negar que essa “fama” que se dá ao casamento, não existe apenas agora. Quem nunca ouviu alguém dizer que “casamento só aos 30” ou “jamais irei me casar.”
Muitos casais decidem prolongar um pouco mais o namoro, alguns duram por muitos e muitos anos e ainda assim chegam ao fim sem alcançar o matrimônio. De certa forma não é ruim que se “estique” um pouco mais essa fase quando se está indeciso. O casamento deve ser feito com seriedade e compromisso, e apenas quando ambos estão certos de suas decisões.
O divórcio pode ser desgastante para ambas as partes, tanto em aspectos financeiros, quanto jurídicos e emocionais. Quando já se tem filhos, a situação é ainda pior. As crianças sofrem e por mais que pareçam estar lidando com facilidade diante da situação, perdem a estrutura familiar que tinham anteriormente. A falta de referência de família pode afetar muito a vida futura dessas crianças. É certo que atualmente, as separações se multiplicaram tanto, que muitas crianças já crescem parcialmente aptas a passarem por essa fase, como se fosse uma etapa qualquer.
Temos uma tendência a nos deixarmos levar por nossos sentimentos e nossas emoções, sem antes avaliarmos com clareza as razões e conseqüências que podem gerar nossos atos. É impossível que se construa um lar sólido pensando apenas no presente. Nossa vida tem de ser alicerçada de maneira a suportar as paredes que sobre ela serão feitas, para que no futuro não tenhamos problemas estruturais.
Muitos casais se unem porque ambos se amam e se querem, porém um deles é atleticano e o outro é cruzeirense. Seria bom se parasse por ai. Então no princípio tudo é farra e um "tira onda" com o outro e até gostam da situação. Mas quando a rotina aparece (ela sempre aparece algum dia), o que parecia alegria começa a se tornar em um tormento. A esposa quer ir no Mineirão, mas não quer se sentar na torcida atleticana e vice-versa. O marido que é católico não que ir ao culto da esposa evangélica. E aquele que gosta de ficar em casa começa a cansar-se de acompanhar o outro nas visitas aos amigos.
No final, os frutos da precipitação, são as famílias destruidas, os filhos perdidos, os sonhos desfeitos. É claro que existem muitos casais que superam as diferenças e permanecem juntos. Existem esposas que sonharam em estudar fora, aprender idiomas, crescer profissionalmente. Mas acabam se apagando pelo apego ao marido acomodado. E os sopros apagam as chamas, desmontam castelos moldados há anos.
Um relacionamento é a união de duas pessoas distintas, com criações distintas e aspectos diferentes. Mas é primordial que ambos sejam guiados por um único pensamento, por visões semelhantes, ambições parecidas e mesmos ideais. Senão, seremos sempre um par de pernas perdidas, recebendo ordens diferentes, tentando encontrar um caminho que nunca será alcançado. Porque os opostos, definitivamente, não devem ficar juntos.

Juju

"Você pode enganar uma pessoa por algum tempo.
Você pode enganar muitas pessoas por muito tempo.
Mas você não pode enganar o mundo todo, por todo o tempo."

Autor desconhecido

terça-feira, 26 de maio de 2009

Ainda...

As vezes me perco no tempo que perco enquanto estou aqui.
As vezes esqueco do apreco que esqueco quando a vida me faz ausentar.
As vezes me tomo desse medo que me toma e me faz regredir.
As vezes pereco na selvagem selva.
Entao, as vezes descanco, as vezes canso, as vezes tenho que continuar.
E nessas vezes sou mercado, sou trabalho, sou dinheiro e busca de sucesso tamb'em.
As vezes sou mae.
As vezes mulher.
Ainda, as vezes.

Juju

terça-feira, 19 de maio de 2009

Quando a noite chegar cedo e a neve cobrir as ruas, ficarei o dia inteiro na cama pensando em dormir com você.
Vou te escrever carta e não te mandar.
Vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.
Vou ver Júpiter e me lembrar de você.
Vou ver Saturno e me lembrar de você.
(...)
- O tempo não existe.
- O tempo existe, sim, e devora.
(...)
Quando eu olhar a noite enorme do Equador, pensarei se tudo isso foi um encontro ou uma despedida.
E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu, seria suficiente para modificar nossos roteiros.
Mas não seria natural.
Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
Natural é encontrar. Natural é perder.
Linhas paralelas se encontram no infinito.
O infinito não acaba. O infinito é nunca.
Ou sempre.

Autor desconhecido

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Mudança

Um certo dia você começa a notar que os movimentos da pessoa ao seu lado te deixam nervoso. É quando cada gesto parece um tormento insuportável.
Você começa a perceber que o transito por mais tranqüilo que esteja, parece demorar uma eternidade. E os trajetos pequenos se tornam em caminhos inalcançáveis.
Os motoristas ao seu lado parecem estar te provocando e estão sempre fazendo manobras erradas.
As palavras de amor, que ainda outro dia eram forças e alucinação, hoje são caretices e conseguem te irritar.
Seu tempo parece curto, e ao mesmo tempo demora a passar.
E aí você fica chato, rebelde, e começa a não suportar a si mesmo.
Seus atos não rendem, seu trabalho não compreende mais todo o seu potencial.
É quando você se dá conta de que há muito tempo já não tem a mesma energia de antes.
E então você percebe, que se entregou tanto aos afazeres dessa loucura capitalista em que vivemos, que deixou para trás as importantíssimas prioridades que outrora eram valores: sentimento, respeito, dedicação.
Seus filhos já são vistos casualmente, seu marido é acarinhado em algumas oportunidades. A alegria vibrante que tinha nesses detalhes esquecidos, também já não existe mais.
As campanhas que fazemos pela natureza são tantas que acabamos nos esquecendo que as mais belas flores estão murchando por falta de cuidados: o ser humano.
Então você começa a perceber seus limites e começa a ver que não é possível ser super-herói.
E por fim, você se dá conta que a vida sem essência é amarga.
É hora de mudar.
Juju

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Vida

Vida é o amor existencial.
Razão é o amor que pondera.
Estudo é o amor que analisa.
Ciência é o amor que investiga.
Filosofia é o amor que pensa.
Religião é o amor que busca a Deus.
Verdade é o amor que eterniza.
Ideal é o amor que se eleva.
Fé é o amor que transcende.
Esperança é o amor que sonha.
Caridade é o amor que auxilia.
Fraternidade é o amor que se expande.
Sacrifício é o amor que se esforça.
Renúncia é o amor que depura.
Simpatia é o amor que sorri.
Trabalho é o amor que constrói.
Indiferença é o amor que se esconde.
Desespero é o amor que se desgoverna.
Paixão é o amor que se desequilibra.
Ciúme é o amor que se desvaira.
Orgulho é o amor que enlouquece.
Sensualismo é o amor que se envenena.
Finalmente, o ódio, que julgas ser a antítese do amor,
não é senão o próprio amor que adoeceu gravemente.


Francisco Cândido Xavier

quarta-feira, 13 de maio de 2009

"Determinarás tu algum negócio, e ser-te-á firme, e a luz brilhará em teus caminhos"
Jó 22:28

O prêmio

Os sonhos se agrupam, como pontinhos próximos que nos dá forma.
A esperança aparece, a empolgação prevalece, é hora de comemorar!
Objetivar-se entre os tumultos dos desecantos, é o amparo dos ombros sobrecarregados. Queremos forças, queremos razões. Resolvi cria-las, como planos que nos traçam caminhos esplendorosos. Hoje sei o que quero, o que penso. Meus tormentos já não são invensíveis.
São apenas reais. São apenas assustadores. São também passageiros.
Lamentar-se somente não é o conserto das dores. É preciso crer e chamar a montanha, é preciso ordenar ao sucesso que caminhe até nós. Acomodar-se como um navio que se encalha é derrotar-se.
Entregar-se é a submissão da alma. O troféu só é exibido quando existe batalha. Precisamos de lutas, para que tenhamos prêmios.

Juju

segunda-feira, 11 de maio de 2009

"Quando estamos em uma bifurcação da estrada, qualquer caminho mudará nossas vidas."

Ainda ontem

E a vida passa.
Veloz, como os prazeres que a muito são memórias gostosas.
Feroz, com a crueldade de quem já não pode voltar atrás.
Voraz, como a insaciável vontade que temos de ser feliz.
Hoje é dia de trabalho, dia de grande e abrupto trabalho.
Trabalhar é bom.
Cansar-se é muito bom. Isso enobrece a alma, faz regenerar o espírito desfalecido.
O corpo esgotado não permite que a mente se perca.
Essa é a grande razão: trabalhamos para viver recebendo trabalho da vida.
E ainda ontem chorei de angústia.
E ainda ontem vibrei de alegria.
E ainda ontem nasci.
E ainda ontem dei luz.
Porque a vida passa.
E com ela passamos.

Juju