segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Quero




Hoje é mais um daqueles dias em que queria não querer...

Queria muito, e muito pouco também.

Queria uma casa na beira da praia, um lugar que fizesse calor tropical de dia e um friozinho gostoso a noite.

Queria avistar o horizonte da janela do meu quarto, uma porção de cobertores macios e um bom livro na cabeceira da cama. Nada de celulares ou despertador.

Queria uma TV com comédias românticas e ao lado potes de batatas-pringles e caixas e caixas de bis.

Queria um jardim com flores, uma bicicleta que me permitisse fazer pequeniques pela manhã.

No entardecer, queria passear pela orla, sentir a brisa bater pelo rosto, sussurrando a despedida de um dia bom.

Queria um banho demorado na banheira, com muita espuma e óleos, com sabão com cheirinho de nenêm.

Queria tomar uma sopa quentinha e degustar-me no prazer de meus sonhos.

Queria fazer com que esse nada que a mente nos permite ter se tornasse nesse tudo que as utopias nos levam a crer.

E viajar.

Nada mais querer...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Lágrimas

Chorei. As vezes choro. O choro é a alma se manifestando pelas janelas dos olhos. Chorar pode parecer desnecessário, e em muitas e muitas vezes não entendi o porquê da existencia das lágrimas. Somos feito um copo vazio que se enche de água paulatinamente, seja ela pura ou impura, sejam tristezas ou felicidades. O que quer que esteja nos preenchendo, precisa sempre estar no espaço ideal. Quando nos excedemos de alegrias e dores, então a alma se espreme pelo corpo, e se materializa através das lágrimas. Esse é o grito do nosso interior, seja de dor, ou de prazer.
Sou o tipo de pessoa que sente vergonha de chorar. Quase sempre me comprimo entre as frestas de meu coração, e evito deixar que essa dor se exteriorize. As prosas da minha alma, quando escritas, são uma maneira que tenho de esvaziar um pouco essa opressão ou gozo que meus olhos teimam em não deixar sair.
As vezes me sinto beneficiada pela vida, por algumas coisas que tenho, as vezes me sinto excessivamente injustiçada também. O fato, é que todos temos queixas e gratidões, o importante é sabermos dosar tudo isso com benevolência. É preciso criar um hemisfério de equilibrio, ao invés de enfatizarmos tanto os problemas e esquecermos das graças que a vida nos concede.
Sempre tive uma tendência muito grande a ter sentimentos muito extremos. Muito amor ou muito ódio, muita conversa ou silêncio total, muita compreensão ou completa falta de entendimento. Minha mãe me chamava de "8 ou 80". Nunca soube mensurar até que ponto isso era bom para mim. O grande problema de tudo isso é que quando caminho para o norte e tentam me levar para o sul, me sinto presa como um pássaro sem asas, e então me aprisiono na gaiola de meu coração.
Sei, que a vida nem sempre é ou será como desejamos. Mas aprendi que o importante é lutarmos sempre por tudo aquilo que queremos, porque mesmo que a conquista não aconteça, a razão que damos as nossas vidas é o que nos faz permanecer. Os sonhos quase sempre valem muito mais que aquilo que é palpável. Porque o real, por melhor que possa ser, nunca será ideal. Esse é o motivo porque devemos fazer da vida uma arte, para que consigamos idealizar o que temos, sendo o que queremos ser, e não precisamente o que realmente somos.
Se for preciso chorar, chore.
Faça o que tem que ser feito, mas nunca deixe de fazer o que quer que seja feito.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A origem


Muitos questionamentos, pensamentos vagos, dúvidas e decepções após assistir o filme "A origem" de Christopher Nolan. Houve quem o achasse cansativo, excelente ou difícil de entender. No meio daquela multidão que sempre sai comentando o filme, ouvi opiniões bastante diferentes. Ha de se dizer que o filme gerou polêmicas. Eu, particularmente, gostei. O filme nos mostra esse mundo obscuro e pouco conhecido que possuimos: a capacidade de sonhar. Nossas mentes são potencialmente capazes de atingir espaços inimagináveis, quer estejamos dormindo ou acordados. O que importa é que, proposital ou não, o sonho pode ser um refúgio para a realidade insaciável. O risco de tudo isso, é sabermos a diferença entre os mundos. É segurar-se para não se jogar de um prédio, simplesmente pela sensação de não sabermos mais diferenciar a qual nível realmente pertencemos. As vezes me sinto como a esposa de Don Cobb (Leonardo Di Caprio). Sinto que estou na pinguela entre o palpável e o imaginável. Viver a origem dos sonhos nos desfaz do tempo presente que passa, nos joga no limbo, mata o corpo e engrandece o prazer dos desejos. E quando enfim, alguém me fizer voltar, terei de convencer a mente da existência da vida e da diferenciação das ideias. Preciso de um amuleto que me faça entender. Preciso de um toten que não pare de girar.

sábado, 7 de agosto de 2010

Sombra


Metade de meio século, 1/4 de um século, ou simplesmente 25 anos de vida. Ainda não sei o que sei, nem se sei ainda. Não sei se aprendi o suficiente para viver, mas sei que já vivi o suficiente para aprender a reconhecer que muito pouco sei. Não sei se sinto saudade da infância, porque minha infância, apesar de prazeirosa, também foi muito sofrida. Talvez, em alguma bifurcação qualquer eu tivesse feito escolhas diferentes, seguido caminhos diferentes, mas penso que, talvez, no fim eu estivesse mesmo aqui. As vezes acho que na pressa, não parei para ler algumas placas, e assim não soube onde iria dar a estrada que percorri. Se as tivesse lido, talvez estivesse em outra direção. Quando penso que sei, descubro que ainda tenho muito, muito o que descobrir sobre minhas teorias pessoais. Hoje estou assim, um pouco confusa, um pouco imatura, mas bastante decidida tambem. Em muito deixei de errar, e por mais que o tempo esteja aos poucos corroendo expectativas, forças e sonhos, tenho me lançado com todo meu empenho em conquistar aquilo que é importante para mim. Ainda não me encontrei, afinal, acho que no fundo não sabemos mesmo quem somos ou quem queremos ser. E mesmo que não consiga criar formas que me definam, quando a luz se posicionar, serei a sombra: intocável e indecifrável, mas cheia de existência. Não me importa concluir provérbios, nem seguir paradigmas. Enquanto tiver a chance, seguirei pelas outras metades de meio séculos que puder ter.

Amanhecer


Despertar

É aquela velha história do coronel em fúria, que despeja sua raiva em seu subordinado, e no final o pobre cachorro leva a culpa de toda a cadeia furiosa. Não entendo por que temos o costume de repassarmos nosso estado de espírito as pessoas - com muito mais intensidade quando se tratam de situações negativas. Deveríamos nos recolher no breu de nossa alma e esperar simplesmente que o sol invada as frestras de nosso coração. A manhã sempre se expande entre as montanhas, porque tudo, absolutamente tudo o que se passa na vida, é terminantemente passageiro. A simplicidade consistem em recobrir o rosto, esperar que a noite parta e que venha entao, o fabuloso despertar.