Chorei. As vezes choro. O choro é a alma se manifestando pelas janelas dos olhos. Chorar pode parecer desnecessário, e em muitas e muitas vezes não entendi o porquê da existencia das lágrimas. Somos feito um copo vazio que se enche de água paulatinamente, seja ela pura ou impura, sejam tristezas ou felicidades. O que quer que esteja nos preenchendo, precisa sempre estar no espaço ideal. Quando nos excedemos de alegrias e dores, então a alma se espreme pelo corpo, e se materializa através das lágrimas. Esse é o grito do nosso interior, seja de dor, ou de prazer.
Sou o tipo de pessoa que sente vergonha de chorar. Quase sempre me comprimo entre as frestas de meu coração, e evito deixar que essa dor se exteriorize. As prosas da minha alma, quando escritas, são uma maneira que tenho de esvaziar um pouco essa opressão ou gozo que meus olhos teimam em não deixar sair.
As vezes me sinto beneficiada pela vida, por algumas coisas que tenho, as vezes me sinto excessivamente injustiçada também. O fato, é que todos temos queixas e gratidões, o importante é sabermos dosar tudo isso com benevolência. É preciso criar um hemisfério de equilibrio, ao invés de enfatizarmos tanto os problemas e esquecermos das graças que a vida nos concede.
Sempre tive uma tendência muito grande a ter sentimentos muito extremos. Muito amor ou muito ódio, muita conversa ou silêncio total, muita compreensão ou completa falta de entendimento. Minha mãe me chamava de "8 ou 80". Nunca soube mensurar até que ponto isso era bom para mim. O grande problema de tudo isso é que quando caminho para o norte e tentam me levar para o sul, me sinto presa como um pássaro sem asas, e então me aprisiono na gaiola de meu coração.
Sei, que a vida nem sempre é ou será como desejamos. Mas aprendi que o importante é lutarmos sempre por tudo aquilo que queremos, porque mesmo que a conquista não aconteça, a razão que damos as nossas vidas é o que nos faz permanecer. Os sonhos quase sempre valem muito mais que aquilo que é palpável. Porque o real, por melhor que possa ser, nunca será ideal. Esse é o motivo porque devemos fazer da vida uma arte, para que consigamos idealizar o que temos, sendo o que queremos ser, e não precisamente o que realmente somos.
Se for preciso chorar, chore.
Faça o que tem que ser feito, mas nunca deixe de fazer o que quer que seja feito.