Fico aqui olhando como tudo isso é bacana. A filha com cabelos rebeldes, como quem nada mais quer que a presença que está tendo da mãe. Brincar, se esconder, abraçar e receber esses beijos de pureza. Ter esse olhar de gratidão, porque consegui uma semana de férias e isso apenas é o suficiente para um ano inteiro de felicidade. Um final de semana com a família, fazer uma comida gostosa, ser intenso, verdadeiro, vivo. Viver. Bacana tudo isso. Bacana a organização da alma, mesmo que a casa esteja de pernas pro ar. Semana que vem começa a "labuta": faculdade, trabalho. A dor da ausência de minha filha. Mas é isso aí. Tudo muito rápido, mas ao mesmo tempo necessário e simples também. É que a roda não pára, e o descanso do peito é ter sempre o melhor, talvez nem sempre da vida, mas que seja da gente. E então, é bacana também.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Bacana
Fico aqui olhando como tudo isso é bacana. A filha com cabelos rebeldes, como quem nada mais quer que a presença que está tendo da mãe. Brincar, se esconder, abraçar e receber esses beijos de pureza. Ter esse olhar de gratidão, porque consegui uma semana de férias e isso apenas é o suficiente para um ano inteiro de felicidade. Um final de semana com a família, fazer uma comida gostosa, ser intenso, verdadeiro, vivo. Viver. Bacana tudo isso. Bacana a organização da alma, mesmo que a casa esteja de pernas pro ar. Semana que vem começa a "labuta": faculdade, trabalho. A dor da ausência de minha filha. Mas é isso aí. Tudo muito rápido, mas ao mesmo tempo necessário e simples também. É que a roda não pára, e o descanso do peito é ter sempre o melhor, talvez nem sempre da vida, mas que seja da gente. E então, é bacana também.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Aushwitz

Hoje é o dia em que se comemora a libertação dos sobreviventes de Aushwitz - um dos campos de concentração nazista com maior número de homicídios. Estima-se que mais de 1 milhão de pessoas tenham morrido em Aushwitz, no período dos 5 anos de sua permanência, entre 1940 e 1945. Os sobreviventes foram libertados pelo exército soviético em 27 de janeiro de 1945. Entre eles, os psiquiatra Vitor Frank, autor do magnifíco livro "Em busca de sentido". A história desse livro retrata bem a realidade do sofrimento vivido pelos judeus nesse campo de concentração. Ele cita detalhes da fome (note o porte físico dos integrantes da foto acima), das mortes por tifo, do trabalho forçado na neve, dos fornos onde eram queimados os corpos. Uma parte marcante do livro é quanto Vitor Frank aponta o fato dos prisioneiros terem "se acostumado" com os assassinatos. Já não os surpreendia ver pessoas sendo assassinadas, ou corpos caídos pelo chão. A apatia que os envolvia era tamanha, que não existia mais comoção. E ao final dos 4 anos em que esteve lá, já era necessária a ajuda de várias pessoas para arrastarem os mortos, já que a força física mal os permitia subir degraus. Uma fatia de pão pela manhã, uma concha de sopa a noite, agua, ervilha, alguns pedaços de batata (quando vinham). O interessante é a maneira como o autor usou seu conhecimento médico para sobreviver ao tempo em que esteve em Aushwitz. O modo como descreve a força do sentido que damos a nossa vida no reflexo de nossas superações. Um outro exemplo do terror nazista sofrido pelos judeus é o livro "O diário de Anne Frank". Há os que não acreditem na veracidade da história, eu particularmente, não só acredito como me envolvi muito com o livro. Ainda quero ter a oportunidade de conhecer o anexo onde se escondeu a família Frank. O nazismo é uma parte negra da história humana, e ainda não consigo entendê-la completamente. Já comprei livros que descrevem o caráter de hitler, sua criação e seu ingresso nas atividades políticas, até o trágico final do holocausto. Já vi filmes, revistas, fiz pesquisas sobre o sofrimento dos judeus. Quando penso que já adentrei todas as possibilidades de crueldade a que o ser humanos possa ter passado, encontro mais livros, mais filmes, mais histórias inimagináveis, que se enroscam ainda mais nesse emaranhado de assombro que tudo isso me causa.
No mais, parábens aos sobreviventes dessa tragédia, apesar da chance que tiveram de viver, ainda trazem consigo tamanho trauma. Não há como apagar.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Não Passa Tempo...
Ê saudade...Das tardes tricotando o tempo com a avó no interior gostoso em que o tempo não passa só no nome....
Das roupas que fazíamos para as barbies, do "pão-assado" com queijo, dos piques e dos muros que não cercavam nossa alegria da infância. Da jaboticaba no pé, das goiabas com bicho, do gesto gostoso da avó que me chamava logo cedo para ir estudar.
Ai que saudade! Das bonecas, dos brinquedos, das comédias, da pureza.
É uma pena que o tempo passe. E cá estamos as três: Mulheres, jovens, anciãs. Não mais crianças nem com tanto de nós para dar. Talvez, quem sabe, se Passa Tempo mudasse o nome. Tentaria "Terra do Nunca". Seria o Peter Pan.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Presa ao suficiente
Existem certas épocas de nossas vidas em que nos tornamos polidores de nosso próprio coração. Esta tem sido uma parte de minha fase atual. Tenho tentado ser uma pessoa melhor, me desfazer principalmente das mágoas e de algumas amarguras que guardamos lá no íntimo de nosso peito. Tenho apreciado mais a vida, tenho sido uma pessoa mais batalhadora e alegre. Tenho crido mais, talvez porque tenho feito mais também. Hoje chorei vendo um filme (uma prova de amor), e isso para mim é raro. Não sou do tipo de pessoa que se deixa levar assim pelas emoções, mas os filhos mudam muita coisa na gente, e assistir ao sofrimento de uma mãe, mesmo que na ficção, faz qualquer fortaleza se acabar em lágrimas. Agora, novamente me surpreendi chorando, coisa que a muito não me acontecida. Não sei se é bom ou ruim, mas amolecer um pouco as vezes, pode enobrecer alguns valores guardados na alma. É que as vezes me sinto grata por tudo que tenho. Pelo rosto, pelo corpo, pela filha, pelo conhecimento, pelo marido. Porque sei que DEUS, apesar de minha insignificância, me deu muito mais do que me é de direito. O problema todo é que nasci olhando para cima. Quero aprender mais, estudar mais, quero ser jornalista mas se o tempo me permitisse também queria me graduar em economia, medicina, direito, só pelo puro prazer de expandir meu conhecimento e conquistar cada milímetro que meu cérebro possa suportar. Quero crescer profissionalmente - e quero o mesmo disso tudo para minha filha - razão pela qual me faz ter ainda mais ambição, para ter condições de proporcionar tudo isso a ela. Tenho me sentido presa, como se houvesse cordas amarradas em meus braços. Porque queria não ter de abrir mão de estágios, de estudo, de oportunidades, simplesmente porque estas necessitam de quem não receba bem o suficiente para não poder largar tudo e se dedicar aos sonhos até que os possa alcançar. É que esse "bem o suficiente", é tudo aquilo que me permite ter o suficiente, mesmo que isso não seja suficientemente um bem.
Juju
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Não é normal
Putz!
Pensei.
Para onde vou?
Fiquei ali, estagnada no meio da rua, tentando me lembrar.
Talvez tenha sido um dia de estresse, nada de tão anormal assim.
Outro dia me peguei tentando me lembrar a data de aniversário da minha filha.
Demais?
Não para quem trabalhe com números, a mente pode se cansar.
Bater a lanterna do carro na pilastra, sabendo que vai bater, mas com a mente distante demais para freiar, esquecer o celular em casa, a janela aberta na hora da chuva, nada que um pouco de cansaço e correria não possam causar.
Protógenes diria que ainda não rasguei dinheiro, portanto, nada de loucura aparente.
Pelo menos até ontem a noite, quando joguei uma pepita de ouro no lixo.
Não sei se é comédia ou se é loucura.
Mas também não é normal.
Pensei.
Para onde vou?
Fiquei ali, estagnada no meio da rua, tentando me lembrar.
Talvez tenha sido um dia de estresse, nada de tão anormal assim.
Outro dia me peguei tentando me lembrar a data de aniversário da minha filha.
Demais?
Não para quem trabalhe com números, a mente pode se cansar.
Bater a lanterna do carro na pilastra, sabendo que vai bater, mas com a mente distante demais para freiar, esquecer o celular em casa, a janela aberta na hora da chuva, nada que um pouco de cansaço e correria não possam causar.
Protógenes diria que ainda não rasguei dinheiro, portanto, nada de loucura aparente.
Pelo menos até ontem a noite, quando joguei uma pepita de ouro no lixo.
Não sei se é comédia ou se é loucura.
Mas também não é normal.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Lado a lado com o tempo
Estive a imaginar a vida, e essa corrida maluca, essa perda constante de pessoas, oportunidades e valores. É como se estivéssemos em um campo, e sobre ele passasse uma carruagem, com cavalos que cavalgam rumo a esse infinito cheio de mistérios que se perdem na história. Não basta cruzar os braços e observar a pista. É preciso estar lado a lado, acompanhando esse passos apressados que o tempo tráz para nós. É como se o tempo fosse o cavalo, e a carruagem nossa bagagem pessoal. É ela quem nos dá as chances, os mantimentos, os amores. E quase sempre, um momento que a distração nos envolve, é o suficiente para que nos afastemos e não mais possamos alcança-la. E o tempo não volta, não escuta nossos gritos no vácuo de nossos passados empalhados em paredes. Se não conseguirmos acompanhar o amor que anda ao nosso lado, ele pode se afastar sem que possamos perceber. É que toda distância só pode ser notada quando nossos braços já não conseguem segura-las. Temos de correr rente a essa caminhada ligeira, agarrarmos nossas chances, enquanto ainda estão ao nosso alcance. Correndo e semeando sobre o campo, caminhando e colhendo o que a vida tem a nos dar, enquanto ainda somos capazes. As vezes sinto, pelos anos que perdi trancando meus estudos, e vejo o quanto essa separação entre mim e minha bagagem profissional me fez perder oportunidades valiosas. Hoje tento recuperar esse atraso, corro com todas as minhas forças em busca desse tempo que passou ao meu lado sem que eu pudesse notar. Hoje vejo quantas pessoas deixaram que eu me afastasse delas, porque não perceberam que um amor que se vai, dificilmente consegue ser alcançado novamente. Tenho estado nessa luta constante, por tudo o que perdi, por tudo aquilo que tem pressa em ser conquistado, por toda a semeadura que joguei ao chão e não me preocupei em regar. Enfim, descobri que não somos jovens para sempre, que um amor não sobrevive se não for retribuido na mesma proporção, que as oportunidades se vão, e que é preciso estar em forma, aquecer nossos passos, acompanhar esse cavalo que passa ao nosso lado. Não há como pará-lo.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Haiti
Tenho assistido perplexa a toda essa tragédia no Haiti. Dizem por aí que esse foi o pior terremoto dos últimos 200 anos no país. Mas será que há 200 anos atrás houve algo parecido com essa catastrófe? Não acredito que possa ter havido algo pior. Eu diria até que esse foi o pior terremoto do país, desde a criação de seu solo. Toda essa destruição me lembra histórias do nazismo, os corpos amontoados, as pessoas sendo enterradas em valas, sem serem sequer identificadas dignamente. A podridão e o mau cheiro invadem a cada dia a população local. Os cadáveres inchando ao sol, sendo recolhidos por tratores, como restos de entulho. E não há como criticar. Essa é a maneira mais racional de se evitar a dissiminação de doenças e a propagação do mau cheiro. Não há tempo para chorar as lágrimas da despedida. E muitos a essa altura estão mais preocupados em procurar comida e água potável do que pelos próprios parentes falecidos. Uma cena de horror. Não entendo o porquê de tudo isso. E também, não teria por que tentar compreeender. Talvez seja reflexo da escolha da fé desse povo, talvez seja o fim dos tempos, talvez seja uma mera fatalidade natural que por uma triste coicidencia resolveu acometer justamente um dos povos mais sofridos e pobre do planeta. Não há preparo nem expectativa de um recomeço. O bom de tudo isso é saber do apoio que tantas nações têm dado. Porque isso é prova que apesar de tantos conflitos, ainda existe demonstração de amor na terra. O difícil mesmo é quando ouvimos uma outra parte da história, como cenas do filme "um ensaio da cegueira". É que o ser humano, no apse do desespero acaba se esquecendo da dimensão do sofrimento que o cerca, e passa a saquear, matar, ir em busca de algo que o alimente e mate sua sede. É a famosa luta pela sobreviência. Todos temos. O lamentável é saber que nossa solidariedade termina onde começa nosso sofrimento. quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Intolerância
É engraçado como tudo na vida é uma questão de esforço. O pior é o peso que sentimos de quem se debruça sobre as costas do outro. Seria muito mais fácil se todas as pessoas com quem convivemos fossem pró ativos e fizessem algo que não fosse esperar. Trabalho com pessoas competentes e pessoas acomodadas. Certa vez li uma frase marcante, que repito sempre que me é oportuno: "Quando os funcionários de um gerente são mais competentes que ele, é porque ele é mais competente que eles". Isso é verdadeiro, mas não é fácil. Eu, particularmente, ainda consigo me sentir indignada com certas perguntas que ouço no decorrer do meu dia. E o pior de tudo isso, é saber que as respostas para essas perguntas tolas provém tão somente da preguiça de pensar e querer um pouco de autonomia e desempenho. E então, para não piorar essa situação avassaladora que o mercado de trabalho nos oferece, eu fico calada. Deixo minhas palavras para meus blogueiros de plantão, que nada tem haver com a incompetência - nem com a intolerância.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Apenas
Começo a achar que 2010 vai ser um ano bom. Talvez não venha a estar entre os melhores da minha vida, mas acredito que será bom. Não que tenha motivos para pensar assim, nada palpável ou vísivel. Entretanto, me sinto mais preparada, mais forte talvez. O simples fato de me sentir segura já é o suficiente. Parei por um instante e comecei a vasculhar minhas fotos. Na tela do computador, é claro. Afinal, na era tecnológica em que vivemos, quase não vemos mais as tradicionais fotografias de papel, naqueles albuns pequenos da Kodak. Hoje somos parte desse emaranhado virtual. E lá estive, namorando, me casando. Bons momentos de lua de mel em Porto. Dá saudade. Deu saudade também do meu parto - talvez até daqueles kilinhos a mais que me faziam sentir uma bola de futebol. Mas passa. Tudo passa. Outro dia estive no consultório do pediatra da minha filha, resmungando, implorando para que aqueles primeiros três meses de vida se fossem depressa e com eles as madrugadas em claro. E o sábio dr. Fabricio me dizia para não desejar que o tempo se fosse depressa, porque quando vai não volta mais. E não volta mesmo. Tudo na vida é único demais e precioso demais para que desejemos que se vá. Porque as lembranças não podem ser vividas, apenas recordadas. E isso é um pouco de tortura misturada com gostosura - por mais incrível que pareça. É que me perdi aqui, nessa mistura de planos, recordações e fé. E agora estou um pouco aérea, um pouco com sono, mas bastante radiante também. Porque tenho vivido um momento novo, mudado valores, atingido um novo patamar de responsabilidade. Tenho me exercitado, trabalhado, e me estressado bastante - natural nesse planeta moderno. Mas, para quem gosta de escrever, eis aí um pequeno grande desabafo, uma escrita estranha, mais uma prosa dessa alma. É que hoje não sei o que quero dizer, tudo o que sei é que quero. Apenas.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Conquista
As ventanias aparecem, levam nossas casas, tiram-nos o sossego, sopram nossos corações. Mas nem tudo na vida se resume a tempestades. É bom saber que apesar de mais notados e transparecidos, os dias ruins não são perpetuos em vida alguma. O díficil mesmo é sabermos distinguir um dia bom, apontá-lo como tal, vivê-lo com a mais intensa sensação. Porque temos o costume de valorizar os bons momentos apenas quando se tornam parte do nosso baú de recordações. As vezes, algumas conquistas que se aproximam ou se cumprem, são suficientemente capazes de acalmar um coração, alegrar uma mente, motivar um vida.
Juju
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Confiança
A vida é uma aventura. Nunca sabemos quando e como morreremos. Não sou do tipo de pessoa que sente medo de falar de morte. Eu até gosto de falar sobre ela - motivo pelo qual já fui repreendida por muitos. Não que eu sinta vontade de morrer ou tenha gosto na morte. Mas é algo inevitável, não uma mera possibilidade. E é isso que me faz achar algo necessário de ser discutido. Hoje, tudo o que quero é adiar ao máximo esse momento, porque tenho minha filha. E isso é um bom motivo pra querer envelhecer - e colocar todas as minhas forças nisso. O simples fato de estar aqui e poder lutar pela felicidade dela, é a maior de todas as razões do valor que tenho dado a minha vida. O problema é quando nos deparamos com uma porcentagem a mais da probabilidade desse momento, digamos, inevitável. É que todos temos dezenas - ou centenas - de chances de sermos acometidos por algo inesperado: doenças, acidentes, desastres. Não há como prever. Quando entramos em um avião, por exemplo, sentimos o sangue gelar, o pulso acelerar (eu particularmente), simplesmente porque sentimos que nossa probabilidade de morte aumenta, mesmo que em números pequenos - estatísticamente comprovados. É um tanto assim que me sinto hoje. Bastante tensa, ansiosa, temerosa. Porque as vezes, na vida, temos de parar e imaginar algumas situações que não queremos que aconteça, mas que estão aptas a acontecerem. Não vale a pena falar, nem lamentar. O principal é a confiança que temos de que tudo vai de certo. De uma forma, ou de outra.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Preparando uma vida
Criar um filho é uma tarefa muito difícil. Nunca sabemos se estamos dando a melhor educação, pelo menos, na concepção de uma mãe, qualquer correção e qualquer carinho está no momento e na proporção correta. E essa é a grande armadilha. Fico pensando, se a rigidez ou o carinho que emprego a minha filha estão na medida ideal. Nunca sei me responder. Sou, ás vezes, um tanto rígida. Para mim, não há nada pior que corrigir um filho e vê-lo cercado de paparicações em seguida. E parece pulga. É quando damos as palmadas ou os chingos, que surgem as dezenas de "paparicadores". Dá até uma vontade de jogar um inseticida e mandar toda essa praga bem intencionada pra longe dali. Entretanto, tenho medo de ser rígida além do necessário. Deve ser pelo pavor que sinto de crianças mimadas e com excesso de dependência. Sinto muito por não poder dar a minha filha o tempo necessário, tanto para disciplina quanto para o amor. Outro dia ouvi, de uma dessas mães superprotetoras, que não se deve deixar um filho com ninguém. Esta, por sinal, decidiu não ter mais filhos, porque segunda ela, não existem pessoas confiáveis o suficiente para se deixar uma criança. Nada de escolas, nada de babás, nada de ir na padaria ao lado ou ao ginecologista sem levar o filho junto. E ainda - se referindo ao fato de eu ter deixado minha filha em um berçario aos 5 meses de idade - disse ser muito fácil ter filho e colocar na escolinha. O que ela não sabe é o quanto é difícil fazer isso. E por quantas manhãs fui trabalhar aos prantos por isso. Fácil é poder largar tudo (ou nada) e se dedicar integralmente a um filho. É ter tempo e dinheiro para isso. Difícil mesmo é ter de trabalhar para pagar as contas, ir para a faculdade e se abster de ver seu filho crescer, sorrir, e deixá-lo ser educado por pessoas que nem sempre pensam como você. É deixar um filho em casa com febre e ter de ir trabalhar mesmo assim. Mas o mais engraçado de tudo isso, é que pela primeira vez me senti feliz com esse sacrifício todo. Porque percebi, que por mais que as dificuldades existam, não estou construindo redomas ao redor de minha filha. Posso tentar poupá-la da crueldade humana, mas não posso poupá-la da vida. Porque um dia ela vai crescer. E não sei se estarei sempre aqui para ser essa redoma. Consegui, pela primeira vez, me sentir aliviada por ter de trabalhar e perder todos esses momentos com ela. Porque a vida é mesmo assim. É preciso estar preparado.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Vazio
Há pouco descobri que me tornei uma pessoa que não consegue mais chorar. Minhas lágrimas secaram, como um lago que não existe mais. E isso é muito, muito estranho. Só vivendo para saber como é. Pelo menos, para quem chorava a cada folha que caía ao vento, não conseguir chorar nem mesmo na pior situação, pode ser verdadeiramente uma calamidade. Isso me assusta bastante. As vezes páro e faço meu auto-retrato, como uma máquina de raixo-x que percorre todo o corpo, a alma e o coração. E não me encontro. Tudo o que vejo é um monte de carne e uma porção de sangue. Alguns ossos, alguma veias e órgãos também. Mas eu não estou ali. Não me acho, por mais que me chame ou grite meu nome.
A parte sensível que sobrou em mim, é Deus, minha filha e a escrita. O primeiro, soberano, não sei se está tão perto assim. A segunda, sinônimo de pureza, é a transmissão daquele amor incondicional e verdadeiro, que ninguém mais um dia haverá de ter por mim. Pelo menos enquanto ainda for criança. E é isso que me dá forças pra querer, buscar e continuar. Porque o ser humano, como um todo, já não me importa mais. Não é egoísmo da minha parte. Apenas deixei de acreditar nesse amor adulto que nem sei se existe. Um amor que trouxe comigo da infância, cheio de sonhos e ilusões. Não mais acredito nele. Existem pessoas boas, gentis. Mas nunca o suficiente para se entregar por completo, abrir mão de si próprio, sofrer com a distância, querer sempre um pouco mais. É aquele frio na barriga que perdeu uma parte de suas cócegas. E isso não me fez menos feliz ou mais sofredora. Me fez mais acordada e um tanto madura, talvez.
A escrita é o pedaço do retrós que me permite degustar de um pouco de esperança. Me permite raspar o tacho desse coração vazio. Penso, que se um dia não conseguir me aproximar de Deus, e minha filha crescendo e se unindo a essa teia de desapego da vida crescida, me sobrará tão somente as letras que me permitem susurrar. Serei eu e a escrita. Estaremos anciãs, em uma cadeira de balanço, retratando um velho coração vivdo. Lendo e saboreando. Esperando que me enterrem, com meus davenios, e minha solidão.
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