sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Alexandre

Alexandre é um cara engraçado. Não que seja "piadista", humorista ou comediante. Sua graça vem de suas atitudes um tanto quanto desresgradas e incomuns. Não, Alexandre não tem o cabelo rosa, não usa trajes diferentes nem possui gestos estapafúrdios. Alexandre trabalha, tem mãe e tem casa. É um cara como qualquer um desses que se encontra por aí. A sutil diferença aparece no descompromisso com a vida, na falta de zêlo com toda essa normalidade que tem. Não te importa acordar mais cedo, ou mais tarde, ou fantasiar histórias como o famoso "mundo do Bob". As pessoas acham graça de toda essa desgraça que se torna tudo isso. É que o Alexandre, muito pouco preocupado, vende tudo, tudo mesmo da casa e da mãe quando precisa de um troco qualquer. Não, ele não é drogado. Tudo isso é parte dessa despreocupação que tem com a vida, e claro, com as formalidades. Alexandre manda flores para as balconistas do banco, se engraça com as gerentes bonitas, e faz de seu cargo de office boy um roteiro de guia turístico. Já tentaram o subir de cargo, mas não adiantou. É que o Alexandre, muito esperto, prefere passear pelas ruas da capital. Outro dia ouvi um - dos muitos - comentários sobre esse cara que trabalha, mas nada quer com a dureza. E me manifestei - bastante indignada - pela fama que tem de vagabundo e pelo futuro que jamais terá. A diferença, disse, é que o Alexandre dá trabalho para a vida, enquanto nós trabalhamos para viver.
juju

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Razões

Por muitas vezes sofri mais pela mágoa que guardo do que pelo rancor que guardam contra mim. É que a felicidade do perdão que concedo é maior que o alívio do perdoar que recebo de quem um dia me odiou.
Muita das vezes não sabemos o quanto pode ser simples um momento de alegria, porque colocamos sobre o outro toda a nossa responsabilidade de realização.
Hoje queria muito uma ducha bem fria e uma cama bastante aconchegante, apesar de saber que o dia em estiver completamente disponível, me sentirei ainda insatisfeita pela falta de algo útil para fazer.
Não sei quando nem como aprenderemos a ter um pouco de contentamento. Mas sei, que essa busca incessante que nos rege, é que nos faz acordar todos os dias e enfrentar nossas próprias limitações. Porque na vida, nem sempre é preciso mais do que temos a oferecer, quase sempre é preciso apenas que existam razões.
juju

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Definitivo (Carlos Drummond de Andrade)

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento,perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...
(Drummond)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009


Novo ano

A cada findar de um ano há uma renovação de expectativas. E é isso que mantém o mundo. Seria muito difícil se não participassemos desse espírito de recomeço, dessa sensação de melhorias e superação. Porque é isso que um novo ano nos traz: esperança. E as vezes o acreditar, por si só, já é suficiente para nos fazer vencer, mesmo que essa conquista seja simplesmente contra nossos próprios medos. E então criamos metas, empenhamo-nos em buscas dos planos, cansamo-nos, e somos supreendidos com o renascer de mais uma virada, de vida, de sonhos, de ano.
juju

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Procurando estágio

O mercado de trabalho é uma coisa engraçada. Não se sabe a quem procurar ou o que irá encontrar. Há muito vejo, como gerente, a procura incesante por profissionais qualificados. Sempre pensei que o alto índice de desemprego era uma simples consequência da falta de bons profissionais. Hoje, na metade do meu curso de jornalismo, tenho começado a pensar que o mercado é tão exigente quanto os cadidatos são despreparados. A dificuldade é em igual proporção: a procura pelo emprego e empregado. A diferença é que sempre fui "contratante" e agora estou na fila dos contratados. Começo a notar que as necessidades de qualificação são específicas, e por isso a dificuldade. A empresa ou o cargo exigem com tamanha peculiaridade aquela "pecinha" para se encaixar nesta figura simétrica dos processos operacionais. E muitas não se dipõem a lapidarem seus candidatos, por motivo de tempo e - claro - dinheiro. Contraditóriamente hoje, não entrevistarei para as vagas da empresa que gerencio. Estou a procura de uma entrevista, que me permita uma chance de fazer valer essas prosas, de maneira informativa, investigativa ou siplesmente de maneira estagiária e jornalistica.
juju

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Minha alma sorri

Cá estou, nesse momento que me satisfaz de maneira inigualável. Para meus blogueiros, não há de ser novidade: escrever é o fascínio que faz minha alma sorrir. É pena que o tempo não me permita navegar entre as letras, como um marinheiro que veleja sem data de retorno ao lar. Ah! E chegará o dia em que construirei uma cabana no campo, ou uma casinha diante do mar, e me regozijarei na leitura e na escrita, e passarei meus dias - todos eles - mergulhada nessas cócegas de minha vida. E então serei eu e as prosas. Deixarei minha alma falar.
Juju

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Divino

Hoje estive pensando nessas complicações eventuais da vida e em como Deus - para quem acredita - deve se entristecer com essa criação frustrada da sublimação humana. É que é tudo assim, tão distante desses preceitos mágicos de família, amor e união, que já nem sei mais se já comprovei de maneira ininterrupta, algum desses valores de vida. A complexidade com que criamos nossos próprios desaventos não pode ser compreendida por mim. Gostaria de algum dia entender o porquê dessa simplicidade que se manifesta nos mais incompreensíveis desamores. E então, talvez, resolver esses conflitos internos - e externos - e compartilhar um pedaço desse "eu" desconhecido, que é tão frágil quanto a camada fina do ovo, e tão sentimental, que inundaria uma galaxia com a divindade que se tentou fazer, mas não deixou de existir.
juju

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Brigando com o tempo


Às vezes me vejo brigando com o tempo. Brigo, brigo tanto que já nem sei mais se brigo contra ele ou por ele. É que quando menos espero, já estou aqui bisbilhotando o que já não tenho mais. Meu bebê de colo, meu recém-nascido; aquele pacotinho cor-de-rosa que carreguei em meus braços e que me dizia que nada seria como antes. Esses momentos curtos, mas incomparavelmente preciosos, que se passam como se fossem um sorvete que se derrete ao sol. E já não há o que o faça reviver. E o mais engraçado, é que sinto falta, até dos momentos que não pude partilhar. Das tardes que passo no trabalho, enquanto minha filha se absorve desse mundo sem que eu possa ensinar. Dos sorrisos que não vi, dos primeiros passos que não presenciei. É quando me perco, nesses problemas de gente grande, e contraditóriamente me vejo implorando que tudo passe, que os anos corram e que me reguem de maturidade. Queria que o tempo parasse, e me deixasse desfrutar um pouco mais. Queria que o tempo passasse, e meu deixasse sobreviver à fúria que me tentar derrubar. Se vencesse esse tempo que passa, teria que brigar com o tempo que se foi. Se vencesse o tempo que vai, teria que brigar com o problema que ficou.
Juju

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Respeito

Não abram as minhas portas, quando estiverem fechadas.
Não entrem no meu espaço, enquanto a mim pertencer.
Respeitar é a dádiva da vida. Com respeito não há guerras, não há lamúrias nem discussões.
Não tentem penetrar meus pensamentos, enquanto forem meus. Não tentem planejar meus planos, enquanto eu os puder sonhar.
Me permita viver, nem que seja sem qualquer favor, porque até mesmo o ônus da carga, também, a mim pertence ainda.

No seu quadrado

A ironia, a poesia e a arte são maneiras de cantarolar dissimuladamente.
E então a gente finge que acredita, se deixa levar, se enraivesse e ""esquece"".
É que nada há, e seria bem mais fácil suportar, cada qual em seu lugar, cada vida em seu espaço, e cada um - no seu quadrado.
juju

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Pintando a vida

Vamos então à prosa de hoje. Proseando e celebrando essa arte que é a vida. Sim, porque para arte não há definição: ela simplesmente existe. E a vida, assim como a arte é inexplicável e sem sentido algum. Talvez até tenha algum sentido ou qualquer mera importância que seja. Mas tudo isso varia de acordo com seu entendedor.
A vida é uma tela branca com centenas de milhares de pincéis e mãos. Nós, como artistas, temos e não temos o valor que nos é proporcional. Alguns vivem por todo tempo no anonimato. Outros se destacam, mesmo quando nada se tem a dizer.
E então, os encontros tecem a história enigmática - quem haverá de decifrá-la?
Ou quando haverei de entender...
Juju