É tempo de julgamento. No banco de réu, Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá. Não há quem não os conheça e acredito que ainda serão tema de estudo em muitas universidades brasileiras. Já os estudei em meu curso de jornalismo. Não sei se são culpados, tudo indica que sim. Mas é aquela velha regra: "todos são inocentes até que se prove o contrário"... Então, que se prove ou se entregue à Deus! Esse fato lamentável aconteceu quando estava grávida de minha pequena. Chorei desenfreadamente. Não consigo olhar aquela fotinha sorridente que me desmorono imediatamente. Pensei em colocá-la aqui nesse meu espaço pessoal, mas não seria forte o suficiente para conviver com essa imagem. Sei perfeitamente, que crimes como este ou de pior proporção acontecem diariamente. Mas não podemos negar que aquele rostinho cativou milhares de pessoas em todo o mundo. Uma judiação. Lendo os jornais pela manhã, vi o relato da mãe, Ana Carolina, e a descrição de suas lágrimas durante o seu depoimento. "Aí, logo vi minha filha caída na grama, do lado direito de quem entra no prédio. Quando cheguei, eu a vi. Ajoelhei na frente dela. Coloquei a mão no coraçãozinho dela, que batia bem rápido..." Fico aqui pensando em minha pequena. Não sei se saberia suportar a dor de perdê-la. É imensurável. Penso que perder um filho seja como perder uma alma, ter um corpo com casca e sem conteúdo. Como aqueles caramujos que encontramos perdidos na infância. Geralmente secos, sem vida. Porque não há mais ninguém ali. Chego a sentir uma incrível sensação de desespero só de pensar por um momento.... Tenho pena dessa mãe. Tenho pena dessa criança linda que perdeu a vida, mas tenho plena convicção de que esteja com Deus. Não há como conduzir uma escrita imparcial sobre esse assunto, sem me voltar para esse lado materno inexplicável que trazemos conosco. Que seja feita justiça. E que haja conforto.
terça-feira, 23 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
Medo de errar
Hoje fiz um rápido balanço do que tenho feito das 24h que Deus me dá a cada dia. A maior parte, claro, trabalho. No total dedico 9:30 do meu dia para o trabalho, integralmente, sem intervalos. 2:30 passo no trânsito. 15 minutos almoçando. Os outros 15 vou ao banheiro ou bebo um copo de água, mas existem dias que não "sobra" esse tempo também, então, garganta seca e bexiga cheia - adiante! À minha filha querida, dedico meros 30 minutos diários. Durante 4 horas estudo. 1h de higiêne pessoal. Por 6 horas dou-me a graça de dormir. E fiquei ali pensando, enquanto dirigia, é claro,em um momento raro em que não estava ocupada demais acompanhando o relógio ou resmungando desaforos com o motorista ao lado. As esquinas que cruzei me trouxeram fotos da infância, do colégio que estudei, das brincadeiras que vivi. E quando vi, chorava. Não era nostalgia, nem tristesa. Era medo. Não pude acreditar que dessas 24 horas que tenho, entrego 30 minutos a essa pequena que tanto amo. Então tive medo de estar jogando fora os melhores momentos da minha filha. Tive medo de fazê-la sofrer. Tive medo de desistir de tudo e perder a chance de me realizar profissionalmente. Tive medo que minha vida fosse interrompida sem que eu pudesse viver os frutos dessa correria toda. Tive medo que o tempo passasse, e as oportunidades também. Tive medo dos conflitos, das escolhas. Tive medo de errar.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Compartilhando a inexistência
Sabemos porquê não jogamos tudo pro alto, e desistimos dessa construção que a muita chuva fez desabar. Temos razões que nos fazem ir levando em frente. Ambos necessitam suportar, pelo menos enquanto ainda se parecem necessários, cada qual com seu motivo pessoal. O que importa é saber que tudo isso não passa de uma necessidade, que não se baseia nessa história toda que foi planejada um dia. Agora, tudo tem sido feito em conjunto, para fins individuais. Porque no final, não seremos mais. Será. E serei.
sábado, 6 de março de 2010
Hoje quero falar de mim...
A primeira imagem que consigo me lembrar em meu baú de recordações, se inicia em um caminhão de mudanças, do gutierrez para a cidade jardim. Um belo apartamento, grande, arejado, em um bairro da zona sul. Esta foi a fase da minha vida que sempre quis congelar. Relembro meu quarto branco, exalando pureza. Tinha uma penteadeira com espelho, muitas, muitas bonecas. Entre elas muitas barbies, um cascata, uma mônica, uma rosinha e um ursinho que falava. Estudava em um colégio bacana, bastante tradicional ainda hoje. Tomava sempre umas sopinhas de letrinhas coloridas, nadava nos finais de tarde, fazia das escadas escorregadores, e misturava em muitas das vezes minhas brincadeiras femininas com os carrinhos do meu irmão. Bons tempos. Aos 6 anos me mudei pela primeira vez de colégio, de cidade, de vida. A separação de meus pais. As vezes fico me perguntando, como seria minha vida hoje se meus pais não tivessem se separado, se tivesse permanecido com uma vida de classe alta, na zona sul. Se minha estrada não tivesse feito uma curva, numa brifurcação qualquer. Teria outro caráter, talvez outra pele, outros dentes, outra educação. Porque na vida somos frutos do meio, parte do aprendizado que as vivências nos proporcionam. Quando penso nisso, tenho um certo alivio por pensar que poderia ter futilidade, e em algumas vezes sinto pesar pelo sofrimento que seria poupado.
Aos 7 anos vi minha mãe infartar pela primeira vez. A possibilidade de não ter aquele último pilar da minha vida me fez ser uma pessoa ainda mais frágil e temerosa. Perder toda a segurança de um lar até então sem defeitos, perder o casamento dos pais quando não se entende ainda que um relacionamento vai muito além do que nossas mentes possam entender, é demais para uma mente tão nova. Não podia perdê-la, então chorei detrás de um carro junto ao meu irmão mais novo. Tudo o que sabíamos é que tinha sido um infarto. Portanto, nada sabíamos.
Aos meus 9 anos de idade ajuntamos as malas e nos mudamos para Paiva. Novo colégio, nova vida. Penso que essas mudanças incessantes de escola foi um dos motivos mais fortes pelo qual nunca tive amigas de muito tempo. Não tinha tempo o suficiente para isso. Chegar em uma cidadezinha com menos de 5 mil habitantes, ver sua mãe casada novamente, passar fome... Ainda me lembro a vontade que tive de comer uma maça. Não penso que custe mais de 2 reais hoje em dia. Minha mãe tentou suicídio e não tínhamos ninguem além de nós mesmos: eu e meus dois irmãos. Três crianças perdidas.
Não sei por que resolvi escrever tudo isso aqui hoje, talvez esteja apenas tentando entender como cheguei até aqui. Como me tornei ao mesmo tempo uma pessoa reprimida, sem amigas, tímida, mas extremamente batalhadora, perseverante e por incrível que possa parecer: forte e frágil. Posso transpor uma montanha e me abater com uma palavra. Como uma rosa que se defende com os espinhos, mas pode ser ferida na fragilidade de suas pétalas.
Aos meus 11 anos tive de conviver com a ideia de ter um irmão de 16 usuário de drogas. Muitas noite passei acordada esperando que chegasse bem em casa. Tudo isso me custou a infância, apesar das boas recordações que ainda guardo comigo, do piques, das brincadeiras que tive no interior, com meus primos, meu irmão e minhas colegas de escola. Mas meu processo de amadurecimento foi um pouco acelerado. Sempre conversei com minha mãe como uma pessoa adulta, sempre tive um sofrimento guardado muito profundo, porque tudo, tudo o que sonhava era com uma casa comum, com pais casados e felizes, com uma única escola, com amigas de longa data, com uma infância menos tumultuada.
Com 12 anos dei meu primeiro beijo e fiquei menstruada pela primeira vez. Minha mãe não estava lá e senti muito, muito medo. Tenho ainda guardado um diário em que escrevi o medo terrível que senti porque realmente não sabia o que fazer. E então aos 14 deixamos o interior, voltamos para a capital, alugamos um pequeno barracão. Novos colégios, nova vida. Absolutamente tudo mudava, os problemas mudavam, não deixavam de existir. Minha adolescência passei em uma igreja evangélica. Apesar de não ser como antes, de não frequentar a igreja como antes, agradeço a Deus por toda ascendência que ocorreu em minha vida. Por meu irmão ter largado as drogas, por minha mãe ter deixado de fumar, pela GPJ que é o maior símbolo de toda essa vitória, pelas conquistas. Aos 15 anos descobri minha paixão pelo jornalismo. Nunca mais perdi a convicção e a certeza de que não conseguiria ter qualquer outro tipo de graduação senão este. As vezes fico pensando no que foi que deu errado pra mim. Ou em tudo o que ainda não deu certo. Costumo dizer que meu maior defeito é ser romântica. Esse é o meu ponto de maior fragilidade. Nunca tive vontade de ter muitos relacionamentos, mas apenas um que tivesse muito amor. Sempre fui idealista demais nesse sentido ingrato da vida. Li muita Julia, Bianca, Sabrina... E então, sofri ainda mais. Me apaixonei muito e na maioria das vezes não fui correspondida. Sempre esperei telefonemas no dia seguinte, que jamais aconteceram. E quanto mais a decepção aumentava, mais me tornava uma pessoa sonhadora e posteriormente sofredora também. Hoje sou uma mulher adulta, um pouco mais madura, mas com muito ainda a aprender da vida. Sou mãe, e tenho tentado aprender a educar um filho, acredito que aprender errando com filhos não é uma boa opção, por isso todo cuidado é pouco. O que fazemos hoje pode afetar definitivamente toda uma história de vida. Sou o maior exemplo de tudo isso. Passei toda a minha infância e minha adolescência voltada para o bem estar da minha mãe, para hoje, contraditoriamente, não nos darmos nem um pouco bem. Sou casada, há quase 4 anos. E descobri que um casamento só existe se tiver diálogo. Isso foi mais uma coisa que tive de aprender com a falta, como muitos de meus aprendizados. Aprendi também a não esperar flores, nem jantares a luz de velas, nem romance. É que dizem por aí, que uma pessoa boa, fiel e prestativa é tudo aquilo em que preciso me agarrar. Não se pode querer mais isso. Nem me dão mais que isso também. Mas ainda assim, sou feliz, apesar. Tenho 24 anos de idade. Tenho trabalhado quase 10 horas por dia, sem horario de almoco. E ainda estudo a noite. Deixei de ganhar 3 vezes o que um trabalhador brasileiro ganharia, para correr atrás de um sonho. E não tem sido fácil para mim. Mas não pretendo desistir também, porque a qualidade de um vencedor é nunca desistir. Tenho tentado fazer disso tudo, mais um aprendizado, porque tudo na minha vida sempre me ensinou bastante. Quero sugar da tv bandeirantes tudo aquilo que puder me acrescentar qualidade e experiência na minha profissão, e é isso que não me deixa olhar para trás e lamentar toda a abaundância que estou abrindo mão. Isso se chama ter olhos de águia, porque nao posso olhar apenas para o que vivo hoje, tenho que olhar onde os caminhos que sigo irão me levar um dia. É sempre bom olhar mais distante antes de fazer escolhas. Essa é a razão porque quase sempre fazemos opções erradas. É preciso tentar enquanto ainda somos jovens, enquanto ainda temos sonhos. Porque o tempo passa. Enquanto muitos têm me chamado de louca, tenho comigo a certeza de que lutar por aquilo que queremos é a maior prova de que a nossa felicidade realmente importa, nem que seja para nós mesmos. O que não podemos é um dia contar hostórias de tudo aquilo que um dia desejamos ter, é preciso conquistar, ou pelo menos tentar. Tudo o que quero para mim hoje, é ter uma carreira sólida, que minha filha tenha uma boa educação e uma vida feliz, que eu possa deitar sem me preocupar com nada, que eu possa gastar sem a necessidade de cálculos. Que eu possa acreditar no romance. Que o amor recomece. Ou que comece.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Humano
Correria danada. Vai pra lá, volta pra cá, remaneja, rebola, etressa bastante. Nada fácil. Sou extremamente revoltada com essas mulheres revolucionárias que pediram tanto igualdade trabalhista. Quem me dera ficar em casa, cuidando dos filhos, da casa e do marido. Quem me dera ser mulher! Cá estou, contribuindo diretamente com as despesas de casa, estudando, me reciclando dia-a-dia, dirigindo carro, trabalhando em dois empregos. Agora sim sou um pouco de tudo: meio gerente, meio jornalista, mãe, esposa, motorista, administradora de finanças... E no final das contas, apesar de achar que tudo isso me sobra, sei que tudo isso faltaria.
É...
Ser humano.
terça-feira, 2 de março de 2010
Quando deixamos cair o pão...
Não adianta esperar que o pão caia com a mantega virada para cima. Quando a fatia vai pro chão, todo o resto vai junto. É bem como acordar de mau humor, ou ter grandes motivos logo pela manhã que te deixem fora de si, o resto do dia será ranzinza, isso é inevitável. Qualquer tropeço que damos, por mais que não machuquemos, faz com que sintamos dor, mesmo que causada pela vergonha ou pelo fracasso do tombo. A vida é uma verdadeira lei de Murphy, quando é para dar errado, dá mesmo, não há solução. Nenhuma palavra mal dita volta vazia, perder um anel ao invés dos dedos não isenta a dor sentimental e afetiva que o objeto possa significar. É que essa porcaria toda tende a piorar cada vez mais. Não tem jeito mesmo. Tudo se inicia de uma ação, que produz uma reação, em semelhante força, proporção e intensidade. Não se pode esmurrar uma parede sem esperar que a dor se reflita igualmente no impacto empregado. E então, se não segurarmos bem, o pão cai, e igualmente o lado vira, a mantega suja o chão... Bastava segurá-lo bem....
segunda-feira, 1 de março de 2010
Experiência
Hoje tive uma experiência nova em minha vida. Aparentemente sutil, mas muito significativa para mim. Fazer um treinamento na TV bandeirantes, apesar de não ser a maior nem a segunda maior emissora do país, é de suma importância para qualquer estudante de jornalismo, mesmo que em um único dia. A vaga é única, os candidatos são muitos. A oportunidade pode passar, o aprendizado não.
Assinar:
Comentários (Atom)


