
olhos de cigana oblíqua e dissimulada, olhos de ressaca... Como aquela, que chega sorrateira, a menina-moça que encanta, com seu jeito meigo e seus gestos recatados... Não é preciso ser atriz, não é necessário ser puritana, nem santo, nem demônio. Capitu que é Capitu, só precisa ser mulher. E homem, que é homem, só mesmo Machado de Assis.
A pintura, extraordinariamente realista, da mulher que ninguém sabe quem é, que pode ser a vilã ou simplesmente a mocinha, apenas alguém conseguiu retratar.
Mulher, quando quer, engana o pai, o amigo, o vizinho, com a maior facilidade. Ilude marido, engana o patrão, muda o caráter, faz cara de dor e derrama as mais sofridas lágrimas.
Não é atoa, que dizem por aí, que a Eva persuadiu Adão. Essa tal de formosura, é a cobra que voa no esplendor de suas cores de verão. Ela se enrola no pescoço do Bentinho, e ainda hoje, e ainda, nos próximos séculos, nem eu mesma saberei, se Capitu traiu ou não.
