segunda-feira, 30 de novembro de 2009

domingo, 29 de novembro de 2009

Não sei

Eu não sei o que me aprisiona mais, se é o medo da sociedade ou o medo que sinto de minha incapacidade de vencer meus medos pessoais. Tudo o que sei, é que me aprisiono nessa infelicidade inérte, que não parte nem se arrebenta, pelo contrário, se expande cada vez que piora um pouco mais. É que um dia sonhei. E sonho ainda, muito. E quanto mais sonho, quanto mais peço, quanto mais falo, mais os passos se afastam e me fazem ser um pouco mais sonhadora, um pouco menos realista. O mal de tudo isso, é que meus sonhos me alimentam de coragem, e me retiram o prazer das vivências da realidade que sonhei para mim. Nem eu mesma sei o que digo, o que escrevo, o que sinto. Tudo o que sei é que não o tenho. E o quero. E também, não quero mais.
juju

sábado, 28 de novembro de 2009

Ódio

"Finalmente, o ódio que julgas ser a antítese do amor, não é senao, o próprio amor que adoeceu gravemente". Já dizia Francisco Xavier. E nada tão certo e verdadeiro. Não é atoa que dizem que o ódio e o amor andam próximos, e a verdadeira maneira de demonstrar o desamor é através da indiferença. O ódio é como uma ferida, que começa pequena e se expande, perdendo o controle. De fato, apenas um amor ferido, machucado, nos faz querer gritar, esmurrar, apedrejar esse alguém que nos fez adoecer com tanta gravidade. O ódio não se cala, não renega, não despreza. O ódio quer ser ouvido, quer punir, que desabafar a dor que sua doença o faz sentir diariamente. Um coração ferido não se aquieta. O amor? Talvez exista, mas não sobreviva mais. Talvez não supere a doença que o aflije, e morra. Talvez já não grite, nem denuncie ao mundo que um dia sequer existiu. Talvez, um dia, se torne frio, indiferente, quieto e congelado, como a pedra que não se move, não se exalta e não sente também.
juju

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Suportando

Não tá fácil não. O que me tranquiliza é saber que tudo passa. O vento sopra, as migalhas se dissipam. O que não podemos é desanimar, nos deixar abater, prostrarmos em nosso próprio sofrimento. O sofrer é algo que deve se manter guardado, escondido da vida. Não podemos deixar que nossa dor invada nossos poros e se reflita em nossa face. Nossa imagem é nossa carta de apresentação. O mundo não escolhe rostos desfigurados, mentes abatidas. É preciso ter um coração forte, independente e resolvido. É preciso que a dor, o sofrimento e a angústia, se aconcheguem no divã da nossa alma. Temos de ser psicólogos também. É necessário dominar a explosão que aquece o peito, jogar uma porção de água fria no rosto, levantar-se. E então, após nos vestirmos da roupa camuflada da guerra, nos armamos de coragem e fé. É que esta última, imprescindível, é que nos ajuda a nos manter de pé. Não importa em que acreditamos. O mais importante de tudo é nos agarrarmos firmemente em nossos sonhos, e vivermos para eles. Porque mesmo que estejam longe, ou simplesmente não possam ser alcançados, o sentido que nos faz ter, é que nos permite suportar.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Além do normal

Aqui estou, nessa instabilidade humana de praxe. Um dia bem, no outro nem tanto.
Tem dia que acordo arrojada de objetivos, e no outro, me vejo exausta e sem perspectivas.
É que o mundo, as vezes, pesa bastante. Essa correria diária, essa calculadora que me faz retirar daqui para suprir ali, essa ânsia pelo melhor que nunca está ao alcance, tudo isso, e muito mais, são toneladas que se agrupam sobre as costas. A educação da filha, meus estudos, meu trabalho, minha fé. Tudo um pouco, em sua necessidade específica, exige um tanto de mim. E no final das contas, vai se o sumo, fica-se o bagaço, murcho e sem sabor. É por isso que somos feito malabaristas, equilibramo-nos para lá e para cá, nesse barbante de problemas e soluções. Tentamos resolver os problemas, encontrar soluções, e ainda temos de nos manter estáveis, aptos a conviver na sociedade, no comercio, na selva. É preciso sorrir, conversar, pensar, planejar, conviver. É preciso ser ator, ser maestro, ser mestre e aprendiz. É preciso ser normal. E além disso também.
Juju

terça-feira, 10 de novembro de 2009


Oceano

A vida é mesmo esse mar de ressacas e maresias. Existem dias que somos a fúria e a bravura, a força e a veneração. E então somos mansos e desanimados, tão murchos e sem vontade alguma que nem assusta nem faz ninguém querer. Não temos bússolas, nem somos marujos. Somos as ondas que batem firmes, como o assombro do peito, não se sabe quando nos trará o ímpeto do silêncio que não se quer ouvir. Somos indomáveis, imensuráveis. Há os que têm sujeira, há os que fabricam pérolas, há os que se transbordam nas cores das espécies e os que se sublimam para mostrar ao mundo a ternura dos corais. Mas de tudo, somos sempre essa imensidão de mistério: não se sabe o que se guarda nem a distancia que carrega no ínfimo de suas entranhas. No final, seremos nós e o fogo, e há de se saber a força que possuem essas águas da vida. Porque um dia, nos submergiremos nos moinhos dessas ondas, e nos misturaremos em nossa própria criação. Ficarão o céu e a terra. E o oceano na mudez de sua magnitude.

juju

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A vida continua

O que mais me espanta nisso tudo é essa mania desgraçada que temos de procurar cabelo em ovo. Quando não estamos demasiadamente preocupados em encontrar problemas onde não deveria ter, estamos enfiados numa busca maldita por um amor que jamais existiu. E isso não é amargura, nem excesso de negatividade. Isso é uma pitada de realismo. É que quando a casa cai que percebemos que a madeira estava podre e não poderia se sustentar. Então, argamassa na pá e gente pro trabalho árduo, porque a batalha é longa e quem não quer ficar sem teto precisa de um recomeço breve. Os mais importante é o aprendizado e a maturidade, que o tempo não apaga, mas acrescenta. Há a tristeza que parte, as lembranças que ficam, os filhos que ninguém tira. Há os sonhos que ressurgem, os planos que se transformam, e a vida, que continua.
juju