2011 foi um ano ímpar. E isso, pelo menos, não é ruim. O que é ímpar não se divide, não tem igual, não há simetria. Não quero outro desses. É preciso admitir: há muitos benefícios na dor. Um deles é o aprendizado e, não nego, esse eu recebi bastante.Foi no fundo, lá embaixo, desse abismo todo, que tirei um tempo para Deus. Ele é sempre nossa última possibilidade, a alternativa reserva da vida. E isso eu também aprendi. Deus não é apenas um ser paralelo que está sempre aposto para atender ao aflito - Ele é perfeito demais para ser deixado de lado. Comecei a perceber que, no meu angustiante cotidiano urbano, tinha tempo para quase tudo. A alguns me dedicava um pouco mais, a outros um pouco menos. Sempre me lembrava de ligar para a filha, ir ao salão, assistir um filme com as amigas ou passar um dia de folga inteiro dormindo, meramente. Mas, a Deus pedia desculpas: É muita correria, Senhor.
Não dou muita bola pra esse tal misticismo. Já brinquei que o número onze, talvez, seja um carma da numerologia, entretanto, eu tenho comigo aquela pitada de racionalidade - ela me faz reconhecer que minha vida é a colheita da semeadura e os frutos podem vir no ano 11, 12 ou 13... Eles sempre aparecem, não há como evitar.
Esse ano, colhi as conseqüências de um bocado de soberba, recebi o resultado de um comportamento rixoso, comi da semente podre que cultivei e me apeguei no descaso que eu mesma ofereci a Deus. Foi um ano de desgostos. Um período em que gripei a cada mês, gritei a cada mês, na voz oculta da alma. Um ano de enxaquecas, um ano de tristezas. O dinheiro foi escasso, o prazer foi escasso, lágrimas abundantes... Há quem chame isso de exagero, há quem chame de drama, há quem se compadeça, há quem seja indiferente... Eu, particularmente, ignoro. Porque 2011 foi, realmente, um ano professor.
Ele me ensinou a me importar menos com o que as pessoas pensam e a cuidar mais do meu próprio jardim. Me fez ver a sutil diferença entre independencia e auto-suficiência. Nossa capacidade de vencer não está ligada a outrém, apesar de não sermos suficientemente tolerantes à contínua solidão. Somos livres de escolha e dirigentes da própria força, mas precisamos da existência - para existir.
Meus nove meses de separação me geraram e sei que hoje, ainda, engatinho. Há um longo caminho pela frente. Ainda é preciso aprender os passos, as palavras, a maturidade e a sabedoria. Tenho fé que 2012 será um ano melhor, ainda sem carregar a utopia do renovo das comemorações. Os problemas não se foram, muitos ainda permanecem, de pior ou melhor proporção. Há os que foram sanados, os que não trouxeram qualquer proveito e os que serviram de lição. O que importa, porém, é saber que o interior vem sendo tratado, e um espírito iluminado clareia qualquer escuridão.
Meus nove meses de separação me geraram e sei que hoje, ainda, engatinho. Há um longo caminho pela frente. Ainda é preciso aprender os passos, as palavras, a maturidade e a sabedoria. Tenho fé que 2012 será um ano melhor, ainda sem carregar a utopia do renovo das comemorações. Os problemas não se foram, muitos ainda permanecem, de pior ou melhor proporção. Há os que foram sanados, os que não trouxeram qualquer proveito e os que serviram de lição. O que importa, porém, é saber que o interior vem sendo tratado, e um espírito iluminado clareia qualquer escuridão.
Não me incomoda ser chamada de careta, quadrada ou políticamente correta. Mas é com prazer que acordo às 6h da manhã para falar com Deus, que me acolheu, prontamente, quando eu mais precisei. E é tentando fazer a coisa certa, ser a pessoa certa, tendo a plena convicção de que só temos condições de cobrar quando, antes, cumprimos com nossos deveres, que venho banindo, gradativamente, aquilo que não me era benéfico.
Aprendi a valorizar mais a família, a aceitar as pessoas como elas são. Tenho respirado fundo no trânsito, antes de chingar. Pouco a pouco, tenho perdido inquietudes, deixado pela estrada meus anseios. Me acometi de uma certeza estranha de que tudo vai dar certo. E continuo, sim, falando o que penso, preservando minha sinceridade. Sorrio quando quero, não quando me é oportuno, ainda que isso desagrade à multidões. Trato bem àquele que prezo, não por conveniência, mas pela importância que esse alguém representa para mim. Bajuladores ainda não preencheram a lista dos meus favoritos...
É nesse 2012 que entro... Com erros e acertos, fé e atitude, trabalho e retidão. Porque descobri que tudo isso aí, com uma pitadinha de humildade, é muito mais convicente que o choro do necessitado. E Ele, antes de ser amor, sabe o que é ser justiça. Isso, também, 2011 me ensinou. Despeço-me com alívio, carrego, portanto, minha gratidão.
Seja bem-vindo, 2012.
