Lá vem o motorista nessa terra de desordem. Na rua, um pedestre parado, esperando o sinal abrir. Não está na calçada onde deveria, deve ter pressa em partir. Lá vem o motorista estressado, esperando a manobra do caminhão. E lá perto um ajudante manobrista, parece um malabarista. Mexe os braços, pára tudo. O que está atrás buzina, o que está na frete chinga, o que está do lado tenta passar. O caminhão estaciona, o motorista nervoso aciona, e tudo volta a andar. E então, mais a frente, o catador de papéis. Andando calmamente, parece não se importar. E lá vem o motorista, tentando não mais parar.
O taxista, atrás de seu ganha-pão, encosta ali mesmo na pista. O passageiro entra, a família também. Guarda as malas, guarda a bolsa, o periquito e o papagaio. O motorista vai pro lado, tentando se desviar, o motoqueiro surge do nada, feito uma bomba a estourar. Se arrisca entre um e outro, tentando não se atrasar.
O ônibus do ponto a frente, está cá na pista da esquerda, e lá vem o trocador, com o braço pra fora, pedindo o famoso favor. É preciso deixar passar, se não quer se estrapolar, um gigante e um pequenino, não há como confrontar.
E lá vem o motorista, dessa terra de desordem, passa aqui, passa acolá, tentando não se zangar. Passa as ruas e as pessoas, veículos e motociclista. Cada qual em seu destino, sem saber quem vai chegar.
Juju