Desde a infância, quando me perguntavam de qual qualidade mais gostava, eu dizia: o respeito. Ainda hoje penso que o respeito é, de todas, a maior virtude que uma pessoa pode ter. Conviver com as diferenças não é uma tarefa fácil, mas pode ser capaz de mudar o mundo, disseminar o amor, criar a paz, abrandar conflitos e perpetuar gratidão.
O corpo humano é o maior exemplo que temos neste aspecto. Me admiro com a sintonia perfeita com que órgãos, tecidos, ossos e membros conseguem trabalhar - ainda que todos sejam diferentes e únicos, são essenciais para o bom funcionamento do conjunto todo. Nenhum trabalha sozinho. Nenhum é menosprezado ou tratado com insignificância.
O cérebro, apesar de dotar-se de inteligência e liderança, não se manteria vivo sem um coração. Os dedos, apesar de inúmeros, são, por sua vez, diferentes - cada um com suas próprias digitais e igualmente importantes para uma boa realização de tarefas. O corpo humano se respeita e, portanto, se ama. O corpo humano se respeita e, portanto, é grato pela cooperação de cada parte. O corpo humano se respeita e, portanto, vive em paz. O copo humano se respeita e, portanto, sofre quando algo adoece - ainda que seja uma pequena célula, uma minúscula enzima, um microscópico anticorpo...
Respeitar-se nem sempre significa estar de acordo com que o outro faz. Eu, particularmente, não concordo com relacionamentos homossexuais. Entretanto, nunca desrespeitei quem tem esse tipo de opção sexual. Tenho amigos gays e amigas lésbicas, e amo a todos eles tanto quanto aos heterossexuais. Não discuto ou tento impor minha opinião e isso, para mim, se chama respeito. Pensar diferente e aceitar diferenças. Aceitar que minhas crenças religiosas nem sempre serão condizentes com as das demais pessoas. Enquanto eu tiver espaço para demonstrar minha fé, a usarei. Quando minha fé ultrapassar os limites da tolerância e aceitação do próximo, me recolherei.
Muitos religiosos são vistos com maus olhos por causa do fanatismo que, afinal, é uma grande representação do desrespeito daqueles que tentam impor, de todas as formas, doutrinas espirituais pela goela das pessoas. Não há melhor amostra de Deus do que o próprio exemplo. E seria bem mais fácil se esse tal respeito, sendo praticado junto a um comportamento semelhante daquilo que se prega, dissesse todas as palavras que os insistentes e intolerantes fanáticos tentam dissuadir por aí...
Sou do tipo que não acredita no padre que ensina sobre o casamento, nem no pobre que prega sobre a prosperidade ou no doente que fala de um Jesus que cura... E tão pouco daria ouvidos a alguém que, tendo manifestado total desinteresse em sua pregação, insiste em me dizer palavras que ultrapassam o limite do respeito e passam a se tornar incomodo. Deus, por si só, já é o maior exemplo do respeito. Ele não nos obriga a fazer o que é certo, tão pouco a buscá-lo ou obedece-lo. Pelo contrário. Deixou-nos o ensinamento. Mostrou-nos o que é certo e errado e, então, deu-nos o livre arbítrio para escolhermos aquilo que quisermos. Somos livres, apesar do amor que Ele sente por nós. Simplesmente porque, apesar de ter dado a própria vida em prol dos seus filhos, respeita suas decisões.
Escrever
Gosto muito de escrever. Já senti a escrita como parte de mim - maneira sutil e excessivamente perturbadora de mostrar meus sentimentos. Já escrevi textos jornalísticos, acadêmicos, cômicos, poesias... Mas, alguns deles trouxeram uma entonação de profunda dor e tristeza. Jamais escrevi para dramatizar minha vida ou expor minha intimidade, pelo contrário. Escrever, para mim, é uma espécie de ar, calmante, força de expressão... Se não escrevo, não falo. Se não falo, guardo. Se guardo, sofro. Portanto, escrever alivia parte de algum sofrimento meu.
Há algum tempo venho deixando gradativamente de escrever. A principal razão é a falta de respeito. Não quero público, nem plateia... Somente um espaço aberto onde pudesse abrir minha alma. Se os que ali passassem se interessassem, teria prazer no aconchego de um olhar ou na carícia de uma mensagem deixada carinhosamente... Mas se, de todos, nada ficasse manifesto, não me importaria. Porque escrever me faz pulsar e, para isso, é preciso, tão somente, de mim mesma. Caí na bobeira de usar redes sociais para isso... E, pouco a pouco, percebi que esse tal respeito não existe ali também.
As pessoas preocupam-se muito mais em criticar o que se escreve do que em oferecer ajuda, conversar, se calar, afastar-se... Há algo no ser humano que o incita a julgar, opinar, ultrapassar limites... Seria tão mais fácil tentar entender o que se passa e, ainda que não concordássemos, cercar o espaço em torno do sofrimento alheio para que os envolvidos colham da suas próprias decisões. Essa foi uma das razões pela qual exclui, pesarosamente, boa parte das coisas que postei em redes sociais. Nossas manifestações de alegria, tristeza ou meros dizeres sem qualquer valor, levam às pessoas apenas o encorajamento ao desrespeito e disso eu não preciso mais.
Respeitando
Já fui taxada de egoísta por não me intrometer na vida dos meus familiares. Não sou imune a dor de outrem, tão pouco ao que sentem ou passam meus parentes e amigos. O que nunca concordei foi com a intromissão e o desrespeito. Não cabe a mim avaliar ou apontar o certo e o errado nas decisões amorosas das pessoas, salvo quando elas próprias me pedirem opinião.
Não cabe a mim condenar ou julgar as escolhas feitas ou muito menos tentar dissuadir o que foi construído para que prevalecesse aquilo que EU acredito. Cabe a mim, no máximo, alertar, caso perceba algo mais grave e, após isso, apoiar. Somos adultos, maduros o suficiente para tomarmos nossas próprias decisões, ainda que sejam erradas e incoerentes. E, independentemente do que aconteça, optarei pelo respeito. E isso significa estar de braços abertos quando algo der errado, oferecer meu colo e, novamente, apoiar. Apoiar, quantas vezes for preciso. Porque isso se chama RESPEITO. E respeitar não é interferir... É dar amor, semear a paz, cultivar gratidão... Essa é a razão pela qual admiro tanto essa palavra.

































