Último dia do ano. Muita chuva. Minha filha adoecida, os olhinhos caídos, duas noites mal dormidas. Uma dor de cabeça tremenda. Nada de grandes expectativas para essa noite. Mas ta aí, valeu a pena. Tudo na vida vale a pena, desde que tenha sido vivido. Inclusive as coisas ruins. O pior de tudo é ficar na espreita, observando a vida. Sei que essa frase é rotineira, mas o ano passou mais depressa que todos os outros. E acredito que os próximos também passarão, porque é sempre assim. Vivemos nessa sensação intensa de que tudo se foi ainda mais rápido, quando na verdade são os mesmos 12 meses a cada novo ano. Fico aqui pensando, que amanhã será 2010 e ainda não consigo me agarrar a toda esse sentimento de renovação. Vejo as pessoas pra lá e pra cá, comprando suas apostas da mega sena acumulada, afinal, só temos mais 2h para isso e como todo bom brasileiro, tudo fica sempre para última hora. Os amigos, os parentes, os colegas de trabalho, todos fazendo sua fezinha. Uma chance em quase 2 milhões de apostas. Acho que 2 reais é muito dinheiro para uma porcentagem dessas. Ou talvez seja muito dinheiro para tão pouca fé. Não perco meu tempo, nem meu dinheiro. Acho que esse ano estou mais pé nó chão, mais realista, mais racional. Talvez seja bom, talvez não. Mas quero fazer, ao invés de sonhar. Não quero mais ficar esperando a sorte bater na minha porta, o príncipe me buscar no cavalo branco e a família marinho ou o bispo Edir Macedo vir aqui me convidar para ser âncora de uma emissora de televisão. Quero estudar mais, batalhar mais, tentar mais. Hoje para mim é um dia de desabafo mais que um dia de comemoração. 2009 não foi um ano de grandes conquistas. Não posso generalizar, mas de um todo, não foi. Foi um ano de bons momentos e poucas obras. E essa é a parte boa do novo ano: lá no fundo do nosso peito temos sempre a sensação de que tudo será diferente. Só não quero me encher, quero deixar acontecer. Não quero estourar fogos, quero bater as pedras na alma, até que as faíscas acendam chamas em mim. Esse novo ano, quero esperar menos da vida. Porque esperando menos, tudo o que vier é mais. E deixando de esperar, irei buscar.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Novo
O melhor do ano novo, é podermos dar a chance de realmente acreditar que tudo será diferente. É parar por um instante e deixar reviver na memória os momentos inesquecíveis, pegar-se rindo sozinho dos dias especiais, sentir saudade daqueles que passaram em nossas vidas, procurar ao máximo aprender com os erros e não cometê-los outra vez. O bom de tudo isso, é a fé que surge no peito, com toda essa expectativa que nos enche de força e de fôlego. É traçar novos caminhos, consertar-se, acreditar. E caminhar. Porque um novo ano, é uma nova estrada. E uma nova estrada, é sempre um recomeço.
juju
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
2010
"E disse aos seus discípulos: Portanto vos digo: Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis. Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que as vestes.
Consideirais os corvos, que não semeiam, nem segam, nem têm despensa, nem celeiro, e Deus os alimenta; quanto mais valeis vós do que as aves? (...)
Considerai os lírios, como eles crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.
E, se Deus assim veste a erva que hoje está n0 campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?
Não pergunteis, pois, que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos. Porque as nações do mundo, buscam todas essas coisas, mas vosso Pai sabe que precisais delas. Bsucais antes, o Reino de Deus, e todas essas coisas vos serão acrescentadas"
Lucas 24-31
Consideirais os corvos, que não semeiam, nem segam, nem têm despensa, nem celeiro, e Deus os alimenta; quanto mais valeis vós do que as aves? (...)
Considerai os lírios, como eles crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.
E, se Deus assim veste a erva que hoje está n0 campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?
Não pergunteis, pois, que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos. Porque as nações do mundo, buscam todas essas coisas, mas vosso Pai sabe que precisais delas. Bsucais antes, o Reino de Deus, e todas essas coisas vos serão acrescentadas"
Lucas 24-31
As vezes é preciso se agarrar nessas palavras, sentir conforto, aquietar-se. Não é fácil. Muita coisa não é. Nós não somos fáceis. O melhor que fazemos é olharmos em frente, acreditar. A vida é uma inquietação diária, e complexa. Que pai ou mãe não se preocupa com o melhor para seus filhos? Alguns, talvez. Mas a maioria não. Quando temos filhos, a alegria aumenta, a responsabilidade também. Passamos a ter mais preocupações, a sermos pessoas mais focadas em dinheiro, porque infelizmente, dele provém a boa vida e a abundância aos filhos. E assim, fica mais difícil jogar tudo pro alto, despreocupar-se com os dias que virão. Talvez seja instinto. Passamos a ter motivos para lutar, trabalhar, viver. Tudo o que quero é o melhor dessa vida a minha filha. E talvez por isso Deus tenha deixado palavras como essas acima, nesse livro sábio que se chama bíblia. Porque pais não abandonam filhos, não os deixam passar fome, não os deixam sem vestes. Espero, fervorosamente que em 2010, meu coração se aquiete, minha vida seja bela como os lírios dos campos, meu sustento seja certo como os corvos que não semeiam, mas não se preocupam. Que eu seja filha de Deus para me aconchegar em seus braços. Que tudo se ajeite e o dinheiro aumente sim, porque preciso dele. Que a alegria tome conta de mim. A saúde, o amor e a paz sejam frquentes em mim, minha filha e meu marido. Que não sejam apenas promessas, seja clamor, fé, e que se cumpra, enfim.
sábado, 19 de dezembro de 2009
Revolta
Uma criança que ainda nem começou a viver direito. Há dois anos, apenas, saboreia do ar que respiramos. Tem dado na vida os seus primeiros passos, pronunciado suas primeiras palavras. Não há maldade, não há forças. É apenas um bucado de pureza e sinceridade e já lhe cravaram dezenas de agulhas em todo o corpo. Eis aqui minha indignação. Não há como fingir imparcialidade ou esconder tamanha fúria. Logo eu, que sempre consegui me manter nos eixos, nas mais profundas desgraças que já vi ou ouvi falar. Sempre fui contra essas atitudes insanas de cercar delegacias, criar tumultos, querer agredir suspeitos dos mais bárbaros crimes. Deixem que a justiça os julgue, e que cumpram a pena que lhes for cabido. E que tenham chance de se redimir. Nesse caso não me contento. Desejo, profundamente, que digam sim onde esse ser que se diz humano está encarcerado, e que derrubem as paredes, que lhe apedrejem e lhe façam sentir. Mas que não o matem. Seria doce demais. É bom que o faça sofrer. Não lhe apliquem pena de morte, nem o faça se livrar das garras da sociedade. Se eu mesma pudesse, colocaria em sua pele dez vezes mais o número de agulhas que colocou nessa pequena criança. A meu ver, esse foi um dos piores martírios de que já tomei conhecimento. Nem hitler em sua infinita crueldade se iguala a esse ato despresível. Este, colocava criancinhas em câmaras de gás, e as matava em poucos minutos. O outro, a fez sentir dia-a-dia, o tormento das agulhas adentrando a frágil pele. Até os Nardoni, se culpados, não se comparam a esse monstro que brotou la na Bahia. Jogar criancinhas da janela é assustador, a perda da vida inocente é assombroso. Mas há de se pensar que a morte repentina dói menos que o sacrifício parcial. Tortura. E o pobre, sem poder falar ou expressar tamanha dor. Quem irá retirar esse trauma da alma desse bebê que mal conhece a vida direito? Será que o governo pagará psicólogos e psiquiatras? E se pagasse, resolveria? Não sei que mundo é esse em que vivemos. Mas não consigo imaginar a dor que sentiu esse garotinho, durante 30 longos dias, de seus 2 primeiros anos. É lamentável que existam pessoas assim. É lamentável para esse garoto, ter nascido no meio de pessoas tão selvagens e cruéis. Que DEUS puna cada um dos envolvidos nesse ritual imperdoável. Porque a revolta que existe em nós, seres humanos, é capaz de nos fazer enlouquecer mediante a tanta crueldade. Torço, profundamente por justiça, e que seja lenta, dolorosa e árdua.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Profissão ingrata
A profissão do jornalista é mesmo muito ingrata. Digo isso antes mesmo de ter me formado ou trabalhado nela. Isso é como um casamento errado. Apaixona-se, aí não tem mais jeito. Quando o fato se consuma é mais difícil ainda de se separar. Hoje, após ter gastado uma quantia enorme com estudos, me sinto amedrontada a largar essa união e partir para outra. É assim que funciona em um relacionamento falido. Os investimentos de tempo, sentimento e dinheiro são superiores a falta de expectativas de um futuro promissor. O problema todo, é que me deixei levar por essa paixão doentia que sinto por essa profissão inválida. Sim, uma profissão sem mobilidade, sem sustento. Ceguei-me por minha fragilidade humana: deixar levar-se pelos anseios do coração. Não há como negar a beleza de ser um jornalista. Escrever, reportar a vida, relatar os fatos, ser justo e imparcial. O simples fato do dia-a-dia desigual e incomum, de visitar acidentes e eventos, subir favelas e palanques. Ser fiscal da vida. Tudo teoricamente esplêndido e incomparável. O jornalismo é uma profissão que - na maioria dos casos - é escolhida por amantes fiéis, pessoas cheias de entusiasmo com a escrita, atualidades e com a comunicação. Mas é refém de um mercado fechado. Não há vagas de emprego, a procura é maior que a oferta. Tudo o que encontra-se são pequenos grupos, que contratam mais por pistolão que por competência. E os que se encaixam pelo mérito exclusivo, tem uma pitada de sorte na vida. E para quem tem filho, casa, marido, tudo isso passa a ser utópico demais para ser vivido. Começo a decepcionar-me com o jornalismo, como a esposa que tem para si aquilo que jamais sonhou. Tudo o que sei, é que começo a olhar ao meu redor, a procurar novas portas. Quero uma profissão valorizada, que me atribua valor. O pesar que tenho, é que o tempo passa. Continua passando. E já passou um bucado, enquanto me perdia de amores jornalísticos.
Juju
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Recordando
Querendo
Queria que tudo fosse diferente. Queria ser diferente. Queria morar em lugar diferente, trabalhar em lugar diferente. Queria escrever, mas trabalho com contas. Queria quadrado veio redondo, queria menino, tive menina, queria mineiro, me casei com baiano. Hoje quis arroz, comi sanduíche, ontem quis de cebola, comi original. Queria descansar, mas ainda estou exausta, queria brincar com minha pequena, mas estou sem clima. Queria dormir mas estou no computador, queria gritar e novamente engoli. Queria chingar e aguentei calada, queria explodir mas ainda não acendi a pólvora. Queria ir embora, mas estou aqui. Queria não querer o que quero, mas continuo querendo o que a vida não quer para mim.
Juju
sábado, 5 de dezembro de 2009
Não me atrevo
Hoje fui tomada por uma dose imensa de desânimo. Como se espetassem uma agulha da mais pontiaguda em mim e sugassem boa parte do meu sangue. Estou, ainda, com aquela sensação de fraqueza no corpo e vertigem na mente. Não, nada de grave aconteceu. Apenas um fiasco de chateação. Um pouco de sono a mais e um bucado de sonhos a menos. Sinto, como se tudo não cooperasse para meu bem - talvez porque eu não ame a Deus. A verdade é que não amo mesmo. Porque se amasse, não faria muitas das coisas que faço - e deixo de fazer. Muitos não o amam, apenas não sabem disso - ou não admitem. Tudo o que sinto em relação a Deus, é que Este é muito puro e muito grande, para que tenhamos a coragem de pedir qualquer coisa que seja, quando não fazemos um mero esforço para merecê-lo. Trago um imenso temor, e por isso prefiro estar aqui, observando, escrevendo, simplesmente, ainda, viva. O problema todo não é Deus. Nunca O culpei de nada, nem pelos indesejáveis acidentes, nem pelas tristes desgraças da vida. É que nada que nos cerca, acontece senão por nós mesmos. Tudo aquilo de maléfico que há no mundo não ocorre por nada mais além de nossas próprias atitudes. E Deus, não tem nada com isso. Ele está lá, sentado, observando essa confusão toda que acontece aqui em baixo. E por que não se manifesta? Porque não merecemos. Ele é justiça, antes de ser amor. Por isso não O cobro, não levanto minhas mãos e meus olhos para o céu para me indignar com nada. Até a absorvição carece que passemos a não cometer mais os mesmos erros. Por que me atreveria?
Juju
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Coração de mãe
Ser mãe é mesmo uma coisa engraçada. Nunca me imaginei, parando no meio da rua e olhando admirada para uma menininha que passa, e que jamais vi em toda a minha vida. É que desde que tive minha filha, não posso mais ver menininhas caminhando por aí. Pareço uma boba, que nunca viu criança antes. E sempre bate aquela saudade maluca, uma vontade doida de correr e abraçar meu pequeno tesouro. E então, no meio do expediente, abro minha agenda e me deparo com sua foto. Uma bebezinha linda, sorridente, que vem crescendo desenfreadamente. E quando vejo, já me perdi nessa viagem materna, nas lembranças de cada momentinho com ela. E as lágrimas brotam, os sentimentos apertam. Já nem sei mais o que estava fazendo.
Bem que dizem, que só mãe pra entender um sentimento de mãe. É que é algo tão grande, tão incalculável, que não há como descrever. Toda essa ansiedade que carrego comigo, de chegar em casa o mais breve possível, só para vê-la caminhando, com aqueles passos atrapalhados, e o sorriso alegre de me ver. Tudo isso é que me faz viver. Tudo isso é que me faz querer. E apesar de sentir, ainda não consigo entender. Coração de mãe é um baú de mistérios. E jóias.
juju
Bem que dizem, que só mãe pra entender um sentimento de mãe. É que é algo tão grande, tão incalculável, que não há como descrever. Toda essa ansiedade que carrego comigo, de chegar em casa o mais breve possível, só para vê-la caminhando, com aqueles passos atrapalhados, e o sorriso alegre de me ver. Tudo isso é que me faz viver. Tudo isso é que me faz querer. E apesar de sentir, ainda não consigo entender. Coração de mãe é um baú de mistérios. E jóias.
juju
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