sexta-feira, 30 de julho de 2010

Hoje queria

Hoje queria..

Uma casinha feita de chocolate,
com uma lareira bem quentinha
cheirinho de amor no ar.

Hoje queria...

Um cobertor bem fofinho,
uma cama macia,
um minutinho de paz.

Hoje queria...

Estar no campo, no inverno.
Estar na praia, no verão.
Estar no jardim, na primavera.

Hoje queria...

Não falar nada.
Não errar nada.
Nada mais que isso...

Viver.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Prisioneiro da liberdade

Tudo o que posso ver é uma cadeira na beira do oceano. Um infinito vago, uma mistura de paz e temor. Eu estou ali, sentada, sem saber se espero que uma onda me arranque da margem, ou se me atiro na bravura dos braços que se atrevem a tentar a travessia. E então, me pego nos meus lapsos de memória, tenho medo de perder a capacidade de relembrar. Luto na contradição desse ímpeto que tenho as vezes de esquecer quem sou, de onde vim, para onde vou. Desligo-me do sons, já que não posso desligá-los. E tranco-me, nesse silêncio vasto, nessa monotonia vã, nesse monólogo surdo. Minha alma sussura com as cordas roucas das letras. Queria escrever minha história, ao invés de escrever sobre ela. Apaga-la, refazê-la, deixá-la em uma prateleira para os utópicos romancistas, para os fascinados roteiristas. A vida, entretanto, é para os aventureiros. Para os que saltam de cordas, para os que se atiram das montanhas. A chance da adrenalina se consiste na escuridão. A possibilidade trágica, a realidade consistente é suficiente para os amantes dessa peça sem ensaios. E então, paralelamente, estão as cadeiras na frente das telas, dos que se imaginam num canto qualquer, com um horizonte qualquer, com pessoas quaisquer, fazendo qualquer coisas. Porque a vida, apesar de bela, polêmica, prazeirosa e perigosa, não é suficiente para um escritor. Na falta de poder escreve-la, ele deixa de vive-la, e passa a se tornar o livro, aprisionando o corpo e libertando a alma.

domingo, 25 de julho de 2010

Caminhadura

Hoje comentava sobre as imaturidades da adolescência. Em como algum dia, lá na frente, enxergamos tudo de maneira diferente. A mente, em outro capítulo, se expande como um lince que se distancia para ampliar sua visão da vida. O corpo, cada vez menos próximo da terra e mais próximo do céu, consegue atingir uma extensão maior de captação de espaço, entendimento e sabedoria. Caminhamos. Nem sempre sei para onde, por quem ou para que. Mas também não consigo parar. As vezes me encontro, na grama que me acolhe na beira do lago, na amizade que me sorri sem nada mais desejar, na filha que me chama com a pureza da alma. Me perco na paixão que consome o peito, nos sonhos que as mãos não apalpam, no cansaço que corrói o corpo e consome a juventude da mente. Sigo, nos encontros, nos desencontros. Não sei, realmente, que caminho é esse. É que dizia o Djavan, dessa semeadura, quem poderá fazer, aquele amor morrer?
"Nossa caminhadura
dura caminhada
pela estrada escura...
Se o amor é como um grão:
morre, nasce trigo.
Vive, morre pão."
Ah de se morrer. Perder.
Ah de se plantar, nascer.
E vivendo, sustentar.
A vida é mesmo assim: se morre, se nasce, se cria, se alimenta.
Essa....
É a nossa caminhadura.
Dura caminhada.

domingo, 18 de julho de 2010

Beija-flor

Quando pequena, me faziam aquelas velhas perguntinhas que todos já devem ter respondido algum dia: qual animal gostaria de ser? Um beija-flor - eu dizia. Ele voa, se alimenta do néctar das flores, quase nunca é caçado ou capturado e é o único pássaro que consegue se manter no ar sem se desolcar. Não conseguia ver apenas a fofura dos ursos pandas, a simpatia dos golfinhos ou a valentia dos leões. Queria ver o mundo de cima, ser apreciada pela nobreza da alma, passear entre os jardins, semear a primavera... Sempre tive uma carga sistemática muito grande, mesmo nessas perguntas mais simples que nos fazem. Querer ser alguma coisa poderia significar bastante sobre mim. Hoje, adulta, descobri que a vida não é feita para beija-flores. Eu diria que me tornei um peixe da espécie Beta. A história dos Betas é bastante interessante. Eles vem das águas rasas da Indonésia, onde não havia diversidade de espécies. Assim, a lei da sobrevivência fez com que os betas passassem a se alimentar uns dos outros. Ainda hoje esse peixe tem a fama de "brigão" ou "peixinho solitário". Eles são fortes, não precisam de muitos recursos também. Sobrevivem em poças ou em um pequeno copinho de água -como eu. O velho beija-flor da infância, se afundou nas águas rasas da vida. Descobriu que quando não temos flores, nem opções, somos obrigados a erguer os braços e brigar. Nos tornamos predadores de nós mesmos. Aprendemos que nem sempre teremos espaço, dinheiro, conforto. Então nos apertamos nas necessidades e não esperamos que nos tragam o oxigênio sem que tenhamos de ir apanhá-lo. E descobrimos que a interação, a comunicação e a convivência, também são armas de guerra. Sou um Beta solitário em um copo apertado, que olha o céu pelo vidro e a vida pelo canto do olho ferido. Lá está o beija-flor. Não é meu, nem sou eu. Ele existe, ainda que não possa ser escolhido.

sábado, 17 de julho de 2010

There are a love...



and can not be touched...
I want.
Do you?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Telespectadora

Hoje queria falar de muita coisa: do trânsito, do meu cansaço físico e mental, do meu estágio, de relacionamentos, paixão, angústia, trabalho... Ainda não decidi se falo um pouco de tudo isso, se falo de alguma coisa apenas, ou se nada falo. Só sei que preciso escrever, porque minha mente borbulha como uma água ao fogo aos 100ºC. Escrever nesse espaço - só meu, e para mim - é algo que alivia meus pensamentos conflitantes, meus sentimentos absurdos. Hoje estou em um daqueles dias em que os nervos parecem florecer na pele, como as raízes dos arbustos que se espalham pelas frestas do chão. Como se eu fosse um pedacinho de carne, ao volante, depois de um dia desgastante, sem sentido, sem lugar, sem direção. Meus membros obedecem o trajeto que meu cérebro determina: minha casa. Não há mais a onde ir. Criei uma fronteira muito próxima, que não me permite acreditar tanto, nem projetar tanto talvez. Tenho lutado com meus sonhos noturnos, com meus pensamentos diurnos, com o olhar que acaricia a alma e surra o peito. É uma irreal sensação de juventude, renovação e motivação. Um recorte da realidade. Uma subestimaçãoo do palpável. Estou em um caminho paralelo, cercada por paredes de vidros. Ao lado, está a escolha que não fiz. Não há como saltar. Meu mundo se sublima em minhas possibilidades de sonhar, e se enrijece em sua capacidade de possuir. Estou aqui, do outro lado da tela - telespectadora.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Incompatibilidade

As vezes sinto que eu e a vida não fomos feitos um para o outro. Não existe uma compatibilidade entre mim e o que eu sou, entre o que eu tenho e o que eu gostaria de ter. Não me sinto a vontade falando o que falo, fazendo o que faço, pensando meus próprios devaneios ou sequer escrevendo essas prosas da minha alma. É que luto, luto, luto. E aí? E daí? Nada. Você se enche de expectativas quando casa e depois de um tempo percebe que não existem relacionamentos perfeitos - ou duradouros talvez. Você escolhe um curso, se apaixona por ele, e depois descobre que pode passar a vida toda sem sequer exercer o diploma que conquistou. Você abre mão do seu dinheiro, da sua liberdade financeira, e se sente descontente convivendo com pessoas que te tratam feito um verme e não dão valor a qualquer tentativa de eficiencia que seja. E então, você novamente se enche de coragem, se dispoe a mudar tudo, pular tudo, se desdobrar ainda mais, e no final descobre que está entre as opções paralelas dos que já foram escolhidos - e que ainda assim faz parte de um novo processo seletivo e que provavelmente também não será chamado. E você se pergunta: o que mais falta abrir mão para conquistar um sonho? Já se foi o dinheiro, o tempo, a dignidade. E agora a esperança também.

Essa vale a pena repetir... Afinal, a vida continua sendo uma arte de engolir sapos!!!




segunda-feira, 5 de julho de 2010

Ser

Hoje estive num daqueles dias descontentes. Tudo parecia incrivelmente inapropriado para mim. A roupas que tenho e as que não tenho. A causa das minhas lutas e dos meus sacrifícios. A avareza de espírito. O egoísmo da vida. Essa mania de alguns terem e outros não. Essa rotina de muitas tentativas e poucas conquistas, muitas possibilidades e poucos caminhos percorríveis. É que hoje, só queria ter um pouco de dinheiro, resposta e um tiquinho de posição. Não que queira assentar-me em cadeira de rei, ou vestir coroas de poder. Queria apenas possuir, estar, ser. Bastaria.