sábado, 14 de abril de 2012

irmãos

Depois que temos filhos, começamos a perceber com mais maturidade os erros e acertos dos nossos pais. Tento, cautelosamente, evitar aquilo que tenha me afetado e realizar o que tenha me feito bem. Muitas vezes reflito no passado, na infância, e procuro entender parte dessa trajetória que me trouxe até aqui. Nossos atos hoje são eternamente responsáveis pela humanidade de amanhã. De tudo isso, aprendi que educar é preciso e que ser rígido nos ajuda a formar adultos melhores. Percebi que dizer não é muito importante, principalmente quando feito no momento certo e da forma necessária. Mas o que mais me chamou a atenção foi a maneira como um lar estruturado pode ser fundamental para uma existência plena no futuro. Notei que alguns pedaços da nossa história podem se perder com o tempo e que a família, acima de qualquer outra coisa, deve ser ensinada como o bem mais precioso que possuimos. Isso eu aprendi com a vida. E passei a sentir falta de um segundo filho quando me lembrei dos meus piques, das brigas e da cumplicidade que tive com meus irmãos nos meus primeiros anos - e a suma importância que isso teve para mim. Foi quando pude ver que "éramos três" e hoje já não somos mais. Lembrei-me das lágrimas que derramei quando li "Éramos seis" e conclui que, para alguns, a morte não é a responsável pela perda. Há amores que nos deixam, amigos que se afastam, irmãos que nos esquecem, ainda vivos, porque talvez o amor não fosse sólido o suficiente para ser preservado. Ou talvez, meramente, esteja no canto da prateleira, guardado. Faz parte desse conto. Esse é um erro que decidi não transportar para a minha nova geração. Porque a saudade que sinto é tamanha, que pretendo criar uma barreira de vidro que una os corações dos meus filhos. Nos meus critérios da maternidade inclui um item: que sejam irmãos.

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