Eu poderia escrever três ou quatro páginas inteiras que não consegueria descrever o que essa imagem diz sobre mim. Ou, pelo menos, o que eu sinto sobre ela.
O olhar frágil, cheio de decepção, pedindo um abrigo, uma atenção efêmera, que seja. A chuva. A pequenez. A inércia. Ser ignorado, invisível. A ausência do laço afetivo, a injustiça. O apelo. A tristeza. A insignificância.
E isso me faz pensar na a irmandade. No amor. E isso me faz lembrar, refletir... Me faz sentir, profundamente, a cumplicidade que inexiste, o respeito que faz falta, o elo que não se formou.
Às vezes penso se toda essa distância vem da diferença de sexo, de idade ou de um mero menosprezo eventual. São nessas horas que sinto uma vontade imensa de dar a minha filha uma irmã: que seja, acima de tudo, sua amiga, companheira para a vida toda. Ou que fosse um menino, portanto. Mas que se molhasse por ela, e vice-versa.
Que ambos se agarrassem no temporal, se encolhessem sobre o guarda-chuvas e, de mãos dadas, enfrentassem. E tenho medo de não conseguir. Tenho um medo muito grande que ela (ou o irmão) se molhe também. E tenho medo que sofram, medo que se distanciem. Medo que não se ajudem.
Família, prioridades, princípios. É o que quero passar para os meus filhos. Não tenho dinheiro, mas tenho valores. Esse é o nosso maior patrimônio.


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