terça-feira, 14 de julho de 2009

Voltinhas dos pés

É interessante a maneira como nós humanos, não nos conformamos com pelo menos quase nada. A roupa que vestimos, a comida que comemos, o parceiro que escolhemos. Absolutamente tudo aquilo que pode ser vivido não possui a dimensão das expectativas de nossos sonhos. Inclusive os objetivos que são conquistados, sempre se tornam menos prazeirosos quando estão ao nosso alcance definitivo.
Nossa natureza insaciável e inconformada nos faz eternos caçadores de realizações, e talvez essa seja a grande razão por nos mantermos vivos: o sentido que damos às nossas vidas. As vezes me pergunto o porquê de nos aguentarmos erguidos nessa selva que tem se tornado a vida. O excesso de violência, egoísmo e "encapsulamento", tem nos feito passar dias cada vez mais sedentários e ainda menos naturais. Há tempos venho balanceando os dias em que tive contato com a natureza, mesmo que em uma pracinha qualquer nessa redoma de concreto que nos cercam, um pedacinho verde contornado dessa poeira acinzentada que tem sido nosso combustível pulmonar. Para minha surpresa - e tristeza - percebi que não tenho tempo, é o tempo quem me tem. Temos sidos sugados pela vida, pela correria, pelo trabalho, pela sobrevivência que nos faz escravos desse capitalismo infindo.
Ainda outro dia levei minha filha no pediatra, e o mais engraçado foi ouvi-lo dizer que deveria fazê-la caminhar mais em terra, para que se criassem as voltinhas de seus pés. O que não sabia, é que a terra de meu mundo era cimento, e não aquela terra vermelha a que o doutor se referia. É que hoje em dia, coisas simples não existem mais, somos compulsivos compradores, insaciáveis consumidores. Estamos cada vez mais longe de entender as coisas simples da vida. Não sabemos mais o que é terra, nem frutas colhidas nas árvores. Perdemos as voltinhas dos pés.
Juju

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