Hoje me peguei pensando no porquê da minha decisão de ser jornalista. Me culpo, às vezes, por essa escolha dificilmente lucrativa e aparentemente tão difícil de se ingressar (no mercado de trabalh0). Mas como negar o sangue que pulsa pelas notícias e se esquenta quando escreve? Como explicar o impulso incontrolável de entrar em uma livraria ao invés de uma joalheria? As letras das capas coloridas brilham mais que o ouro refinado da vitrine ao lado. E as vezes me pego lamentando por essa paixão que tenho, que pode me fazer acabar rodeada de livros amarelados em um sobrado simples, apenas pelo desejo imenso de viver esse quase nada que para mim é tudo. Fama? Quem não quer! Não há como negar a vontade - talvez utópica, mas jamais impossível - de ser uma Fátima Bernardes ou uma Patrícia Poeta. De ter a inteligência do Jabor e a indiscutível experiência do William Bonner. Meus sonhos, naturalmente, vão muito além do jornal do bairro ou da rádio das associações. Mas não é esse o real objetivo por estar aqui agora, sentada nessa cadeira, prestes a escrever uma matéria estudantil que traz consigo um único leitor - o professor. O que me faz querer, e trazer comigo essa determinação insacíavel, é a simples vontade de parar de trabalhar. O trabalho para mim é algo que fazemos exclusivamente por dinheiro. Então você acorda cedo, se estressa, se zanga e se cansa. E no final do mês recebe seu contracheque, paga suas contas, ajunta algum dinheiro, tem alguns prazeres concedidos. Meu maior desejo é que minha profissão seja como um filho. Que eu possa me cansar sentindo prazer, me ocupar com a imensa gratificação de estar plenamente realizada. Quero sentir cheirinho de revistas novas, quero ter o tato do papel do jornal quentinho, quero escrever a vida, entrevistar o pobre e o rico. Quero subir favelas e palácios, quero descobrir o que está encoberto, quero contar o que precisa ser falado. O jornalismo é como uma face de pele multiracial. É como uma salada de conhecimento - não há nada que o tire de você. Um jornalista é o espelho da vida. Ele reflete os defeitos e a formosura. É os olhos do povo, e a propagação da informação.
Juju

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