
Às vezes me vejo brigando com o tempo. Brigo, brigo tanto que já nem sei mais se brigo contra ele ou por ele. É que quando menos espero, já estou aqui bisbilhotando o que já não tenho mais. Meu bebê de colo, meu recém-nascido; aquele pacotinho cor-de-rosa que carreguei em meus braços e que me dizia que nada seria como antes. Esses momentos curtos, mas incomparavelmente preciosos, que se passam como se fossem um sorvete que se derrete ao sol. E já não há o que o faça reviver. E o mais engraçado, é que sinto falta, até dos momentos que não pude partilhar. Das tardes que passo no trabalho, enquanto minha filha se absorve desse mundo sem que eu possa ensinar. Dos sorrisos que não vi, dos primeiros passos que não presenciei. É quando me perco, nesses problemas de gente grande, e contraditóriamente me vejo implorando que tudo passe, que os anos corram e que me reguem de maturidade. Queria que o tempo parasse, e me deixasse desfrutar um pouco mais. Queria que o tempo passasse, e meu deixasse sobreviver à fúria que me tentar derrubar. Se vencesse esse tempo que passa, teria que brigar com o tempo que se foi. Se vencesse o tempo que vai, teria que brigar com o problema que ficou.
Juju

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