Alexandre é um cara engraçado. Não que seja "piadista", humorista ou comediante. Sua graça vem de suas atitudes um tanto quanto desresgradas e incomuns. Não, Alexandre não tem o cabelo rosa, não usa trajes diferentes nem possui gestos estapafúrdios. Alexandre trabalha, tem mãe e tem casa. É um cara como qualquer um desses que se encontra por aí. A sutil diferença aparece no descompromisso com a vida, na falta de zêlo com toda essa normalidade que tem. Não te importa acordar mais cedo, ou mais tarde, ou fantasiar histórias como o famoso "mundo do Bob". As pessoas acham graça de toda essa desgraça que se torna tudo isso. É que o Alexandre, muito pouco preocupado, vende tudo, tudo mesmo da casa e da mãe quando precisa de um troco qualquer. Não, ele não é drogado. Tudo isso é parte dessa despreocupação que tem com a vida, e claro, com as formalidades. Alexandre manda flores para as balconistas do banco, se engraça com as gerentes bonitas, e faz de seu cargo de office boy um roteiro de guia turístico. Já tentaram o subir de cargo, mas não adiantou. É que o Alexandre, muito esperto, prefere passear pelas ruas da capital. Outro dia ouvi um - dos muitos - comentários sobre esse cara que trabalha, mas nada quer com a dureza. E me manifestei - bastante indignada - pela fama que tem de vagabundo e pelo futuro que jamais terá. A diferença, disse, é que o Alexandre dá trabalho para a vida, enquanto nós trabalhamos para viver.
juju
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