A profissão do jornalista é mesmo muito ingrata. Digo isso antes mesmo de ter me formado ou trabalhado nela. Isso é como um casamento errado. Apaixona-se, aí não tem mais jeito. Quando o fato se consuma é mais difícil ainda de se separar. Hoje, após ter gastado uma quantia enorme com estudos, me sinto amedrontada a largar essa união e partir para outra. É assim que funciona em um relacionamento falido. Os investimentos de tempo, sentimento e dinheiro são superiores a falta de expectativas de um futuro promissor. O problema todo, é que me deixei levar por essa paixão doentia que sinto por essa profissão inválida. Sim, uma profissão sem mobilidade, sem sustento. Ceguei-me por minha fragilidade humana: deixar levar-se pelos anseios do coração. Não há como negar a beleza de ser um jornalista. Escrever, reportar a vida, relatar os fatos, ser justo e imparcial. O simples fato do dia-a-dia desigual e incomum, de visitar acidentes e eventos, subir favelas e palanques. Ser fiscal da vida. Tudo teoricamente esplêndido e incomparável. O jornalismo é uma profissão que - na maioria dos casos - é escolhida por amantes fiéis, pessoas cheias de entusiasmo com a escrita, atualidades e com a comunicação. Mas é refém de um mercado fechado. Não há vagas de emprego, a procura é maior que a oferta. Tudo o que encontra-se são pequenos grupos, que contratam mais por pistolão que por competência. E os que se encaixam pelo mérito exclusivo, tem uma pitada de sorte na vida. E para quem tem filho, casa, marido, tudo isso passa a ser utópico demais para ser vivido. Começo a decepcionar-me com o jornalismo, como a esposa que tem para si aquilo que jamais sonhou. Tudo o que sei, é que começo a olhar ao meu redor, a procurar novas portas. Quero uma profissão valorizada, que me atribua valor. O pesar que tenho, é que o tempo passa. Continua passando. E já passou um bucado, enquanto me perdia de amores jornalísticos.
Juju
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