quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Coração datilógrafo

Em certos momentos paro e fico pensando nas escritas da minha alma. Digito em minha mente muito disso que passo para esse meu espaço de intimidades. Mas a mente possui uma extensão maior de espaço, tempo e portabilidade. Portanto, até que eu tenha a oportunidade de transcrever tudo isso, muito disso já se foi. É estranho e difícil de compreender. As vezes nem eu mesma entendo alguns desses meus devaneios. O mais importante é saber que não escrevo para leitores, escrevo para mim, por mim e de mim. Talvez essa seja a maior dificuldade de se fazer um livro: o dever de agradar antes ao leitor do que a si mesmo. É um tanto quanto hipócrita, mas bastante compreensível do ponto de vista profissional e nos termos das formalidades de venda, sucesso e atenção do público almejado. Mas o simples fato de ter que ficar pensando nas exigências e métodos de captação de leitores, é o suficiente para inibir meus neorônios escritores. Um de meus maiores prazeres (talvez bastante estranho, por sinal), é entrar em uma livraria bem grande, e viajar folheando livros, sentindo o cheiro das páginas. Acho que já escrevi isso aqui em outra oportunidade. Mas sou o tipo de mulher que troca uma loja de roupas por uma loja de livros. Gosto de me vestir bem, tenho minha tendência consumista desse século insaciável, mas o prazer que sinto em me enfiar no meio de livros não se iguala as demais opções na hora da compra. É uma pena que me falte tempo para ler um pouco mais. É uma pena que me falte tempo para escrever um pouco mais. É isso aí. Enquanto meu coração bater datilografando prosas, e ouvindo o sussurro da alma.

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