sábado, 8 de maio de 2010

Dia das mães











Eu sabia, ela estava ali. Ela me dizia. Me chamava pelas entranhas, como o batucar do peito que já soava junto a alma. Foi a mais maravilhosa notícia, a mais preciosa conquista. Eu sabia, nada seria como antes. Seria deliberadamente diferente. Não mais dormir, não mais sentir a aquietação do peito, ter uma preocupação constante e um medo aterrorizante de que algo ruim aconteça. Uma angústia recompensante, um desconforto prazeiroso. O tão dito "padecer no paraíso". Ainda me lembro dos 5 milímetros que existia em meu ventre, não possuía nem braços, nem pernas, nem nariz, nem formato, mas tinha um pequeno coração que batia valente, me dizendo que estava viva, que já existia em mim. Todo esse trajeto desgastante da gravidez foi o mais ansioso de toda a minha vida. Nunca, em meus 24 anos de vida, vi 9 meses se passarem tão lentamente como estes. Talvez pudesse ter aproveitado mais essa união misteriosa da gestação, se não tivesse tanta pressa em tê-la em meus braços. Uma pressa conflitante com o medo que tinha de ter um parto prematuro. Mais uma dessas contradições da maternidade. E hoje, cá estou, chorando o tempo que se foi, chorando o tempo que tenho vivido, chorando o tempo que ainda vou viver. Porque ser mãe é mesmo assim, um sentimento magnífico e inexplicável. Queremos que o tempo passe, que o tempo fique, que o tempo volte. Queremos o passado, o presente e o futuro dos filhos. Queremos os filhos todinhos pra gente, pra vida nada. Queremos os filhos eternizados, guardados, embrulhados em nossos colos aconchegantes. E quando vemos, a vida os leva, a vida os fazem sentir esse ímpeto de nostalgia, essa abundância de sentimento inacabável....
Mãe.......
Não há o que dizer.
Perco as palavras.
Deixo de existir.
Feliz dia das mães.






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