quarta-feira, 26 de maio de 2010

seja vivo enquanto dure...

Hoje não fui à aula. Não tive. Não estive. Cheguei em casa e me submergi em uma banheira de água quente com uma casca de sangue fervente. Inundei meus poros, fiz cair a pressão, afoguei a gripe como um assassino em seu ápice de fúria. E cá estou, despejando o resto dessa amargura que sufoca a alma. Nada de tão cruel ou tão anormal que não se enquadre nesse século de anormalidades. Nada que supere a selva, a elfa. Não me sinto bipolar, nem depressiva, nem agressiva talvez. Sou apenas uma jovem cansada. Sou apenas um pouco cheia demais do que posso suportar. Sou apenas um pouco vazia demais do que deveria ter. Do que gostaria de ter. Sou apenas uma perda brusca de tempo, em busca de um tempo que não sei se um dia poderei desfrutar. A infância da minha filha. A beleza que será sucumbida pelas rugas da fadiga. E então já não mais terei, nem serei, nem poderei. Não verei esse frio na barriga que não quero morrer sem reviver. O fogo da paixão, o sentimento da emoção. A vergonha do primeiro encontro, o prazer do primeiro beijo. Essa conquista diária que pensei existir. Bora Bora. Embora.... Não faça tanto... Não tente tanto... Não seja assim, utópico demais, porém relevante. Que o tempo não passe, que o tempo pare... Que o tempo volte, que o tempo vá... Que me elabore o amor... e com ele me traga a paixão... Que seja vivo enquanto dure... e que dure, enquanto estiver vivo... Que me faça viver.

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