O que fazer? Nada. Esperar, viver.
O que não fazer? Nada. Esperar, morrer.
A vida, as vezes, parece se arrastar por aí, feito a cobra que perdeu asas e pernas, por persuadir a madre à se rebelar contra a pura criação humana. Essa é a maledicência das almas: a própria existência insana, profana. Essa é a vergonha vexatória: a liberdade de escolha. Mais fácil seria, ainda, se nos amarrassem os braços, e as pernas, e cerrassem também a língua, e nos fizessem amar, calar e pensar. E então, nossos braços se cansariam de entreter os murros nas pontas das facas, nossos pés não nos levariam por esses caminhos que não chegam a lugar algum, nossa boca não propagaria a infâmia discórdia que amarga em nossos corações. Seria bom, se nos dessem a chance de não ser, aquilo que não somos mais.

Nenhum comentário:
Postar um comentário