terça-feira, 1 de maio de 2012

Pés no chão


Num desses momentos de nostalgia me lembrei das árvores que subi na infância (muitas árvores, por sinal). Lá do alto conseguia enxergar além dos montes, cruzava fronteiras, voava, pairava pela grande imaginação dos pequenos olhos de criança. Não era dificil conhecer o mundo, os passos eram curtos mas os sonhos imensos o suficiente para me fazer sair dali. Muitas cabanas de folha de bananeira se tornaram mansões e grandes pratos cozinhei nas minhas panelinhas de aço inox. Fazemos um projeto paralelo da realidade sem, de fato, conhecermos as restrições dessa brincadeira no cotidiano adulto. E hoje, um pouco mais crescida e com as mesmas utopias de duas décadas atrás, sinto falta de desenhar minha própria história, desfazer os erros, criar os enredos e mudar os finais quantas vezes achar necessário. Troquei o sabor das comidas de galhos secos e a fragilidade das paredes dos bananais pelo cheiro palpável e os tijolos concretos, mas deixei o horizonte infinito pelas limitações do que eu posso tocar. Sonhei ser médica e ter um Fiat Uno. Sonhei muito, sonhei pequeno. Cresci demais - mais que os meus sonhos. Sou proporcionalmente maior que eles, mas não posso alcança-los. Meus pés estão no chão e meus sonhos pelo ar.

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