domingo, 7 de outubro de 2012

Chance

"O mundo vai muito além disso aqui" - eu dizia a uma funcionaria, dia desses. Muito alem... É o que me faz, tantas vezes, fechar os olhos e viajar por aí. Transporto minha alma pelas vielas de Venice, pelas alamedas gigantes das ondas Irlandesas, pelas tumultuadas avenidas indianas, pelos milenares pilares chineses... É a vida! Tão cheia de amores, sabores e cores. É a vida que passa como um moinho. E cá estou (ainda). Abrem-se os olhos e ainda estou aqui.
Nunca me importei com moda, beleza, salão... Tive uma infância difícil. Me consumi de livros, escrita e utopias. E corri, enlouquecidamente, gritando pelos becos, pedindo à vida uma oportunidade. 
Silêncio, somente isso, além do meu próprio eco. 
Queria, muitas vezes, ter nascido de novo, tido portas maiores - um acesso ao menos que me permitisse tocar. Me ofereci veementemente para a vida, como um ator que se candidata à peça e não é visto. Não tive patrocínio. Deixei pelos cantos da estrada a força, o empenho e a dedicação. Voltei. Não me deixaram ultrapassar o portão. Virei a curva da montanha mas não rompi as linhas do horizonte. E ele não é belo, não mais. É aqui, é isso...Não tive chance. Estou fadada.

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