Hoje, minha vida já não me parece tão curta e talvez nem tão longa também. Tudo o que sei, é que muito já vivi e ainda quase nada aprendi.
Sei que já briguei com amigas e também fiz as pazes. Já escolhi o cara errado, o grupo errado na escola (muitos pontos já perdi com isso). Nesse muito quase nada que vivi já descobri a paixão em excesso, o amor na medida e o desapego em suficiente proporção.
Em minha vida conheci pessoas boas, muitas delas boas mais do era preciso. Já conheci a inveja, a luxúria e a frieza de espírito. Já vivi momentos inesquecíveis, conheci lugares inimágináveis.
Já passei pelas ondas do oceano, já misturei-me entre as nuvens brancas e negras, entre os raios fúlgidos e as gotas tempestuosas. Já abri meus braços na proa de um navio com meu Leonardo Di Caprio, já estive na mais vasta paz em uma casinha tranquila onde ninguém me poderia achar, já conheci o mar e montanha, metrópoles e povoados.
Já vivi muita, muita dor. Já tive raiva da mãe, do pai, dos irmãos e dos avós. Mas também já chorei de saudade, já enfrentei quem os enfretou.
Hoje recebo o abraço desses 24 anos - quase bodas de vida. E me deixo abraçar também. Porque esse bocado escasso que já vivi - e que deixei de viver - tem se ajuntado em um ratalho de reflexões.
Nessa estrada que percorro, não sei em que pé estou. Talvez já na metade, talvez no começo de uma jornada que me guarda longos passos, ou quem sabe esse tiquinho de nada seja um todo em sua reta final.
Só sei, que nesses braços da vida, pude conhecer desde o reto ao ladrão. Conheci pessoas ricas, pessoas pobres, milionários e miseráveis. Conheci sentimentos tão requintados como o fino ouro e de todos eles o mais puro e incondicional, há um ano e dois meses, gerei em meu próprio ventre.
Descobri que talvez, se nós adultos sorríssemos como minha filha faz minutos após ser chingada, talvez milhões de mortes teriam sidos evitadas e que a tragédia que nos cerca faz parte da medilcridade que trazemos conosco.
Aprendi que o tempo passa e que se não jogarmos água sobre o rosto todos os dias, somos tragados por nossa própria acomodação. Percebi que é preciso agir enquanto somos jovens e que o tempo jovem começa quando nascemos e termina quando acabam nossos sonhos.
Muito já esperei da vida e das pessoas. Hoje, com um pouco mais de realismo e um tanto menos de utopia, resolvi que na vida não é preciso tanto e é preciso cada vez mais. Porque não existe receita para a felicidade nem medidas que nos consiga satisfazer.
É preciso apenas viver os momentos, como se fossem sempre o último segundo de realização.
Decidi não abrir mão das oportunidades e lutar por cada um de meus sonhos. Porque enquanto não vier as chuvas ainda é tempo de construir.
Há quem me deseje mal e quem me deseje bem.
Há quem nada pense sobre mim.
Há quem tenha me parabenizado ou me presenteado.
Há também quem me desejou muitos anos de vida.
A mim, basta apenas o suficiente.
juju

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