terça-feira, 10 de novembro de 2009

Oceano

A vida é mesmo esse mar de ressacas e maresias. Existem dias que somos a fúria e a bravura, a força e a veneração. E então somos mansos e desanimados, tão murchos e sem vontade alguma que nem assusta nem faz ninguém querer. Não temos bússolas, nem somos marujos. Somos as ondas que batem firmes, como o assombro do peito, não se sabe quando nos trará o ímpeto do silêncio que não se quer ouvir. Somos indomáveis, imensuráveis. Há os que têm sujeira, há os que fabricam pérolas, há os que se transbordam nas cores das espécies e os que se sublimam para mostrar ao mundo a ternura dos corais. Mas de tudo, somos sempre essa imensidão de mistério: não se sabe o que se guarda nem a distancia que carrega no ínfimo de suas entranhas. No final, seremos nós e o fogo, e há de se saber a força que possuem essas águas da vida. Porque um dia, nos submergiremos nos moinhos dessas ondas, e nos misturaremos em nossa própria criação. Ficarão o céu e a terra. E o oceano na mudez de sua magnitude.

juju

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