E então, de quem é a culpa?
Outro dia parei, e refleti nas palavras do técnico Dunga, em sua coletiva após o transtorno com a poderosa rede Globo. Não coloco em questão os palavrões despejados pelo técnico, extremamente sem sentido, sem respeito e sem compostura de alguém que representa um país em um campeonato esportivo como a copa do mundo. O que me chamou a atenção foi ouvi-lo dizer que "para mim, é mais uma oportunidade para mostrar ao meu pai o que aprendi com tudo o que ele me ensinou. Que tem que ter posição, coerência, transparência, dignidade. E pedir desculpas quando erra." Sim, pedir desculpas quando erra. Não me importa se foi para a torcida, para a Globo, para o jornalista. Pedir desculpas quando erra, é a chave da minha reflexão. Hoje postei um conto magnífico do Artur Azevedo, que li aos meus 17 anos de idade, e jamais consegui esquecer. Ele retrata a busca incessante pelo poder, pela posição, pela razão. A maneira como quase sempre assumimos um erro para ganharmos prestígio, e usamos desse próprio erro para despejarmos em alguém nossas frustrações pessoais, nossa falta de humildade, com o intuito de mantermos nossa pose de poderio e competência vã. Daí a razão dessa insanidade que temos vivido no trânsito, no trabalho, na família. É que despejamos de cima para baixo toda a ignorância que nos dão. Repassamos mais os fatos que os artefatos. Reproduzimos o que recebemos e não o que produzimos. E no final, não é em nós que a humildade está. É no pobre cão, que recebe os chutes e ainda lambe graciosamente os pés que o agrediram, porque o amor, apenas, lhe é suficiente. O poder não está no cargo que ocupamos, no direito que temos de exercermos a crueldade ou exigirmos com rigor àqueles que nos são subordinados. A humildade não consiste no fato de reconhecer com palavras uma atitude indevida, mas em aceitar solenemente que a repreensão foi cabível, e fazê-la de aprendizado e amadurecimento. Se a terra não fosse fértil, fofoca não daria frutos, soberba não daria posição, estupidez não daria sofrimento. Temos de esterelizar nossa alma.
De quem é a culpa?
De quem não sabe assumir a própria culpa.

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