segunda-feira, 14 de junho de 2010

Lú,

O tempo passa. Sei que daqui a alguns (poucos) anos, estará dando seus primeiros rasantes na vida. Cairá. Alguns tombos serão mais fortes que os outros. E eu, estarei como espectadora. Claro, sempre estarei apta a ajudar. Minhas mãos estarão sempre prontas, mas nem sempre será o melhor. Os tombos são grandes professores. E apesar de tudo o que já aprendi com os meus, sei que vê-la dar seus tropeços doerá muito mais em mim do que todas as dores que eu já vivi. Fico aqui, me lembrando de quando fui para o hospital, com uma barriga gigante... Um jejum que quase me matou de tanta sede... Mas nada foi maior que a ansiedade de te ter ao meu lado, em meus braços... Um bebezão, cheia de pelinhos pelo corpo, ainda tão frágil e pequena.... 14 de junho de 2008, 8:37 da manhã, minha vida nunca mais seria a mesma. Sei que não entende essas palavras, mas ainda assim as escrevo para você, simplesmente porque sei que você existe. Porque sei que está ali, dormindo com toda a pureza que um ser humano pode ter. Porque sei, que acordarei em cada noite da minha vida para te cobrir, e com esse ritual maluco que tenho, colocarei as mãos em seu peitinho, tentando sentir sua respiração, como faço desde que veio ao mundo. Porque sei, que minhas noites jamais serão como antes, porque sei que preciso estar atenta para que mal algum te acometa.
Filha, só Deus sabe o que há em meu peito, e como esse amor não se compara a nenhum outro. Estava aqui, olhando essa foto, e me lembrando de seus movimentos dentro de mim. Quando te tiraram da minha barriga, foi doloroso me acostumar sem você, virando, de um lado para o outro, em seu cantinho de aconchego. Sabia que estava ali, que era perfeita, mas o elo que nos fazia uma só havia se rompido. As vezes me pego pensando nesses momentos que só eu sei que tivemos, e como foram bons! Cada vez que você mexia, meu coração se apalpava, sim, você estava bem!
Deus sabe como te amei antes mesmo de saber que estava em meu ventre. Hoje te vejo andando de fraldinha, correndo pela casa e gritando "mamãe"!!! Vejo que o tempo realmente passa. E breve será uma menininha linda, e então uma moça de corpo formado, uma mulher de cabeça-feita.... E minha menininha de fraldinhas não correrá mais pela casa e talvez nem me chame mais de mamãe. E sei que lamentarei todos os minutos, todos os segundos que não pude estar com você. Estou aqui, lutando contra os minutos para postar no blog antes da meia noite, porque durante todo o dia estive fora, trabalhando, estudando.... E são os últimos minutos dessa data... Sim, seu aniversário. Minha menininha. Minha pequena. Te amo muito filha. E por mais que eu tente fazer tudo certo, sei que erro e ainda vou errar muito. Só espero que meus erros não superem meus acertos. Que consiga te dar pelo menos um pouco de maturidade, honestidade, nobreza, e quem sabe um tantinho de felicidade também....
O bebezinho que cabia na palma da minha mão cresceu. Hoje me dá dor nas costas, escolhe suas próprias roupas, sua própria comida, e o canal que quer assistir na tv. E só tem dois aninhos, apenas. Não queria que o tempo passasse. Queria te ter para sempre aqui, nos meus braços, me chamando pelos cantos, se escondendo de mim.
Tudo o que posso fazer é desejar que Deus te abençoe. Que te livre desse mundo tão perigoso e cheio de coisas ruins. Que Deus te ponha na palma das mãos dEle, e que te faça ser, para sempre a criança dos olhos dEle.
Te amo muito filha. Você é meu amor maior.
Mamãe

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