quarta-feira, 30 de março de 2011

Tic tac...




E a vida continua sendo uma grande professora. Quando pensamos que já sabemos o suficiente, descobrimos que ainda estamos no início de um longo processo de aprendizado. Ocupamos nossa bagagem com experiências, suportamos, nas costas, o peso da jornada com as recordações. Sentimos na alma o grito da nostalgia, a saudade dos intocáveis, a alegria vivida que se eternizou na memória. Ouvimos o sussurrar pelas frestas do ouvido e somos incomodados pelo toque dos dedos no vidro, que separa o passado de nossa linha férrea atual.

As vezes penso, que perdi tanto tempo planejando, que muito deixei de fazer, verdadeiramente. Ao meu redor, a estação se perdeu em um vai-vem de pessoas - famílias, solteiros, donzelas e surrupiadores. Deixei o trem partir, enquanto calculava o trajeto da viagem.

Hoje, ainda, um pouco perdida, percebi que alguns destinos possuem conduções únicas, e que a vida, quase sempre, não nos permite embarcar novamente. Estou a deriva, a espera de um bilhete novo, de um destino diferente. Já não sei se a bagagem que levo será adequada para as condições climáticas de onde chegarei.


Mas descobri que, entre os muito valores que não posso abandonar, está o respeito, a sinceridade e a perseverança. Percebi que muito já suportei, e que sou capaz de tolerar muito além que meu coração temeroso possa imaginar. Aprendi que é preciso amar muito mais a mim que a qualquer outra pessoa; que é necessário confiar, lembrando-se sempre de permanecer com um rescaldo de desconfiança. Entendi que a vida é um campo de semeadura, e que o dia da colheita sempre chega. Notei que tudo muda, e que é preciso sempre nos portar da maneira como gostaríamos que nos tratasse, caso ocupássemos o mesmo lugar, naquele momento. E isso me deu forças para seguir. Ainda que esteja aqui, olhando o relógio da estação, esperando que os ponteiros me indiquem uma direção, que me permita dar, pelo menos um primeiro passo.

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