sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Nascer de novo

Já errei muito na minha vida – e ainda hoje, erro também. Mas tenho percebido que a dádiva mais importante que possuímos – enquanto estamos vivos – são os dons do arrependimento e do perdão. Quase sempre nós, seres humanos, não sabemos perdoar. Carregamos no peito a lamúria da mágoa, por anos. A mágoa, entretanto, é como uma ferida aberta no peito, que cultivamos e não deixamos cicatrizar. Ainda que outra pessoa a tenha feito, quem a carrega tem de suportar suas causas e sua existência. Tenho aprendido a diferença entre o arrependimento e o remorso. No primeiro caso, há a dor de algo que não deveria ter sido feito e atitude simultânea, de não o cometê-lo novamente. No segundo caso, porém, essa dor existe, mas apenas como um incômodo na consciência. Ainda assim, algum dia, o deslize volta a ser feito. E o perdão, em sua extraordinária perfeição, depende de um pesar sincero, depende que os erros não voltem a acontecer. Sempre disse à Deus, em minhas orações, que perdão não se pede, se conquista. Não há maneira melhor de mostrar a alguém um pedido verdadeiro de desculpas, do que na amostra real de que aquilo não foi, nem será cometido outra vez. Em meus vinte e seis anos de idade, já fiz e vivi um pouco de cada coisa. Já fui uma criança feliz e infeliz, já tive berço de ouro e passei fome, já fui a adolescente rebelde e a filha exemplo, já namorei firme e gandaiei com as amigas, já casei e me divorciei. Isso tudo é passado. Minha vida pregressa acabou. Apesar das coisas consistentes que fiz, decidi criar um novo ponto de partida, um novo nascimento, uma nova história. Porque descobri que a vida é escrita a caneta - e o homem dificilmente consegue apagar da memória, aquilo que cometemos ou registramos em nossa trajetória. Mas Deus arranca as páginas do livro, nos dá um bloco imenso, cheio de folhas em branco. Então, nos entrega a caneta e diz: Vá, e não peques mais.

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