Caminhava em um breu, pela avenida Cristiano Machado, quando
fui surpreendida por um assaltante. Voltava da igreja com apenas algumas moedas
nas mãos, um celular no bolso e uma mochila vazia. Por um momento me lembrei
que podia voar. Não precisava estar ali – eu era diferente. Retirei meus pés
suavemente do chão e pairei pelo ar, envolvida numa estranha sensação de liberdade
e insegurança. Descer significava me encontrar com a ameaça armada da violência
urbana e subir conotava num apavorante cerco de fiação elétrica que
estranhamente sobrepunha minhas dimensões. Havia um limite entre o céu e a terra,
havia um limite de altitude, velocidade e direção. Era preciso estar ali, no
meio de tudo isso, sem demasiada ambição e desistência. Me aplainei nesse trajeto
enquanto minha mente se afundava nesse sonho avassalador. Era como uma mensagem
da vida: é preciso ter disciplina, não desejar tanto acima e não retroceder. Ir
à igreja não me impede de ter afrontas, o mundo é escuro e existem teias por
todos os lados. Mas sou diferente. Eu posso voar.
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