Que passamos,
quase sempre, mais tempo no trabalho que em casa, já sabemos. E esse universo
vai muito além das atividades profissionais. Aos meus (quase) vinte e sete
anos, estou há dez na mesma empresa. Paralelamente, tive a oportunidade de
passar por outros lugares: estágios, setores públicos, assessorias e
televisões. Cada qual com suas peculiaridades, mas, de um modo geral, todas me
fizeram ter a mesma ideia desse ambiente diversificado e, contraditoriamente,
similar.
Não é possível
prever com que tipo de pessoas vamos compartilhar essa carga horária que nos exigem
para a remuneração mensal. Entretanto, alguns personagens acabam se tornando
peças-chave desse enredo: o fofoqueiro, o tímido, o competente, o despojado, o
falso, o puxa-sacos, o arrogante... Há quem tenha dois ou mais desses
adjetivos. Mas eles estão ali, firmes na indescritível metamorfose humana.
É fato que uma
unanimidade pacífica em uma empresa (principalmente as maiores) é um objetivo
difícil. Nós, como pessoas, temos concepções, aprendizados e vivencias
diferentes. Temos culturas diferentes. Naturalmente, ocupamos cargos
diferentes. E essa é a questão fundamental para grande parte dos conflitos
internos no ambiente trabalhista. A possibilidade de crescer profissionalmente
acaba se tornando a busca primordial dos funcionários com maiores ambições. Há
quem procure o sucesso, há quem faça disso a razão para se alcançar melhores
condições financeiras, mas há aqueles que acabam ultrapassando valores pessoais
por tornarem a conquista, uma forma de poder. E é aí que mora o perigo.
Patrões, empregados,
subordinados ou empregadores. Não importa o termo. A relação entre as partes é primordial
para desencadear ou prevenir problemas de relacionamento entre os colaboradores
que acabam por diminuir a produtividade e, consequentemente, gerar prejuízos
financeiros que se estendem a ambos: menos lucro, salários menores. Certa vez
me disseram que, mais importante que a comunicação, é a supervisão das tarefas
e acompanhamento de relatórios. Engana-se quem pensa assim.
Administração
de empresas não é ciências exatas – ela constitui a categoria de humanas.
Apesar de estarmos no século XXI, ainda não lidamos com robôs. A evolução
tecnológica ainda depende diretamente do operário humano e este é passivo de
comunicação. Muitas empresas já se atentaram para isso. Há aqueles que
contratam jornaslistas graduados para avaliar o desempenho
interno, emissão e recepção de informações e assessorar os interesses da
empresa ao público externo. Não apenas gastam-se fortunas para isso, mas, eu,
particularmente, já encontrei diversas instituições que exigem pós graduação
para preencherem essas vagas.
Na minha breve
e recheada caminhada profissional, notei que os setores públicos possuem menos
problemas de relacionamento entre os servidores. Razão que acredito se tratar do fato de que, nesses lugares, não
há disputa por cargos superiores. A inserção do funcionário, na maioria das
vezes, é feita por concurso público. A tal “cadeia da selva” é inexistente para
eles. Não é preciso “matar” para sobreviver. Não é preciso romper ou ultrapassar limites que incluem respeito e hierarquia. Em contraponto,
o desempenho desse trabalhador costuma ser menor – pelo fato da ausência de
perspectivas e, é claro, pela dificuldade de exoneração.
Enquanto
continuo nos setores privados, tento, efetivamente, lidar com as situações desagradáveis
do proletariado. Mas, uma coisa tenho aprendido: fofoca só existe porque ouvido
não é estéril, arrogância só existe porque não há quem dissemine a humildade,
puxa-sacos só existe por há aquele que o recebe, só há falta de comunicação onde semeiam-se ilhas e poder só se torna poder,
porque há quem ceda cargos de confiança para aqueles que têm ausência de
valores. Grande parte disso vem do pico da pirâmide. Talvez fosse a hora de
cortar o mal pelas pontas.


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