quarta-feira, 18 de julho de 2012

Administração: ciências humanas.




Que passamos, quase sempre, mais tempo no trabalho que em casa, já sabemos. E esse universo vai muito além das atividades profissionais. Aos meus (quase) vinte e sete anos, estou há dez na mesma empresa. Paralelamente, tive a oportunidade de passar por outros lugares: estágios, setores públicos, assessorias e televisões. Cada qual com suas peculiaridades, mas, de um modo geral, todas me fizeram ter a mesma ideia desse ambiente diversificado e, contraditoriamente, similar.
Não é possível prever com que tipo de pessoas vamos compartilhar essa carga horária que nos exigem para a remuneração mensal. Entretanto, alguns personagens acabam se tornando peças-chave desse enredo: o fofoqueiro, o tímido, o competente, o despojado, o falso, o puxa-sacos, o arrogante... Há quem tenha dois ou mais desses adjetivos. Mas eles estão ali, firmes na indescritível metamorfose humana.
É fato que uma unanimidade pacífica em uma empresa (principalmente as maiores) é um objetivo difícil. Nós, como pessoas, temos concepções, aprendizados e vivencias diferentes. Temos culturas diferentes. Naturalmente, ocupamos cargos diferentes. E essa é a questão fundamental para grande parte dos conflitos internos no ambiente trabalhista. A possibilidade de crescer profissionalmente acaba se tornando a busca primordial dos funcionários com maiores ambições. Há quem procure o sucesso, há quem faça disso a razão para se alcançar melhores condições financeiras, mas há aqueles que acabam ultrapassando valores pessoais por tornarem a conquista, uma forma de poder. E é aí que mora o perigo.
Patrões, empregados, subordinados ou empregadores. Não importa o termo. A relação entre as partes é primordial para desencadear ou prevenir problemas de relacionamento entre os colaboradores que acabam por diminuir a produtividade e, consequentemente, gerar prejuízos financeiros que se estendem a ambos: menos lucro, salários menores. Certa vez me disseram que, mais importante que a comunicação, é a supervisão das tarefas e acompanhamento de relatórios. Engana-se quem pensa assim.
Administração de empresas não é ciências exatas – ela constitui a categoria de humanas. Apesar de estarmos no século XXI, ainda não lidamos com robôs. A evolução tecnológica ainda depende diretamente do operário humano e este é passivo de comunicação. Muitas empresas já se atentaram para isso. Há aqueles que contratam jornaslistas graduados para avaliar o desempenho interno, emissão e recepção de informações e assessorar os interesses da empresa ao público externo. Não apenas gastam-se fortunas para isso, mas, eu, particularmente, já encontrei diversas instituições que exigem pós graduação para preencherem essas vagas.
Na minha breve e recheada caminhada profissional, notei que os setores públicos possuem menos problemas de relacionamento entre os servidores. Razão que acredito  se tratar do fato de que, nesses lugares, não há disputa por cargos superiores. A inserção do funcionário, na maioria das vezes, é feita por concurso público. A tal “cadeia da selva” é inexistente para eles. Não é preciso “matar” para sobreviver. Não é preciso romper ou ultrapassar limites que incluem respeito e hierarquia. Em contraponto, o desempenho desse trabalhador costuma ser menor – pelo fato da ausência de perspectivas e, é claro, pela dificuldade de exoneração.
Enquanto continuo nos setores privados, tento, efetivamente, lidar com as situações desagradáveis do proletariado. Mas, uma coisa tenho aprendido: fofoca só existe porque ouvido não é estéril, arrogância só existe porque não há quem dissemine a humildade, puxa-sacos só existe por há aquele que o recebe, só há falta de comunicação onde semeiam-se ilhas e poder só se torna poder, porque há quem ceda cargos de confiança para aqueles que têm ausência de valores. Grande parte disso vem do pico da pirâmide. Talvez fosse a hora de cortar o mal pelas pontas.

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