sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sem luz


Todos os dias, quando me levanto, escolho uma fantasia e aconchego minha alma entre os panos que me encobrem. Meu rosto, meu cheiro, meu medo e minha fragilidade se escondem entre as plumas da máscara da minha projeção. Tenho fama de dramática, antipática, depressiva e anti-social. Tenho fama de mimada, calada, rica, sem graça, sem vida... Tenho fama de ninguém, também. Cá estou, entre as letras dessa baboseira tola, atoa. Cá estou no trabalho dos outros, de passagem, sem maldade, traçando um caminho desgovernado e sem orientação. Cá estou, tentando ainda, sendo ainda e procurando... Alguém a quem não encontrei. Algo que não consigo ter. A mulher que não sei ser. Minhas paredes são como os jogos de espelho: me enchem, me diminuem. Me refletem, mas não me medem. Não existo, mas estou ali. Como a estrela que brilha, mas já se apagou.

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