Todos os dias, quando me levanto, escolho uma
fantasia e aconchego minha alma entre os panos que me encobrem. Meu rosto, meu
cheiro, meu medo e minha fragilidade se escondem entre as plumas da máscara da
minha projeção. Tenho fama de dramática, antipática, depressiva e anti-social.
Tenho fama de mimada, calada, rica, sem graça, sem vida... Tenho fama de
ninguém, também. Cá estou, entre as letras dessa baboseira tola, atoa. Cá estou
no trabalho dos outros, de passagem, sem maldade, traçando um caminho
desgovernado e sem orientação. Cá estou, tentando ainda, sendo ainda e procurando...
Alguém a quem não encontrei. Algo que não consigo ter. A mulher que não sei
ser. Minhas paredes são como os jogos de espelho: me enchem, me diminuem. Me
refletem, mas não me medem. Não existo, mas estou ali. Como a estrela que
brilha, mas já se apagou.
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