sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Mais ou menos


 Hoje eu queria uma cabine do tempo. Entraria nela e faria tudo, absolutamente tudo, diferente na minha vida. Ainda não decidi onde queria voltar, nem quando. Tive uma infância difícil, mas tenho saudade dela também. Talvez, se tivesse uma chance, uma única chance que seja,  faria uma profunda reflexão do erro principal, que me levou a toda essa frustração. Não sei se foram os traumas, o amadurecimento excessivamente precoce, as dificuldades financeiras, as amizades ruins... 
Hoje, se estivesse lá, com a mesma cabeça que tenho agora e a vivência que adquiri, teria sido mais forte, pensado um pouco mais em mim e menos nas pessoas que eu amo. Teria curtido mais os piques e me preocupado menos com os problemas dos adultos, que ainda não me pertenciam. Voltaria no dia em que Ana Clara, minha prima, chegou na casa da tia Lia, e curtiria bastante, porque agora que eu  conheço a verocidade do tempo, sei que é estranho vê-la nas redes sociais vestindo roupa de festa, depois de tê-la visto nascer. Teria dito palavras de carinho aos meus irmão a todo instante, para conseguir cultivar a união que não se formou.
Se pudesse voltar ao passado, diria à Dedê para aproveitar bastante os pais, que morreram tão cedo! Daria a ela conselhos importantes, que nunca me preocupei em falar. Teria sofrido menos com o lar desestrurado que tive, porque saberia que, no futuro, cada um segue o seu caminho e muitos não se importam com você. Teria me desapegado mais das pessoas e brincado bastante. Não deixaria de me mudar para os Estados Unidos, aos meus 14 anos de idade, por medo de deixar minha mãe. Teria olhado em frente, conhecido pessoas novas, um idioma novo... Teria construído minha própria independência financeira. 
Mas se pudesse voltar, verdadeiramente, acho que escolheria o dia em que caí. Quando deixei o ser mais importante de toda a minha história de vida: Deus. Vestiria de novo aquele uniforme azul e branco e O buscaria com fervor. Porque hoje eu sei, que depois que se saí da presença d'Ele, forma-se uma barreira do mal para que você não volte mais. E também descobri que se estivesse lá, poderia ter confiado mais, deixado de lado essa maldita ansiedade. 
Teria cuidado do meu jardim, para que as borboletas viessem até a mim. Não teria perdido tanto tempo correndo atrás de mariposas. E hoje, eu teria alguém que me chamasse para orar, que lutasse comigo. Que me ligasse sentindo saudade e me respeitasse como à igreja. Porque ele seria escolhido por Deus. Eu teria sido escolhida, e não o contrário. Por isso, não precisaria ficar implorando, descontroladamente, por um pouquinho de atenção. Minha vida hoje não seria mais ou menos.

Um comentário:

  1. Me identifico tanto com suas palavras que até me da vontade de copiar e colar isso no meu guarda roupa.
    Hoje estava sentindo exatamente isso que você postou. Principalmente na questão de ter distanciado de Deus e sentir o quão é difícil voltar agora que já me contaminei com tanto mal.. Não me sinto com moral para poder chegar como se nada tivesse acontecido, tomar santa ceia, falar de Deus para as pessoas. Será que elas vão me respeitar como igreja? Passei alguns anos da minha vida estagnada. Como se tivesse sentada vendo tudo cair... Mas sabe, hoje estou levantando e com muita boa vontade para receber o que antes eu recusei. E acho que tudo valeu, para que hoje eu desse o devido valor e soubesse agradecer por simplesmente ser um tesouro para Deus!

    Parabéns pela sua força!

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