Exercer, as vezes, esse papel da mulher durona, que nunca chora, nunca se emociona, nunca se importa, é mais dolorido que as correntes lacrimais que dois olhos possam derramar. Não há o que dizer, o que pensar, o que decidir. É um misto de descontentamento e loucura, sentimento e frieza, ilusão e decepção. Esse meu perfil projetista, de quem exerga sempre dezenas de anos a frente, tem se tornado um emaranhado confuso de precipitações. Já nem sei mais, se o peso que me ronda é da falta de objetivos concretos ou da existência de ideias vãs. Tudo o que sei é que esperei demais de mim, esperei demais dos outros e hoje quero apenas viver o pouco - quase nada - que me resta. A vida se manifesta nos cantos dos olhos, na amargura da alma cansada, na sabedoria da mente experiente. Ela chega, sorrateira, nos da um pedaço do céu e nos derruba com uma tempestade repentina. Ainda assim, escalei as montanhas do Evereste, saltei do pico, entre as nuvens carregadas, içei meu barco no perdido da maré inalcançavel. Não mais quero, nem me quero, nem te quero. E não quero mais querer. Amor moribundo, deveras, me fartei.
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