terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ossos do ofício

Me mandaram ir, bem ali, onde o rio faz a curva, onde a estrada é de chão, onde não há tanto poste, nem tanta fiação. Estava em busca de uma ossada. O lugar, muito deserto, chegava a arrepiar a espinha.
Lá vem um motoqueiro, ninguém sabe onde fica a tal rua, mas as tais ossadas, eram famosas na região.
- Essa rua? Eu não conheço não. Da ossada eu já ouvi falar, a cada dois dias se encontra um pouco, a última que eu sei, foi ali no ribeirão.
Mais na frente um senhor, concentrado com sua foice, capinando o serrado, debaixo de tanto calor.
Dos tais ossos, é claro que sabia sim. Ele estava era bem informado. É que o último, vinha de uma casa, perto de um tal campinho.
E lá fomos, em busca do pobre coitado.
Da porta da casa simples, no meio de um matagal, veio uma senhora simpática, e a filhinha, de bicicleta, muito esperta, que sabia cada detalhe do corpo do tal difunto.
As partes, segundo ela, foram achadas na entrada. Primeiro a metade do crânio, depois a outra parte também. No outro dia veio um braço, no outro, uma costela. Ontem veio uma perna, mas já não estava com ela.
-A polícia está zangada, disse que não busca mais osso não.
Enquanto ouvia, aquela história estranha, a canela coçava que só! Não sabia se era o mato ou o cãozinho preto que tanto me lambia.
-Mas dona, de onde vieram esses pedaços?
-Foi esse cachorrinho aí, que trouxe um a um.
E o tal canibal, era o descobridor do tesouro. É pena que a busca tenha sido em vão. Eu bem que tentei entrar no meio da mata, procurar o resto que ela disse haver por ali. É que o cinegrafista, amedrontado, peferiu não arriscar.
Voltamos todos frustados, dessa viagenzinha de fim de tarde...
Não havia o que fazer. Esses, são os ossos do ofício.

Nenhum comentário:

Postar um comentário