Naquele dia, a moça pairava feito uma ave que se eleva pelo ar. Se sustentava sobre as asas da imaginação. Os dias estavam indecisos, como a si mesma. O sol que aquecia os corpos parecia brigar com a gélida sensação dos ventos pálidos de abril. Procurava balbuciar o cântico da sublimação, sua busca era encontrar-se. A estafa a aprisionara nesse casulo que não a pertencia mais. Vivia pelos arredores, se encaixando e se espremendo nesse coração incrédulo. Se encaracolava pelos cantos, e fazia nascer uma angústia profunda na casca anfitriã. Já não mais sabia o sentido dessa aliança entre o corpo e alma. Era preciso desacorrentar-se desses caminhos sem sentido algum. Se agarrava nos objetivos, meramente racionais e muito pouco significativos. Queria mudar, mas não sabia como. Era a moça e nada mais. Aquela mocinha que sente, que ouve e tem sentimentos, mas ninguém vê. Chorou desenfreadamente. A existência de um ser não depende de sua capacidade de ser palpável. Era preciso ser percebida. Ela não estava ali, não era ninguém.
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