
Hoje foi mais um dia daqueles – como qualquer outro. Um dia em busca de um sentido. Um dia comum, incomum. A melhor parte de tudo isso é nomeá-lo sexta-feira. É esse pouquinho de descanso em que nos agarramos – nos motiva a prosseguir. Hoje foi um dia em que recolhi com meu cesto de feira, um bocado de tristeza. Tristeza colhida no pé, fresca, pronta para ser servida. Reuni no meu peito as lágrimas que cultivei por aí, as lágrimas que cultivaram, as lágrimas que inundam a alma. E cá estou, mergulhada num rio profundo – já nem sei separar as fontes. Continuo nadando e tento não olhar para trás. Tento não medir o trajeto que me falta – uma mente cansada desmotiva o corpo. Pela primeira vez, em um tempo incontável, queria curar o mundo, sarar as feridas que deixei por aí, doar sorrisos pras amigas. Queria adiantar o tempo, voltar o tempo, estar no tempo. Queria que as coisas fossem mais fáceis. Queria comprar um tiquinho de felicidade, nem que tivesse que trabalhar por horas e dias e noites e anos... Repartiria para uns dois ou três. Deixaria um tanto no meu peito. Só queria, Deus, de volta, meus sonhos. Queria ler aqueles gibis de romance da adolescência e acreditar na magia de tudo isso. Queria costurar no pensamento meu vestido de noiva, fazê-lo e refazê-lo quantas vezes for preciso sem ter que me preocupar com a alfaiataria. Queria deitar na cama e sentir o cheiro da esperança. Fecharia as janelas da casa, vedaria as gretas, respiraria todo esse aroma até a última partícula de oxigênio. Só, enfim, na última gota, entregaria meus pulmões.

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