Vivemos sempre na expectativa de um futuro distante. Guiamos nossas pernas sem medir a extensão da caminhada toda e, por isso, quase sempre, nos esquecemos de calçar os pés para os trajetos de cascalhos. Não nos preparamos para as poças, nem para o percurso íngreme, porque fazemos da vida um contexto descontínuo. Passamos pela juventude dotados de beleza, força e disposição e fazemos dos nossos próprios erros, escambo para obter aprendizado. Quando enfim, começamos a notar as escolhas que não deveríamos ter feito ou as oportunidades que deixamos de agarrar, percebemos que só o tempo é capaz de nos mostrar com clareza decisões outrora tomadas. A medida em que nos distanciamos do ápice de nossa presteza, ganhamos mais amplitude de visão, entretanto, menos poder de alcance. Passamos a ser meros admiradores de uma existência que se contradiz em lamentar-se pelo que perdeu e aclamar-se pelo que, afortunadamente, acertou – ainda na ausência da sabedoria
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