quarta-feira, 13 de julho de 2011

Transplante de coração


Eu queria um coração novo. Um que batesse com todo o ânimo, que estivesse cheio de sonhos e receptivo ao aprendizado. Queria um coração puro, daqueles que temos na infância. Um que pulasse bem forte e fizesse cócegas na barriga, esfriando até a espinha – um coração adolescente. Queria um coração que estivesse limpo, sem mágoas. Não queria mais esse peito sobrecarregado, decepcionado, cheio de amarguras. Queria abrir meu corpo com faca, retirar dele esse músculo pulsante e colocar um que conseguisse perdoar. Algum que não se lembrasse mais dessas frustrações, que me permitisse acreditar novamente. Um coração que pudesse amar. Que pudesse sentir e que me desse vida. Não apenas sobrevida.

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