
Um dia você anuncia o divórcio. A família dele, parece festejar o novo “status” de relacionamento. A dela, lamenta. Alguns amigos apóiam, outros, discordam – há os que se calam. Há quem te chame para sair, fazer compras, preencher seu tempo e não permitir que se afunde no vazio do desgosto. Há quem te aconselhe a voltar e quem te incentive a curtir a solteirice. No meio de tudo isso, ele e ela. Ambos confusos e aparentemente certos da decisão. Tudo se mistura, num emaranhado de opiniões. Ainda que escasso, lá no último canto da alma, sempre existe a tristeza da perda, a destruição do lar. Então, os dias se passam, cada qual vai se adaptando a nova vida – ainda que ela se resuma num mundo vazio, desfeito e sem sentido.
Os “amigos” dele combinam as “peladas” semanais, os parentes se encarregam de indicar as amigas. Ele já nem sabe mais se deveria ter se casado algum dia, começa a acreditar que o relacionamento foi um erro. Ele acorda a hora que quer, não precisa se preocupar em pagar as contas ou ser incomodado no meio da madrugada com os choros da criança. Os colegas ressurgem do nada, como se a esposa tivesse sido um furacão que desfez todo um vínculo da infância. Ele se programa para as férias na praia, para as morenas do litoral e as festas com a família, que há tanto não eram curtidas com tanta liberdade.
Ela, esporadicamente, se desfaz dos resquícios das lembranças. Tenta tirar do aparamento objetos que marcaram, de alguma forma, o período em que estiveram juntos. Passa a trabalhar mais, ser responsável por quase tudo, a dormir menos, carregar a criança e as sacolas do supermercado. A família liga – insiste em querer contribuir para a reconstrução do casamento. Ela sabe que não é tão simples. As palavras doem, as recordações doem – não existe o que fazer. Ela tenta colocar seu foco nos estudos e na profissão. As amigas, solícitas, amparam, independente de qual seja a decisão – o mais importante é que ela seja feliz. Se não quer farra, vejamos um filme, não quer ficar em casa, vamos às compras. E os dias se passam, colando retalhos num coração ferido.
O final de semana acaba. Ela senta e respira fundo. Mais uma semana que começa. Mais um dia, mais um mês. Ela já nem pensa em se casar de novo, não olha pros lados na rua nem se importa tanto em se arrumar. O tempo que sobra é para filha ou para adormecer no sofá – pensando ou escondendo-se da enxaqueca constante.
Somos como um rosto de argila. Cada palma que nos toca deixa suas digitais, reproduzem seu reflexo, criam rugas. Somos frutos do meio. Conseguimos, rapidamente, esquecer-nos da solidez de uma família, dos almoços, dos passeios, das ficuldades enfrentadas e superadas - sempre em cumplicidade. Entramos para o time vazio que só quer mais um para tentar se aquecer. E no final, não apenas acreditamos nele, como passamos a pensar como ele. Deveríamos ser como membros de um júri, nos afastar do mundo, nos trancar na esterilidade de informações – ter uma decisão sem moldes. Persuadiram o juiz e eu, perdi a causa.
O final de semana acaba. Ela senta e respira fundo. Mais uma semana que começa. Mais um dia, mais um mês. Ela já nem pensa em se casar de novo, não olha pros lados na rua nem se importa tanto em se arrumar. O tempo que sobra é para filha ou para adormecer no sofá – pensando ou escondendo-se da enxaqueca constante.
Somos como um rosto de argila. Cada palma que nos toca deixa suas digitais, reproduzem seu reflexo, criam rugas. Somos frutos do meio. Conseguimos, rapidamente, esquecer-nos da solidez de uma família, dos almoços, dos passeios, das ficuldades enfrentadas e superadas - sempre em cumplicidade. Entramos para o time vazio que só quer mais um para tentar se aquecer. E no final, não apenas acreditamos nele, como passamos a pensar como ele. Deveríamos ser como membros de um júri, nos afastar do mundo, nos trancar na esterilidade de informações – ter uma decisão sem moldes. Persuadiram o juiz e eu, perdi a causa.

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