segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Lado a lado com o tempo

Estive a imaginar a vida, e essa corrida maluca, essa perda constante de pessoas, oportunidades e valores. É como se estivéssemos em um campo, e sobre ele passasse uma carruagem, com cavalos que cavalgam rumo a esse infinito cheio de mistérios que se perdem na história. Não basta cruzar os braços e observar a pista. É preciso estar lado a lado, acompanhando esse passos apressados que o tempo tráz para nós. É como se o tempo fosse o cavalo, e a carruagem nossa bagagem pessoal. É ela quem nos dá as chances, os mantimentos, os amores. E quase sempre, um momento que a distração nos envolve, é o suficiente para que nos afastemos e não mais possamos alcança-la. E o tempo não volta, não escuta nossos gritos no vácuo de nossos passados empalhados em paredes. Se não conseguirmos acompanhar o amor que anda ao nosso lado, ele pode se afastar sem que possamos perceber. É que toda distância só pode ser notada quando nossos braços já não conseguem segura-las. Temos de correr rente a essa caminhada ligeira, agarrarmos nossas chances, enquanto ainda estão ao nosso alcance. Correndo e semeando sobre o campo, caminhando e colhendo o que a vida tem a nos dar, enquanto ainda somos capazes. As vezes sinto, pelos anos que perdi trancando meus estudos, e vejo o quanto essa separação entre mim e minha bagagem profissional me fez perder oportunidades valiosas. Hoje tento recuperar esse atraso, corro com todas as minhas forças em busca desse tempo que passou ao meu lado sem que eu pudesse notar. Hoje vejo quantas pessoas deixaram que eu me afastasse delas, porque não perceberam que um amor que se vai, dificilmente consegue ser alcançado novamente. Tenho estado nessa luta constante, por tudo o que perdi, por tudo aquilo que tem pressa em ser conquistado, por toda a semeadura que joguei ao chão e não me preocupei em regar. Enfim, descobri que não somos jovens para sempre, que um amor não sobrevive se não for retribuido na mesma proporção, que as oportunidades se vão, e que é preciso estar em forma, aquecer nossos passos, acompanhar esse cavalo que passa ao nosso lado. Não há como pará-lo.

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