Existem certas épocas de nossas vidas em que nos tornamos polidores de nosso próprio coração. Esta tem sido uma parte de minha fase atual. Tenho tentado ser uma pessoa melhor, me desfazer principalmente das mágoas e de algumas amarguras que guardamos lá no íntimo de nosso peito. Tenho apreciado mais a vida, tenho sido uma pessoa mais batalhadora e alegre. Tenho crido mais, talvez porque tenho feito mais também. Hoje chorei vendo um filme (uma prova de amor), e isso para mim é raro. Não sou do tipo de pessoa que se deixa levar assim pelas emoções, mas os filhos mudam muita coisa na gente, e assistir ao sofrimento de uma mãe, mesmo que na ficção, faz qualquer fortaleza se acabar em lágrimas. Agora, novamente me surpreendi chorando, coisa que a muito não me acontecida. Não sei se é bom ou ruim, mas amolecer um pouco as vezes, pode enobrecer alguns valores guardados na alma. É que as vezes me sinto grata por tudo que tenho. Pelo rosto, pelo corpo, pela filha, pelo conhecimento, pelo marido. Porque sei que DEUS, apesar de minha insignificância, me deu muito mais do que me é de direito. O problema todo é que nasci olhando para cima. Quero aprender mais, estudar mais, quero ser jornalista mas se o tempo me permitisse também queria me graduar em economia, medicina, direito, só pelo puro prazer de expandir meu conhecimento e conquistar cada milímetro que meu cérebro possa suportar. Quero crescer profissionalmente - e quero o mesmo disso tudo para minha filha - razão pela qual me faz ter ainda mais ambição, para ter condições de proporcionar tudo isso a ela. Tenho me sentido presa, como se houvesse cordas amarradas em meus braços. Porque queria não ter de abrir mão de estágios, de estudo, de oportunidades, simplesmente porque estas necessitam de quem não receba bem o suficiente para não poder largar tudo e se dedicar aos sonhos até que os possa alcançar. É que esse "bem o suficiente", é tudo aquilo que me permite ter o suficiente, mesmo que isso não seja suficientemente um bem.
Juju

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