segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Preparando uma vida

Criar um filho é uma tarefa muito difícil. Nunca sabemos se estamos dando a melhor educação, pelo menos, na concepção de uma mãe, qualquer correção e qualquer carinho está no momento e na proporção correta. E essa é a grande armadilha. Fico pensando, se a rigidez ou o carinho que emprego a minha filha estão na medida ideal. Nunca sei me responder. Sou, ás vezes, um tanto rígida. Para mim, não há nada pior que corrigir um filho e vê-lo cercado de paparicações em seguida. E parece pulga. É quando damos as palmadas ou os chingos, que surgem as dezenas de "paparicadores". Dá até uma vontade de jogar um inseticida e mandar toda essa praga bem intencionada pra longe dali. Entretanto, tenho medo de ser rígida além do necessário. Deve ser pelo pavor que sinto de crianças mimadas e com excesso de dependência. Sinto muito por não poder dar a minha filha o tempo necessário, tanto para disciplina quanto para o amor. Outro dia ouvi, de uma dessas mães superprotetoras, que não se deve deixar um filho com ninguém. Esta, por sinal, decidiu não ter mais filhos, porque segunda ela, não existem pessoas confiáveis o suficiente para se deixar uma criança. Nada de escolas, nada de babás, nada de ir na padaria ao lado ou ao ginecologista sem levar o filho junto. E ainda - se referindo ao fato de eu ter deixado minha filha em um berçario aos 5 meses de idade - disse ser muito fácil ter filho e colocar na escolinha. O que ela não sabe é o quanto é difícil fazer isso. E por quantas manhãs fui trabalhar aos prantos por isso. Fácil é poder largar tudo (ou nada) e se dedicar integralmente a um filho. É ter tempo e dinheiro para isso. Difícil mesmo é ter de trabalhar para pagar as contas, ir para a faculdade e se abster de ver seu filho crescer, sorrir, e deixá-lo ser educado por pessoas que nem sempre pensam como você. É deixar um filho em casa com febre e ter de ir trabalhar mesmo assim. Mas o mais engraçado de tudo isso, é que pela primeira vez me senti feliz com esse sacrifício todo. Porque percebi, que por mais que as dificuldades existam, não estou construindo redomas ao redor de minha filha. Posso tentar poupá-la da crueldade humana, mas não posso poupá-la da vida. Porque um dia ela vai crescer. E não sei se estarei sempre aqui para ser essa redoma. Consegui, pela primeira vez, me sentir aliviada por ter de trabalhar e perder todos esses momentos com ela. Porque a vida é mesmo assim. É preciso estar preparado.

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